Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

O que fazer em Porto de Galinhas

Passeios de jangada às piscinas naturais e pelo manguezal, arte e turismo ambiental

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

17 Janeiro 2017 | 04h30

1. JANGADA NAS PISCINAS NATURAIS

bit.ly/jangadaporto

A água esverdeada da Praia da Vila de Porto de Galinhas, no centro, é coberta por jangadas de todos os tipos, nomes e cores. Ali, ao lado de seus fiéis jangadeiros, elas aguardam turistas diariamente para um curto trajeto de cinco minutos até as mais movimentadas (e próximas da costa) piscinas naturais de Ipojuca.

Entre os arrecifes onde ouriços brincam de esconde-esconde com os jangadeiros, que sempre os exibem nas palmas das mãos, buracos de areia são preenchidos por águas verdinhas e tranquilas no meio do oceano. Claro que falar em tranquilidade num dos pontos turísticos mais famosos da cidade não quer dizer vazio, e boa parte dos corais demonstra os sinais do excesso de visitantes. Mas, de posse de seu snorkel, geralmente concedido pelo próprio jangadeiro, encontre um cantinho para chamar de seu por alguns minutos. 

Na maré baixa, mesmo sem a máscara, é possível se divertir com os peixinhos saberés (sargentinho para os paulistas), que seguem insistentemente os movimentos dos pés e mãos de quem vem visitá-los – se for beliscado por eles, não se zangue. Afinal, você é o intruso. 

Os passeios duram de 45 minutos a 1 hora e os ingressos são vendidos na cabine em frente à praia. Cada jangada da Associação de Jangadeiros leva até seis pessoas a R$ 25 cada.

Inclusão. Desde o ano passado, a praia de Porto de Galinhas faz parte do projeto Praia Sem Barreiras. Sobre a areia, duas esteiras 

servem de caminho para quatro cadeiras anfíbias levarem à água pessoas com mobilidade reduzida ou alguma deficiência.

2. OUTRAS PRAIAS

Os 18 quilômetros de faixa litorânea que contornam a cidade de Ipojuca se dividem em sete praias além da Praia da Vila, cada uma com sua particularidade. 

Porto de Galinhas, por exemplo, é para quem quer badalar e ficar pertinho do centro comercial da cidade. Mas a grande diferença entre elas está mesmo na presença ou ausência de arrecifes de corais. 

Nas praias do Borete e de Maracaípe, a falta deles garante muita diversão aos surfistas, principalmente nesta última, que conta com ondas gigantes e leva campeonatos de surfe à região. Já as praias com arrecifes, como Cacimbas e a própria Porto de Galinhas, garantem a diversão das piscinas naturais.

Para quem quer um pouco de cada, vá à Praia do Cupe: lá há ondas para surfistas e outra área com piscinas. É nela também que se concentra a maior parte das casas e apartamentos de veraneio e boa parte dos ninhos de tartarugas. Se sua escolha for se hospedar em um dos resorts da cidade, seu lugar é a Praia de Muro Alto, com a melhor infraestrutura hoteleira e clima bem familiar. Para praticar esportes, como kitesurfe, por exemplo, as praias de Camboa e do Pontal de Maracaípe são as ideais.

3. ATELIÊ DO CARCARÁ

facebook.com/carcarapgalinhas

Uma galinha (ou seria um galo?) vestida à la Michael Jackson divide a calçada quase da fama com outra parecida com Amy Winehouse. Confeccionadas com tronco de coqueiro, as duas compõem um verdadeiro time de esculturas galinhescas cujo mentor é o artesão Gilberto Carcará.

Nascido no Delta do Parnaíba, Gilberto morou em São Paulo e Olinda antes de fincar residência em Ipojuca. Ali, criou um ateliê relaxante e charmoso, onde produz não só as curiosas galinhas, mas quadros, enfeites e esculturas de madeira e material de demolição. Apesar de trabalhar sob encomenda, há bastante arte interessante à venda no estúdio, seja para levar como lembrancinha, seja como investimento cultural – os preços vão de R$ 15 a R$ 25 mil. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h.

