O que é melhor: pacote, excursão ou conta própria?

Mesmo quem viaja sozinho pode se encaixar em tours organizados

Ricardo Freire,

21 Setembro 2010 | 11h11

Os números mostram que nunca houve tantos brasileiros viajando. E hoje, além dos pacotes prontos e excursões oferecidas pelo mercado, está cada vez mais fácil montar a sua própria viagem. Qual é o momento de escolher cada uma dessas alternativas?

 

Pacote. Operadoras fazem acordos com companhias aéreas (ou fretam voos) e bloqueiam apartamentos em hotéis e resorts, oferecendo um preço normalmente interessante.

 

Vantagens. Seu único trabalho é escolher o hotel. Um passeio de boas-vindas costuma estar incluído. Há possibilidade de parcelamento.

 

Desvantagens. A seleção de hotéis é limitada. A distribuição de hóspedes pelos hotéis pode comer boa parte do primeiro e do último dia. Você é induzido a comprar os passeios "opcionais" com o receptivo da empresa. Voos fretados podem ter horários esquisitos ou ser remarcados em cima da hora.

 

Onde/quando vale a pena. Os menores preços são para pacotes que usam voos fretados. Na ponta do lápis, pacote nunca é mau negócio em praças onde as operadoras brasileiras tenham força junto à rede hoteleira - como Buenos Aires, Orlando, Cancún, capitais do Nordeste, resorts. Para feriados, réveillon e carnaval, os pacotes podem ser a única opção para os retardatários, já que as operadoras bloqueiam voos e hotéis. Faz sentido também comprar pacote de ecoturismo, porque você já sai com os passeios organizados e garantidos .

 

Onde/quando não vale a pena. Para Europa e Nova York, os pacotes oferecem apenas a praticidade: você acaba pagando preços de mercado, por uma seleção pequena de hotéis. Achando uma passagem de avião descontada, é fácil igualar ou bater os preços dos pacotes.

 

Dicas. Mesmo se você for comprar pacote, não deixe de estudar o destino. Você estará em condições muito melhores de fazer suas escolhas e saberá quais atividades fazer de maneira independente. Pense antes de optar pelo hotel mais barato; normalmente é só um chamariz. Tente extrair do vendedor a informação "qual é o que não dá reclamação?".

 

Excursão. Você compra a hospedagem e toda a logística de deslocamento. Seu itinerário é meticulosamente pré-programado, com um ou outro momento livre. Todos os passeios principais estão incluídos (os ingressos, nem sempre), assim como algumas refeições.

 

Vantagens. Novamente você não se preocupa com nada. Roteiros mirabolantes, impossíveis de fazer com suas próprias pernas, ficam magicamente factíveis.

 

Desvantagens. Os roteiros convencionais entopem seus dias com o maior número possível de escalas, resultando numa colcha de retalhos de city tours, com mais tempo no ônibus do que em terra firme. E é inevitável o aparecimento de personagens como o engraçadinho e o reclamão.

 

Onde/quando vale a pena. Excursões ficam mais interessantes em países "difíceis" para o turista - Egito, Índia, Irã, Rússia - ou quando são organizadas em torno de roteiros temáticos, com guias especializados e público homogêneo. Turismo gastronômico, enófilo, educativo (história da arte, antropologia), esportivo, viagens de bicicleta, travessias: quando você viaja com a sua turma, o esquema só tem vantagens.

 

Onde/quando não vale a pena. Roteiros que cobrem muito chão em pouco tempo valem só para quem quer ticar pontos do mapa.

 

Dicas. Jogue o roteiro no Google Maps e no Via Michelin para ver as distâncias percorridas a cada dia e a estimativa de horas em trânsito. E se possível, embarque com familiares ou amigos; viajar em grupo é indolor quando você leva sua própria turma.

 

Conta própria. Você monta o seu roteiro, pesquisa preços e faz todas as reservas, sozinho ou com ajuda de um agente de viagem.

 

Vantagens. Nunca foi tão fácil produzir uma viagem independente. Está tudo na internet: os voos, os hotéis, os carros, as opiniões de outros viajantes.

 

Você tem acesso a hotéis que não são oferecidos pelos pacotões. E no processo de pesquisa, acaba aprendendo muito sobre o destino, o que proporciona uma viagem mais rica e satisfatória.

 

Desvantagens. Dá um trabalho danado, sobretudo nas primeiras vezes. Qualquer desatenção no preenchimento de datas pode resultar em multas ou gastos não-reembolsáveis.

 

Onde/quando vale a pena. Quem se diverte montando uma viagem por conta própria dificilmente viaja de outro jeito.

 

Onde/quando não vale a pena. Os tais "destinos difíceis" (Egito, Rússia, Índia, China) impõem desafios extras aos desempacotados. Para lugares de ecoturismo, viajar por conta própria dá mais certo quando você vai com tempo de folga para se encaixar nos passeios ao chegar (nem todos ocorrem todos os dias, alguns precisam de quórum para se realizar).

 

Dicas. Não se entusiasme demais com as possibilidades. Lembre-se de que não é humanamente possível realizar sozinho os roteiros mirabolantes das excursões. Cheque três vezes a data antes de dar o enter de qualquer compra pela internet. Para comprar passagens aéreas internacionais, use um agente de viagem - ele tem acesso a ferramentas que não estão disponíveis ao consumidor final e, além de descobrir os dias mais em conta, pode rentabilizar a sua tarifa em voos de continuação. E se você se sente inseguro para fechar negócios na internet, faça sua pesquisa e entregue para o agente aparar arestas e fazer as reservas.

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