Rafael Barbieri/Ecoação
Rafael Barbieri/Ecoação

Vitor Tavares, Brotas

01 Maio 2018 | 04h00

 

Além da noite estrelada e do céu azul quase sem nuvens, quem olhar para cima em Brotas agora pode se deparar com um colorido até então estranho na cidade. A terra da aventura no interior de São Paulo ganhou mais uma para chamar de sua: o voo de balão. Não tão assustadora como outras atividades por lá, mas igualmente de tirar o fôlego, o balonismo dá seus primeiros passos na região como mais uma opção para quem quer pegar a estrada e curtir o clima interiorano num fim de semana ou feriado longe da cidade grande. 

Seguindo para onde o vento soprar, turistas têm no horizonte, além da própria cidade de 24 mil habitantes, um cenário de pastos, rios, cachoeiras e plantações de cana-de-açúcar, eucalipto, banana, laranja. Mesmo a mais de 500 metros de altura (o voo pode chegar até perto de mil), os cheiros e os sons estão ali: o Rio Jacaré-Pepira correndo, o mato ainda molhado da manhã, os bois, os pássaros cantando.

 

Voar, voar

 

O título “aventureiro”, de certo, continuará pertencendo a Brotas por conta de atividades como rafting, canionismo ou queda livre. Não que o balonismo não chegue a assustar aqueles que têm medo de altura (o que não é o meu caso), mas a experiência, posso arriscar, é muito mais de contemplação do que de aflição para qualquer pessoa. A subida e a descida são lentas – e, assim, com os olhos se acostumando aos poucos, as dimensões de alto e baixo se tornam menos perceptíveis. 

 

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Vale destacar que o balão só levanta voo se as condições climáticas estiverem favoráveis e com número de pessoas cujos pesos somem, no máximo, 1.000 kg. A “decolagem” ocorre no terreno da Pousada Pé na Terra, na zona rural, mas bem perto do centro de Brotas. O destino: SDS, como brincam os pilotos, “Só Deus Sabe”. No nosso voo inaugural, antes das 6h30 já estávamos no céu, vendo o sol dar as caras no horizonte paulista. O frio das primeiras horas da manhã logo vai dando espaço ao calor do dia e do fogo que controla a altura do balão.

O passeio, supertranquilo, acabou 40 minutos depois, nas proximidades de uma plantação de cana, com o condutor conseguindo pousar em cima da própria caminhonete da equipe de resgate, guiada via GPS. Enquanto uns lamentavam o fim do passeio, outros celebravam a segurança com que tudo transcorreu. “As condições em Brotas normalmente são boas, por conta do relevo da região, que também proporciona vistas mais bonitas que o normal”, destacou o piloto Cristiano Almudim.

 

Subir, subir

 

Além do voo da manhã, que parte sem rumo, há a subida do fim da tarde (a partir das 17h), em que o balão sobe e desce amarrado por cordas, para uma vista panorâmica. São cinco minutos, só dá para sentir o gostinho, com a altura chegando ao máximo de 60 metros. Também é oferecido o passeio romântico, com balão exclusivo para casais que queiram comemorar alguma data especial.

 

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A princípio, os voos serão realizados na cidade uma vez por mês da cidade, a depender da demanda. A avaliação de novas datas será feita pela EcoAção, operadora de turismo mais famosa da cidade e que vem dominando o setor por lá, gerindo pousada, hostel, parques e um hotel-fazenda em construção. A atividade é feita em parceria com pilotos que atuam em Boituva, ponto clássico do balonismo no Estado.

 

Antes de ir

 

Como chegar: a partir de São Paulo, são 250 quilômetros pela rodovia dos Bandeirantes (pedágio R$ 47, só ida). De ônibus, a passagem custa R$ 72,90, o trecho com a Expresso de Prata – a viagem dura 4h e sai do Terminal Rodoviário da Barra Funda.

 

Balão: o voo livre (que sai às 6h) custa R$ 400 (ou R$ 420, com café da manhã). O voo cativo, no fim da tarde, custa R$ 55. Próximas saídas nos dias 19/5 e 16/6. Com a Ecoação.

 

O que levar: para as atividades de aventura, tênis confortável, cantil, mochila pequena, protetor solar e repelente são imprescindíveis.

