Turismo de Frankfurt
Turismo de Frankfurt

O que fazer em Frankfurt além da conexão

Moderna, artística e repleta de opções culturais, Frankfurt merece pelo menos um fim de semana de atenção. Confira as opções em três bairros da cidade

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 03h00

Uma das cidades mais injustiçadas da Alemanha, Frankfurt raramente é o destino número 1 dos brasileiros que querem conhecer o país. Berlim, Munique, Colônia, Dresden, Leipzig, entre outras, sempre aparecem primeiro. Mas é uma pena. Da próxima vez que for a alguma das inúmeras e gigantescas feiras realizadas na cidade, como o Salão do Automóvel ou a Feira do Livro, ou mesmo se seu voo fizer conexão lá – afinal, vale lembrar que Frankfurt é um dos principais hubs da Europa –, considere ficar para o fim de semana. 

Para além de sua vocação econômica – e a estátua do euro, localizada entre a antiga sede do Banco Central Europeu e a Ópera, comprova que estamos no centro financeiro da Alemanha –, Frankfurt é uma delícia de cidade em qualquer época do ano. No inverno gélido e branco, os mercados de Natal são obrigatórios. E o vinho quente sempre ajuda a encarar as temperaturas negativas. No verão, aproveite para caminhar pela margem do rio, pelos calçadões, parques e praças. E não perca os inúmeros eventos e festivais ao ar livre.

A cidade deve ficar ainda mais interessante nos próximos anos. Um projeto, já em execução, vai dar novo fôlego para o centro histórico, com 15 reformas e 20 novas construções em estilo medieval no entorno do Römer, prédio onde fica a sede da prefeitura há mais de 600 anos. Previsto para ser concluído no fim de 2017, o quarteirão DomRömer terá 7 mil metros quadrados e prevê também áreas de moradia e claro, muitas lojas. 

Enquanto a obra não fica pronta, montamos um roteiro básico para percorrer três regiões principais da cidade: a boêmia Banhofsviertel, a preservada Sachsenhausen e o centro, dividido entre Innerstadt e Altstadt. Se quiser seguir viagem depois, há trens saindo para dezenas de destinos dentro e fora da Alemanha do próprio aeroporto. 

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Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 02h57

Conhecido também como o distrito da luz vermelha, Banhofsviertel fica na região da estação central Hauptbahnhof. Nas décadas de 1980 e 1990, o local ficou famoso por seus bordéis e o alto consumo de drogas – até que uma das mais progressistas políticas de redução de danos na Alemanha teve início e já apresenta bons resultados. Mas os antigos habitués ainda estão por lá, e se misturam com jovens e turistas em busca de hospedagem e alimentação mais baratas. 

Onde comer 

Se gostar de comida turca, que é bastante comum na Alemanha, experimente o fast-food Bayram Kebap-Haus (Münchener Strasse, 29). Uma opção interessante é a pizza turca: com  5 euros, você come bem e sai satisfeito. Se preferir frutos do mar, a dica é o restaurante Hamsilos Fuat Akkoc (Münchener Strasse, 28), onde é possível escolher, no balcão, o que chegará à sua mesa. 

Mais adiante, fica o Fleming's Hotel Deluxe Frankfurt City (Eschenheimer Tor, 2), que tem um charmoso restaurante na cobertura, com terraço aberto. O pato com molho de vinho e romã sai por 26 euros e o atum com risoto de pesto, 29 euros. A atração especial é o histórico elevador que leva o visitante até o terraço – e que fica rodando direto, sem parada e sem porta. Você pula para entrar e pula para sair. Uma experiência bastante divertida.

Skyline 

Para uma vista panorâmica e incrível da cidade, suba os 56 andares da Main Tower. A menos que você tenha medo de altura, não vai se arrepender. A atração está em reforma até o dia 13 – depois dessa data, basta pagar 6,50 euros para subir. 

Um pouco de música 

Não muito longe, na Willy Brandt Platz (em homenagem ao ex-chanceler e prêmio Nobel), fica a nova Casa de Ópera. Se passar por lá à noite e estiver tendo alguma montagem, será possível ouvir um pouco da rua e ver o movimento do novo prédio todo envidraçado. Ali pertinho, fica a ópera antiga (Alte Oper; alteoper.de), também em funcionamento, que, para contrariar o nome, apresenta musicais e espetáculos mais contemporâneos.

 

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Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 02h57

Deixando a agitada região da estação central para trás e atravessando o Rio Main, chegamos a Sachsenhausen, um bairro do século 12 e um dos raros espaços da cidade não totalmente destruído na Segunda Guerra. Ali, à margem do rio, há mais de uma dezena de museus com as mais diferentes abordagens, chamado de Museumsufer.

Museu Städel 

O Städel abarca mais de 700 anos de arte europeia e foca no Renascimento, Barroco e Arte Moderna. São 3 mil pinturas, 600 esculturas, 4 mil fotografias e mais de 100 mil desenhos e gravuras de grandes artistas como Dürer, Botticelli, Rembrandt, Vermeer, Monet, Picasso, Giacometti e Francis Bacon. Ingresso a 14 euros (fecha às segundas).

