O que deve ter a bagagem de cada um

Como era de se prever, diversos leitores aproveitaram a crônica escrita por nosso bravo correspondente britânico na semana passada para colocar em dúvida a sua existência. Aos que perderam aquele texto, é preciso dizer que mr. Miles relembrava os 100 anos do naufrágio do Titanic e a sua imensa decepção por ter chegado com atraso ao embarque em Southampton.

O Estado de S.Paulo

17 Abril 2012 | 03h08

O leitor Alberto Martinez, por exemplo, calculou que o grande viajante não pode ter menos de 120 anos, embora considere a coluna "interessante e ilustrativa".

"Vocês parecem muito bons em aritmética, my friends", disse, a esse respeito, o célebre viajante, sem, no entanto, mencionar a sua verdadeira idade. "Espero, however, que sejam igualmente solertes ao lidar com a imaginação e a fantasia. São essas as virtudes que têm me mantido vivo e repleto de histórias para contar, apesar da frieza dos calendários. Admito, by the way, que estou muito lúcido e fisicamente bem conservado para um viajante dessa idade."

A seguir, a pergunta da semana:

Prezado mr. Miles: tenho enorme dificuldade para preparar minha bagagem em cada viagem que decido fazer. Quase sempre carrego coisas demais. Mas, quando resolvo ser mais parcimoniosa, sempre acabo sentindo falta de alguma coisa. Qual é a sua sugestão? Simone Kachar Baracat, por e-mail

"Well, dear Simone, unfortunately sua pergunta não tem uma única resposta. Cada destino impõe suas necessidades específicas e cada viajante tem uma maneira pessoal de lidar com esse tema. Veja só o meu caso: sou o que as pessoas costumam chamar de um light traveller. Procuro levar apenas o essencial - o que, confesso, não é lá muito difícil para quem quase sempre está trajado como um cavalheiro britânico.

On the other hand, não abro mão de portar, quando viajo, dicionários de idiomas que ainda não conheço em profundidade, o que, em geral, representa um peso excessivo na bagagem. Em minhas últimas jornadas, aperfeiçoei o meu telugu e, agora, ando carregando o dicionário de chinês min ham, com o qual ainda me confundo um pouco.

Voltemos, porém, à questão do destino. É elementar que quem se dirige a um lugar quente não precisa, via de regra, atafulhar sua bagagem com casacos pesados, ceroulas ou estolas de pele. Se a viagem, however, incluir alguma travessia em desertos, nem pense em fazê-lo usando shorts ou camiseta regata. Há, nesse caso, a necessidade de proteger-se do calor com túnicas amplas como as usadas pelos beduínos. Se a temperatura exterior ultrapassar a temperatura do corpo humano (36,5 graus), esse tipo de traje servirá para mantê-lo 'resfriado'. Amazing, isn't it?

A informalidade que assolou o planeta desde meados do século passado tornou muito mais simples o ato de preparar a bagagem. Blue jeans, camisetas, calçados esportivos tornaram-se itens essenciais e polivalentes. Conheço inúmeros viajantes que avançam mundo afora com esses trajes básicos e não se incomodam em lavá-los - ainda que na pia do hotel - sempre que julgam-nos sujos. Muitos deles, I'm afraid to say, levam tempo demais para chegar a essa conclusão. Sobretudo os descendentes de Carlos Magno...

Não conheço seu estilo, darling, mas sei de muitas senhoras que vão para belos hotéis ou embarcam em cruzeiros exclusivos com a firme disposição de jamais repetir um traje durante as refeições. Essas, of course, não se incomodam de pagar o peso extra estipulado pelas companhias aéreas, embora dificilmente alguém perceba a variedade de seu guarda-roupa.

Enfim, dear Simone, o meu conselho é que você recorra, tanto quanto for possível, ao seu bom senso. Que deveria ser, aliás, o primeiro item a ser acomodado na bagagem de qualquer viajante."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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