 

Bons momentos também à mesa

Em um casarão de dois andares com mais de um século, restaurado usando materiais originais, como tijolos e madeiras, o Brotas Bar é um clássico entre turistas na cidade. Tem decoração temática de rafting, abriga o pequeno Museu Bozo D’Água (com equipamentos da premiada equipe de rafting local) e playground infantil. O cardápio é variado – a picanha argentina e o hambúrguer são especialidades. Há pratos desde R$ 40, mas uma refeição para duas pessoas não sai por menos de R$ 150, sem bebidas; na happy hour, há promoções.

 À noite, chegue cedo ao Brotas Beer Pub, bar da cervejaria local que reúne todas as opções da sua produção (média de R$ 20 a garrafa de 600 ml; também há opções da torneira). No menu, hambúrguer, salada, torresmo, coxinha da asa, calabresa acebolada, frios. Site: brotasbeer. com.br. Se der vontade de comida italiana, o Vicino della Nonna serve pratos napolitanos, individuais, mas bem servidos como se espera de uma casa de nonna. / COLABOROU MÔNICA NOBREGA

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 03h40

É quase um bungy jump, mas ligeiramente menos radical. A 60 metros do chão, o Queda Livre, no Viva Brotas Ecoparque, dá frio na barriga só de olhar, mas a queda livre, na verdade, é bem menor: 25 metros.  Isso porque o equipamento utilizado, o Quick Jump, reduz a velocidade da queda à medida que o participante se aproxima da plataforma de chegada. A sensação, digo por experiência própria, é parecida com a do bungy jump tradicional – a diferença fica por conta do tempo que duram as sensações. Ao pular de uma ponte ou viaduto para o abismo, a impressão de queda livre é longa, quase interminável (não tanto para quem assiste, ok, mas para quem está caindo…). 

Já na modalidade de Brotas, também há aquele frio da barriga e o grito inevitável no momento do salto. Um ou dois segundos depois, porém, você sente que está amarrado a uma corda e a velocidade cai drasticamente. 

De acordo com o parque, o Queda Livre é a atividade com maior número de desistências. O chão da plataforma onde ficam os equipamentos é todo furado – você já percebe a altura e começa a enumerar, mentalmente, as razões para não pular. Mas, vá por mim: olhe para frente e obedeça os instrutores quando chegar o momento do salto: “É só dar um passo no ar”, eles dizem. Dá medo, mas no fim bate um orgulho por ter superado os próprios limites. Custa R$ 99.

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 03h40

É só uma bicicleta, você pode pensar. Mas a SuperBike, outra atração do Viva Brotas, não está no chão, mas suspensa a 70 metros de altura. A trilha que leva de um ponto a outro do vale é, na verdade, um cabo de aço e tem apenas 1 quilômetro de extensão, para ser percorrido sem presa, no seu próprio ritmo. É o que mais assusta para quem tem medo de altura, porque é devagar e a bicicleta dá umas balançadas no trajeto. 

Ao mesmo tempo, é a única atividade em que o aventureiro tem o controle total do que está acontecendo. Se quiser parar, observar a paisagem e entender a geografia da região, está autorizado; se quiser desistir no meio do caminho, é só pedalar de ré; se quiser tirar aquela selfie perfeita para mudar a foto do perfil nas redes sociais, também está autorizado. Só não pode tirar os equipamentos de segurança.

Do meio para o fim do percurso, você dá de cara com a cachoeira Santa Eulália, mais um motivo para maneirar no ritmo da pedalada (ao menos é uma boa desculpa para justificar a falta de fôlego) e observar a natureza. A SuperBike é a segunda atividade com mais desistência no parque, imagino porque, como é devagar, dá mais tempo para pensar no medo. Não pense. A experiência é única. Valor: R$ 99.

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 03h40

Abra as braços e sinta o vento na cara. Ainda no Viva Brotas, o Supervoo (R$ 119) é uma descida de tirolesa em duas etapas, feita com um macacão especial para dar a sensação de voar como um pássaro, um avião ou o ou Super-Homem mesmo. Você fica deitado, de barriga para baixo, com os braços livres. Na minha opinião, o brinquedo mais divertido do parque. 

Dependendo do peso do participante e do vento, os voos podem atingir velocidade de 70 quilômetros por hora – mas a descida é tão gostosa, que não dá nem para sentir a rapidez. Além do Supervoo, há a tirolesa tradicional e o voo canguru (ambas a 

R$ 99), para descer com crianças pequenas. 

