Kiko e Fran Camargo/Prefeitura de São Peddro
Nos ares. Voo de balão sobrevoa a cidade de São Pedro Kiko e Fran Camargo/Prefeitura de São Peddro

Nos ares. Voo de balão sobrevoa a cidade de São Pedro

Kiko e Fran Camargo/Prefeitura de São Peddro

O que fazer em São Pedro em um fim de semana

Cidade a 3 horas de carro da capital combina aventura, cultura e diversão e é ideal para famílias com crianças e casais que querem relaxar

Bruna Toni , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Nos ares. Voo de balão sobrevoa a cidade de São Pedro

Kiko e Fran Camargo/Prefeitura de São Peddro

Depois de duas horas na estrada, uma placa indicava que o Rio Piracicaba iria cruzar nosso caminho. Informação de extrema importância, pois há séculos é ele quem vem avisando aos viajantes que se dispõem a desbravar o interior paulista que há um lugarzinho acolhedor logo à frente, mais precisamente 34 km e 33 minutos de carro distante de seu curso. Um lugarzinho que cresceu e virou uma cidade de 35 mil habitantes: São Pedro.

Hoje, os viajantes desbravadores de que falo são pessoas como eu: paulistanos interessados em escapar da capital por um fim de semana ou folga prolongada – como o carnaval, por exemplo. Segundo a prefeitura, esse é justamente o período em que São Pedro recebe mais turistas: são cerca de 12 mil pessoas por dia, entre os que se hospedam por todo o período e aqueles que fazem bate-volta. A maioria chega do ABC Paulista, de Campinas e de municípios do entorno, como Brotas e Águas de São Pedro – esta última onde ficam as fontes de água termal; em São Pedro, há água mineral. 

Mas, no século 18 e início do 19, esse caminho era feito principalmente por viajantes saídos de Itu e interessados na exploração das minas de ouro de Cuiabá. Viajantes conhecidos como tropeiros, que aos poucos foram se fixando na encosta da Serra do Itaqueri, um dos principais atrativos de São Pedro – considerada Estância Turística desde 1979.

De lá para cá, o turismo se diversificou. Hoje, a cidade segue chamando atenção pelo turismo rural, com cachoeiras, parques e pousadas para relaxar. Mas cresceu o turismo de aventura, com opções como voos de parapente, asa-delta e balão – que nós só não fizemos pelo azar do mau tempo – e toboáguas em parque aquático. E há preocupação com o lado cultural, que inclui o museu regional, confecção de produtos de jaracatiá, a fruta da região, e resgate da tradição do ponto cruz, em alta na década de 1970. 

Por isso, o roteiro a seguir, pensado para um fim de semana, saindo na sexta-feira de São Paulo e retornando no domingo, carrega um tanto de cada uma dessas facetas de São Pedro. Facetas que recebem bem famílias e casais interessados em seguir o curso do velho Rio Paranapiacaba de novos jeitos.

Saiba mais

Como ir: São Pedro está a 180 km de São Paulo, pela Rodovia dos Bandeirantes. De carro, leva 3 horas; de ônibus, de 3h a 4h. Ida e volta custa a partir de R$ 130 na Viação Piracicabana

Como se deslocar: há táxis e Uber caso você não esteja de carro. 

Site: saopedro.sp.gov.br

 

*A repórter viajou a convite da Secretaria de Turismo de São Pedro.

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Sexta-feira: chegar e relaxar

Nossa experiência foi na Cachoeiras da Furna, pousada e restaurante a 20 minutos do centro da cidade e ideal para quem quer desconectar; confira o que ela oferece e outras opções

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 04h50

A primeira impressão não é sempre a que fica. Depois de quase 3 horas de estrada, tudo o que se quer é chegar logo na hospedagem. O lugar onde ficamos, porém, não está no centro de São Pedro, mas a 20 minutos dele, num trajeto que inclui trechos de terra batida e pedra que deve ser feito com cautela. Assim, nossa chegada demorou um pouco mais que a dos colegas. Mas a segunda impressão logo se sobrepôs à primeira, assim que descobri que dormiria cercada por natureza, ouvindo apenas o barulho da chuva e sentindo o cheiro da comidinha do jantar servida no salão.

