Sergel Karpukhin/Reuters
Sergel Karpukhin/Reuters

O país que é um mundo inteiro

Russos dançam como ninguém, bebem como poucos e criam músicas incomparáveis

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2018 | 00h20

Encontramos Mr. Miles na costa da Córsega, inspecionando alguns veleiros, em busca daquele no qual pretende passar o verão em águas do Mediterrâneo. Nosso correspondente, sempre prestimoso, concordou imediatamente em mudar o teor de sua crônica semanal e dedicar a coluna à Rússia, em harmonia com o Viagem desta semana. A seguir, as linhas que o viajante escreveu sobre o país da Copa do Mundo de 2018

Well, my friends, sempre tive um fascínio especial pela Rússia. Sua música, seus escritores e seus mistérios sempre me encantaram. Sem falar, of course, de suas mulheres – as mais belas do planeta quando jovens, embora poucas envelheçam bem, I’m sorry to say – e de sua vastidão quase inconcebível. Um país que fica a minutos da América nas Ilhas Aleutas, que faz fronteira com 14 nações da Ásia e da Europa, que tem vizinhos de todas as origens, fés e ânimos não pode deixar de ser fabuloso.

Os russos, probably, são os únicos cidadãos do planeta que, se puderem conhecer apenas o próprio país, terão viajado com a intrepidez dos grandes aventureiros. 

Pouco importa que eles não sejam, in fact, bons de bola. Eles dançam como ninguém, bebem como poucos, produzem músicas de uma grandiosidade incomparável e, well, nem precisam mesmo fazer tantos gols quanto outros para merecerem sediar a principal competição esportiva do mundo.

Há quem os veja com desconfiança em função de seus pendores políticos e de suas lideranças quase sempre despóticas, desde o tempo dos czares. Modestamente, acredito que essa vocação para acumular líderes fortes e truculentos é um modo de manter unida a grande nação de mil facetas. 

Nevertheless, trata-se de um país que acumula todas as belezas e todas as vicissitudes do planeta, pela simples razão de ocupar parte relevante do mesmo. 

Tive amigos na Rússia desde muito cedo. Pelas minhas contas, creio que tenho 78 afilhados entre a Ilha de Ratmanov, no extremo leste da grande nação, e Baltiysk, em Caliningrado, no limite oposto. É claro que, em função de meu bowler hat, andei muitas vezes na mira da KGB. Mas pude ver de perto que, ao contrário de tudo o que foi propagado no Ocidente durante a Guerra Fria, os russos são pessoas amabilíssimas, não comem gente (como, my God, alguns tentaram fazer acreditar) e adoram sorrir.

Unfortunately, pouco podiam conversar com os visitantes estrangeiros no passado, já que eram monoglotas. Mesmo assim, sempre tentavam ajudar viajantes em apuros. 

Vendia-se, as well, nas nações capitalistas, a ideia de que as cidades russas eram cinzas e tristes – além de assoladas por um frio permanente. Sobre o frio, não há como negá-lo. Mas tanto Moscou quanto São Petersburgo e outras cidades de valor histórico da ursina pátria de Anton Chekhov sempre foram cidades coloridas e alegres como as cúpulas de suas catedrais ortodoxas.

Quem tiver a alegria de visitar a Rússia aproveitando a Copa – ou em qualquer outro momento – vai ter ótimas surpresas. Sobretudo, as I use to say, os que estudarem o país antecipadamente, por meio de seus célebres representantes.

Quanto a mim, my friends, tenho um motivo especial para gostar daquele país. Foi lá, como vocês sabem, que encontrei, abandonada em um beco de Irkutsk, minha mascote Trashie, a raposa das estepes siberianas. Nowadays, ela vive perambulando pelo mundo ao meu lado. Nevertheless, sempre que fica emotiva (ouvindo uma balalaica, por exemplo), Trashie me pede que a leve para mais uma jornada às proximidades do grande Lago Baikal. É lá que ela se sente em casa – ainda que prefira um bom whisky à vodca local.” 

 

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS. SIGA-O NO INSTAGRAM @MRMILESOFICIAL.

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