 

4. BUGUE

Percorrer caminhos de areia fofa, onde carros normais não se atrevem a ir e, de quebra, encontrar paisagens mais inacessíveis, percebendo o vento contra o rosto, dá sempre aquela sensação de energias renovadas. Em Ipojuca, o trajeto dos aproximadamente 350 bugueiros associados costuma ir de ponta a ponta, como eles dizem, parando em quatro das nove praias da cidade: Cupe, Muro Alto, Maracaípe e Pontal de Maracaípe.  Paradas para fotografar e mergulhar nas águas mornas da faixa litorânea estão no roteiro clássico, que dura em média 3 horas e custa R$ 250 o casal. Se quiser passar o dia, negocie. Os contatos para contratar o passeio são (81) 98333-4715 ou (81) 99910-7376, mas os hotéis costumam oferecer o serviço aos hóspedes.

5. JANGADA NO MANGUEZAL

(81) 98320-5896​

O único som que acompanha a passagem da nossa jangada pelo Pontal de Maracaípe, onde o Rio Maracaípe encontra o mar em Ipojuca, é o de uma música saída de um rádio impossível de se identificar a procedência.

Em menor número do que os jangadeiros da praia, cerca de 40 homens levam turistas para observar cavalos-marinhos no meio do mangue. O barulho só cresce dentro do próprio barquinho, no momento em que o jangadeiro retira e devolve à água um e outro cavalo-marinho, a estrela do tour.

Com a maré baixa, pela manhã, o que se vê embaixo d’água é quase tudo, sobretudo no verão, quando a água fica menos turva. Mas, se quiser um cenário mais romântico, brindado pelo pôr do sol, vá à tarde – o passeio ocorre das 8h às 16h diariamente, e dura de 45 minutos a 1 hora. Cada jangada leva até dez pessoas; ingresso R$ 25 (compra-se na cabine em frente ao rio).

É novidade. A Associação de Jangadeiros de Maracaípe acaba de lançar um novo passeio, digamos mais romântico, apesar de aceitar grupos. Uma vez por dia, às 16h30, uma jangada decorada e abastecida de champanhe faz o passeio especialmente para o brinde diante do pôr do sol.  Custa R$ 200 o casal.

6. PARA VER TARTARUGAS - ECOASSOCIADOS

ongecoassociados.weebly.com

A ONG Ecoassociados surgiu em 1998 para tentar salvar da extinção a tartaruga-de-pente, sacrificada por causa de seu casco, usado na fabricação de pentes, joias e armação de óculos. Hoje, a sede mantém um pequeno museu cuja proposta é explicar a trajetória das tartarugas, a luta natural que elas travam pela sobrevivência e alertar para os riscos de extinção. Seus biólogos e estudantes também cuidam de quatro tartarugas machucadas no quintal da sede. É possível visitar os ambientes de terça a domingo, entre 9h e 12h e 14h e 18h; ingresso a R$ 5. Entre setembro e julho, ainda é possível assistir à desova das fêmeas – fique atento à página do Facebook da ONG, onde são avisadas datas e horários. 

7. PARA VER CAVALOS-MARINHOS - ESPAÇO HIPPOCAMPUS

projetohippocampus.org​

Um grupo de estudantes do ensino fundamental ouvia às perguntas da guia sobre as características dos cavalos-marinhos. Estavam, como nós, em uma excursão aos aquários do Espaço Hippocampus, sede do projeto que estuda e atua na conservação de cavalos-marinhos em Porto Alegre e em Ipojuca. O aquário tem 600 metros quadrados e diversas espécies de cavalos-marinhos, peixe do gênero Hippocampus, e outros habitantes do mar, como siris e lagostas. Ali também são realizadas palestras à comunidade local, sempre com o intuito de evitar a pesca predatória e o comércio ilegal de cavalos-marinhos. Abre diariamente, entre 9h e 12h50 e das 14h30 às 16h50; entrada R$ 12 e visita guiada.

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