O pitoresco Charlie’s resiste em San Nicolas

Bar fundado há 70 anos reúne nativos, marinheiros e turistas em papos sobre meio ambiente regados a cerveja e ótimos petiscos

Fábio Vendrame/SAN NICOLAS,

04 Janeiro 2011 | 10h00

Segunda maior cidade da ilha, San Nicolas tem uma vibe diferente. O setor turístico, ainda em desenvolvimento, vive às turras com a refinaria de petróleo ali instalada. Os defensores do meio ambiente, então, ficam agitados toda vez que o assunto vem à tona. E sempre vem.

 

Até porque a economia de Aruba depende dos 250 mil barris diários refinados pela empresa. Mas, para o pessoal do carbono livre, ela atravanca o turismo e afasta os visitantes da ilha. Tudo isso aí é verdade.

 

As discussões em torno do assunto estão sempre na ordem do dia no "mundialmente famoso" Charlie’s Bar, uma das esquinas mais frequentadas de Aruba. É ponto de encontro de nativos, de marinheiros e, claro, de turistas de tudo quanto é lado.

 

Pitoresco, o lugar vive apinhado das recordações de Charles Brouns, marinheiro que abriu o bar e começou a decorá-lo com tudo o que colecionava em suas muitas viagens. Com o tempo, deixar objetos lá virou uma espécie de ritual.

 

Hoje, quem comanda o local é Charles Brouns III, terceira geração da família a tocar o negócio, bom de papo e revoltado contra a "refinaria obsoleta que explora as riquezas naturais da ilha", como diz. "Cada coisinha aqui tem seu valor sentimental", filosofa ele, capaz de contar um sem-fim de histórias e de causos sem parar nem um instante sequer.

 

O bar funciona há 70 anos e serve suculentos pratos à base de frutos do mar, petiscos e até hambúrgueres. A Balashi, cerveja arubiana, vem sempre trincando. Em breve, a casa terá um site na internet (charliesbararuba.com), promete Brouns III.

 

Cerro Colorado. Pouco mais ao sul de San Nicolas, o Cerro Colorado apresenta um visual capaz de hipnotizar por instantes. Cascatas em série se formam na encosta escarpada submetida aos golpes intermitentes do mar bravio. Ali não dá praia, mas uma breve noção da insignificância do homem ante a fúria da natureza. Ainda perto estão as torres de energia eólica, responsáveis por 20% do consumo de Aruba.

 

Imperdível

The Old Fisherman fica no número 36 da Haven Straat, área central de Oranjestad. O restaurante presta homenagem aos velhos pescadores da ilha, que dão nome aos pratos. O Jorito Tromp, por exemplo, traz um mix de frutos do mar de escorrer a saliva. Custa R$ 27. O pan bati, de farinha de milho, acompanha todos os pratos.

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