Se estiver na cidade entre 26 e 28 de agosto, aproveite o Embankment Festival, que celebra os museus no entorno do Rio Main com festas, gastronomia, arte e música, além de tarifas especiais para visitar os acervos. A celebração termina com uma queima de fogos no domingo. 

Onde comer 

A uma caminhada do Städel, chega-se à Schweizer Strasse, rua repleta de bares – especialmente os que se dedicam à produção e venda de cidra, bebida tradicional em Frankfurt servida em bembel, jarrinha típica de diferentes tamanhos. No número 67, fica a Zum Gemalten Haus, aberta das 10 da manhã à meia-noite. Ali, a taça da cidra vale 1,80 euro e um prato de salsichas com chucrute, 4,80 euros. Se quiser provar um pouco de cada especialidade, um prato misto sai por 30,10 euros, para dois. 

Já no número 71 está a Apfelwein Wagner, um clássico em funcionamento desde 1931. A casa serve um dos pratos mais frankfurtianos, o handkäse mit musik (3,40 euros). Trata-se de um queijo regional servido com vinagre e cebola – a “música” do título é uma brincadeira com, digamos, os efeitos sonoros causados na hora da digestão. O joelho de porco com batatas e salada custa 14,10 euros.

Depois, é só caminhar pelas ruas estreitas de paralelepípedo e parar num dos inúmeros bares, tavernas e pubs para mais um drinque nesta que é uma das mais boêmias regiões de Frankfurt.

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Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 02h57

Na região entre a Alte Oper (a ópera antiga) e a estação Kontablerwache, o Zeil é um aprazível calçadão, perfeito para quem quer bater perna e fazer umas comprinhas (embora o euro não ande lá muito amigável). É ali que ficam as lojas de departamento Galeria Kaufhof e Kartstadt, que vendem de livros a comida – não esqueça de reservar um tempinho para a seção de chocolates (especialmente se você gosta de marzipã). Para mais compras ou apenas um café num lugar charmoso, faça uma caminhada pela Goethe Strasse, que começa na Goetheplatz. Só fique atento aos horários: as lojas raramente abrem aos domingos e costumam fechar às 17 horas. 

Casa de Goethe 

Já que estamos na cidade natal de um dos principais escritores e pensadores dos séculos 18 e 19, a visita à casa onde Johann Wolfgang von Goethe (1749-1831) nasceu é obrigatória. Foi ali, na Grosser Hirschgraben, 23-25 (e não na Goethe Strasse, como se poderia pensar), que sua família viveu até 1795. Na visita (5 euros), é possível ver o famoso teatro de marionetes que encantava o jovem Goethe, o quarto onde o poeta supostamente nasceu e os demais cômodos. A casa foi totalmente reconstruída após a 2ª Guerra Mundial.

Römer 

Quem procura a Alemanha dos quebra-cabeças vai encontrá-la na Römerberg, uma praça no coração de Frankfurt que abriga o Römer, prédio medieval onde está, há mais de 600 anos, a prefeitura da cidade. E vai encontrar, também, visitantes de várias partes do mundo, restaurantes caça-turista e lojinhas de souvenir. 

Schirn 

Um dos espaços expositivos mais importantes de Frankfurt, o Schirn, também na Römerberg, tem 2 mil metros quadrados e foi inaugurado em 1986. A instituição tem sua programação voltada para mostras de arte moderna e contemporânea. Até 12 de junho, está em cartaz uma exposição com trabalhos do espanhol Joan Miró (12 euros).

Catedral (Dom) 

Com 95 metros de altura, a torre da Catedral de São Bartolomeu pode ser vista de várias partes da cidade. Desde sua primeira construção, em 1239, ela sofreu diversas modificações – a versão atual, em estilo neogótico, data do fim do século 19. Ela ainda foi reconstruída depois da 2ª Guerra e, nos anos 1990, passou por uma restauração. Apesar do nome, o local nunca foi de fato uma catedral e serviu como palco para coroar a realeza. É a maior construção religiosa da cidade.

Onde comer 

O Leib & Seele (Kornmarkt, 11) é perfeito para quem quer fugir dos locais mais turísticos e, ainda assim, comer iguarias típicas da Alemanha – ou até uma versão “importada”, que acabou sendo incorporada à culinária local. É o caso do schnitzel vienense, bife de carne de porco à milanesa e batata (10,90 euros) – há variações, com opções de molho (o de cogumelo é clássico). Um prato com salsichas, batata e chucrute para duas pessoas (ou três, quatro) custa 23,90 euros. 

Outra comida típica é o grüne sosse, molho a base de sete ervas frescas servido com batata e ovo cozido. Sai por 9,20 euros e é uma das opções vegetarianas do cardápio. Para os bravos, a dica é a junta de porco grelhada, com casquinha crocante, que acompanha pão, mostarda, chucrute e batata. É um prato individual, que custa 10,90 euros, mas pode ser perfeitamente compartilhado. Para acompanhar, cervejas a partir de 3,10 euros.

Mas se quiser apenas dar uma paradinha para tomar um café e, talvez, adoçar o paladar, experimente o Kaffee Wackers (Kornmarkt, 9), em funcionamento desde 1914. É tido como o melhor expresso de Frankfurt – após o almoço, a fila toma conta da calçada. Fecha aos domingos. 

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