O mundo manda lembranças

Os que viram garantem que mr. Miles ficou ainda mais charmoso com seu novo bowler hat e informam que, pelo jeito atarefado, nosso correspondente britânico está prestes a realizar uma nova viagem. Em nossos arquivos, lembramos que o viajante esteve em São Paulo há exatos dez anos, em razão do "aniversário redondo"de um amigo. Estaria ele entre nós novamente? Não há pista na correspondência desta semana, que só contém uma resposta:

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2015 | 02h06

Querido mr. Miles: como agente de viagens, estive em um cruzeiro luxuoso em que a idade média dos passageiros girava em torno dos 75 anos de idade. Exceto pelo fato de que quase todos eles estavam em péssima forma física, pude imaginá-lo à bordo… Em compensação, como nem sequer tenho 30 anos, senti-me muito entediada. Às dez da noite, o navio inteiro já estava dormindo. O que leva as pessoas ao mar em idade tão tardia?

Patricia Cuevas Lima, por e-mail

"Well, my dear. First of all, posso assegurá-la que, se eu estivesse a bordo, você não se sentiria tão entediada. Isto, contudo, seria pouco provável, porque, como já informei neste espaço, não tenho o hábito de participar de cruzeiros, exceto para, once in a while, visitar velhos companheiros do mar, hoje transformados em capitães de grandes transatlânticos. Nessas ocasiões específicas, tenho o hábito de frequentar as festas realizadas pela tripulação, essas sim deveras promissoras e interessantes.

Anyway, Patty, sou um grande admirador deste tipo de viagem. Cruzeiros de luxo, as you mentioned, são, em geral, frequentados por cidadãos em idade provecta por uma razão bastante compreensível: eles custam muito caro. É preciso, no mais das vezes, ter acumulado uma notável economia para desfrutar de suas intermináveis mordomias. É preciso, as well, dispor de tempo, sobretudo para as jornadas intercontinentais, que, sometimes, prolongam-se por seis meses ou mais.

Unfortunately, my dear, a combinação de dinheiro em abundância com tempo à vontade costuma ocorrer, no universo plebeu, numa faixa etária em que a vida começa a cobrar o preço de sua má utilização. Eis a razão pela qual, em cruzeiros dessa espécie, há uma presença notável de passageiros avariados e combalidos. Não se engane, contudo. Sou capaz de apostar que quase todos os seus companheiros de cruzeiro estavam radiantemente felizes, weren't them?

De um jeito ou de outro, honey, estamos falando de viajantes. Gente que, de uma forma ou de outra, abandona o conforto de seus lares para conhecer novas pessoas, ancorar em novos portos e usufruir de novas experiências. Quantos jovens, my God, nem sequer cogitam em fazê-lo, ainda que suas condições físicas permitam-lhes encarar jornadas mais árduas e muito menos dispendiosas?

Meu dileto amigo John Turner, de Salysbury, recentemente fez um cruzeiro de 60 dias em torno da América do Sul. John tem exatamente a idade que você mencionou: 75 anos. Por mais de 30, foi piloto nos caças da RAF (N.da.R.: Royal Air Force, a Força Aérea Britânica) e, desde sua aposentadoria, tem se dedicado a outra atividade de risco: o mercado de capitais. Seus velhos companheiros de farda riram muito de sua decisão. Com quê, então, um falcão dos ares encerrado em um navio que se movimenta, penosamente, a sete nós? Quando John os reencontrou no pub de sempre, bronzeado como nos tempos em que serviu na Birmânia, simplesmente lhes disse: 'Hi, boys, o falcão volta ao ninho. Vocês se lembram do mundo? Well, ele lhes manda lembranças'."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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