Ao todo, são 1.300 metros de tirolesa a 100 metros do solo, divididos em dois lances de 800 e 500 metros. O esforço físico é zero e o único cuidado necessário é proteger os braços na chegada à plataforma, quando a freada é brusca. O risco é querer repetir várias vezes.

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 03h40

O fim de semana ou feriado de aventura pode ser combinado com um passeio de clima totalmente rural no Hotel Fazenda Areia que Canta, a 15 minutos do centro de Brotas (até R$ 220 o day-use, com bufê de comida caseira, com gosto do interior, incluído para o almoço).  A propriedade guarda uma linda nascente, que mais parece cenário do Jalapão, no Tocantins, ou Bonito, no Mato Grosso do Sul. A nascente forma um poço raso com fundo recoberto de areia cuja composição tem principalmente grãos de quartzo. Um punhado dessa areia, que é coletada pelo guia em um balde de madeira, ao ser esfregada entre as mãos faz um barulho de cuíca – alguns demoram um pouco mais para pegar o jeito, mas até as crianças acabam conseguindo.

É possível fazer flutuação na nascente, onde a areia borbulha com a água saindo direto do aquífero Guarani para o Rio Tamanduá. A atividade é controlada e apenas quatro turistas podem entrar nas águas a cada vez. Pisotear o fundo é proibido, para evitar danos. 

O termo “fazenda” no nome da propriedade é de verdade. O espaço é produtivo e tem gado, vaca leiteira e plantação de laranja. Na parte “hotel”, está tudo ali também: tirolesa, redes, lago, piscina, passeio a cavalo, trilhas, cachoeira. As diárias começam em R$ 272 por pessoa.

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 03h40

No trecho do Rio Jacaré-Pepira que passa pelo centro de Brotas, as margens permaneceram abandonadas durante anos – chegaram mesmo a ser uma área considerada violenta, não recomendada para turistas. Até que, em 2008, foi concluído um projeto de recuperação do entorno. Nascia assim o Parque dos Saltos, uma área pública e com entrada gratuita que transforma em atração para se contemplar uma sequência de quedas d’água – tanto as naturais quanto as que foram criadas pelas barragens da hidrelétrica que, em fins do século 19, já garantia iluminação pública a Brotas, antes mesmo da cidade de São Paulo contar com tal facilidade. 

O ponto de partida para a caminhada – um passeio de cerca de duas horas de duração, feito sem pressa –, é a ponte pênsil, exclusivamente para pedestres, que começa na Avenida Alfredo Mangilli. Há trilhas que acompanham as margens, passam por entre as árvores e atravessam o rio por cima de pontes de madeira. O interior vazio do barracão que abrigava o maquinário da usina pode ser visitado. 

No outro extremo do parque está o restaurante Mira Rio, com uma varanda de frente para o Jacaré-Pepira e um cardápio daqueles de almoço de fim de semana em família: pratos-feitos simples e porções. / COLABOROU MÔNICA NOBREGA

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O Estado de S.Paulo

01 Maio 2018 | 03h40

Entre as aventuras disponíveis em Brotas, o rafting (R$ 144, na EcoAção; R$ 110, na H2Omem; R$ 116 na Território Selvagem) é a mais indispensável. Responsável pela fama da cidade, a brincadeira consiste em descer as corredeiras do limpo Rio Jacaré-Pepira remando botes infláveis em grupo. Um passeio que mistura doses de emoção e momentos de plena tranquilidade, que ganhou até variáveis: há programas noturnos na lua cheia e até para levar os cachorros.

A preparação começa cedo, com as instruções nas agências no centro da cidade. Os guias ensinam comandos, dão dicas de como manejar os remos e os avisos de segurança. Depois, é só pegar o ônibus e, em 20 minutos, você já está no ponto para descer o rio. São até seis pessoas no bote, mais o instrutor. O nosso foi Thiago Oliveira, ex-morador da capital paulista que conheceu o rafting e não largou mais o interior. Dá até para entender quando você descobre que o Jacaré-Pepira vai se juntar a um limpo Rio Tietê, que nem parece o mesmo da Marginal.

Quem não sabe nadar pode optar pelo passeio light, sem cair n’água. Mas a regra entre os instrutores é fazer o bote virar em alguma das quedas, para todos experimentarem a temperatura gelada do rio. O percurso de 10 km dura mais de 1 hora e tem momento de pausa para fotos e nado no rio. Uma delícia.

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