Trajeto do Velho Chico e vinícolas

De Petrolina a São Raimundo Nonato

Vitor Tavares, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 04h59

Chegar a Petrolina, município pernambucano na divisa com a Bahia, é ver de perto um pedaço desenvolvido do sertão. Fomentada pela agricultura irrigada no Vale do São Francisco, não só a cidade, mas toda a região é um verdadeiro oásis em meio à seca. 

Além do Velho Chico, as estrelas são as vinícolas abertas à visitação turística. Bianchetti (87-3991-2019; produz vinhos orgânicos) e Fazenda Santa Maria, em Lagoa Grande, e a Vinícola Ouro Verde, do grupo Miolo, em Casa Nova, na Bahia, recebem visitantes com explicações sobre a produção, degustação de vinhos e gastronomia. As visitas devem ser agendadas. 

Ainda no assunto comida, o Bodódromo de Petrolina é um complexo gastronômico ao ar livre aberto em 2000 que reúne restaurantes especializados em carnes de bode e carneiro em diversas formas: linguiça, buchada, sarapatel, cozida, assada, na pizza. Sim, na pizza. Fica na Avenida São Francisco, em Areia Branca. 

O Lago de Sobradinho é outro passeio requisitado na região, para andar jet ski, pescar ou apenas ver a eclusa. No meio do lago está a Ilha da Fantasia, um dos mais bem guardados segredos do sertão, com areias brancas que chegam a lembrar a paisagem dos Lençóis Maranhenses. O mirante de Sobradinho e as dunas de Casa Nova, atrações também do lado baiano da margem, são pontos altos. "É uma infinidade de coisas que até quem é daqui se surpreende", diz Luiz Santos, membro da Associação dos Guias do Vale do São Francisco.

A partir de Petrolina, siga caminho para a Serra da Capivara, no Piauí, onde fica o maior parque arqueológico do mundo, de acordo com a Fundação do Homem Americano (Fundham), responsável pela administração do local. A viagem dura mais de 5 horas pelas rodovias BR-407 e BR-020, em um cenário de vazio quase absoluto. Como companhias, apenas a vegetação da caatinga, o sol forte e um céu azul quase sem nuvens. Por segurança, prefira viajar durante o dia. De Petrolina, pode-se pegar um ônibus até São Raimundo Nonato (R$ 55, da Gontijo), cidade piauiense que serve de base para o acesso ao parque.

São Raimundo Nonato inaugurou um aeroporto de administração privada em outubro do ano passado; mas, até o momento, segundo a Anac, não há voos comerciais até lá.

A dimensão da Serra da Capivara é tal que, segundo a turismóloga e conselheira da Fumdham Rosa Trakalo, uruguaia que vive há 23 anos na região, seriam necessários dez dias para conhecer tudo. Três dias permitem visitar os pontos e trilhas principais. Em 2015, o balanço prévio indica que 15 mil pessoas visitaram o parque. 

São as pinturas rupestres – 1.365 sítios arqueológicos catalogados – as atrações fundamentais. Desfiladeiro da Capivara, Serra Branca e Pedra Furada compõem o cardápio básico. Toda a região é bastante seca, e talvez seja isso o que faz dela ainda mais especial. 

SAIBA MAIS:  embarque no Vapor do Vinho para descobrir a eclusa, vinícolas e a Ilha da Fantasia pelas águas do Rio São Francisco. Há saídas aos sábados e domingos da orla de Juazeiro. De R$ 90 a R$ 130 por pessoa.

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