Bem na encosta da Serra do Itaqueri, a Cachoeiras da Furna é uma pousada e restaurante voltada a quem quer desconectar. E exatamente por isso está mais distante do centro, o que aparentemente atrai muitos turistas: em novembro, quando estive por lá, já não havia vagas para o fim do ano e janeiro. São 24 apartamentos básicos (quarto e banheiro), com capacidade para até 5 pessoas e uma varandinha com rede. Há também duas casas, mais isoladas, que podem ser alugadas para grupos entre 6 e 11 pessoas - custam R$ 376 por pessoa (entrada na sexta às 16h e saída no domingo até 16h), com pensão completa.

Na parte externa da pousada, há duas piscinas de água quente (o que pode não ser tão bom no verão), uma área de redes na beira de um lago e os restaurantes, um para os hóspedes e outro aberto ao público geral - o cardápio do almoço é bem interiorano e vale muito a ida até lá mesmo que seja só para almoçar - o buffet sem bebida sai R$ 52 por pessoa no sábado e, no domingo, quando tem costela de chão e pururuca, R$ 55 por pessoa. Também é possível comprar um dos dois pacotes de day use do local: das 8h às 17h, com quatro refeições e uso da piscina incluídos, custa R$ 130 (R$ 50 para crianças até 5 anos; R$ 95, de 6 a 12 anos); das 10h às 17h, sem o café da manhã, sai R$ 100 (R$ 50 para crianças de até 5 anos; R$ 85, de 6 a 12 anos).  

Além disso, o espaço preserva uma trilha de nível mediano de dificuldade (por ser íngreme) que leva à cachoeira que se vê ao fundo na Serra, quando se está estirado rede do quarto. Outro atrativo, pago à parte, é a cavalgada, que pode ser feita por qualquer pessoa, inclusive crianças - têm duração de meia hora a 1h30 e custam desde R$ 30 por pessoa. 

O pacote para o fim de semana, entrando na sexta a partir das 16h e saindo no domingo até 16h, custa desde R$ 449 por pessoa, com pensão completa - crianças até 5 anos não pagam e até 12 anos pagam R$ 224.  Há a opção de meia pensão apenas durante os dias de semana e animais são bem-vindos.

Outras opções de hospedagem

Pousada da Lua

Opção charmosa e ótima para casais, está a 6 km do centro. Tem piscina, hidro, trilha e salão de jogos. Prepara uma noite à luz de velas para os românticos (paga à parte). Diária desde R$ 340 o casal com café; (19) 3481-3221. 

Fonte Colina Verde 

Com 153 apartamentos, é ideal para quem quer movimento e está com crianças: tem 9 piscinas, com toboáguas e cascatas; lago de pesca e quadras poliesportivas. Diária desde R$ 694 o casal, com pensão completa; bit.ly/colinasp.

SPA Jardim da Serra

Localizada no alto da Serra, foca no bem-estar e na saúde: seus pacotes incluem atividades físicas programadas, reeducação alimentar e serviços de estética. Diárias a partir de R$ 290 por pessoa em quarto triplo e pensão completa; bit.ly/serraspa.

Chalés do Thermas 

Tem chalés que recebem de 2 a 6 pessoas e faz parte do grupo Thermas Water Park. Por isso, apesar de ter suas próprias piscinas e outras atrações, suas diárias incluem ingressos para o parque aquático: desde R$ 590 o casal, com café e jantar; bit.ly/chalether

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Sábado: parque aquático, museu e cervejaria

Thermas Water Park, em São Pedro, no interior do Estado, tem 4 milhões de metros quadrados e conta com piscina de ondas de 1,3 mil metros quadrados. Confira este e outros passeios na cidade

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 05h50

O roteiro de um dia em São Pedro começa num parque aquático e termina na cervejaria.

Thermas Water Park 

No sábado de manhã, seguimos ao Thermas Water Park (R$ 79 nos fins de semana), a 40 minutos da nossa hospedagem. Ocupando 4 milhões de m², o complexo diverte famílias inteiras com suas águas frias e quentes. Sua boa estrutura é um ponto positivo, mas senti falta de lixeiras para reciclagem – de acordo com o parque, foi lançado recentemente um programa de coleta seletiva.

A Piscina de Ondas, a maior do Estado de São Paulo, com 1,3 mil m² de área, está sempre cheia. No Parque da Baleia fica um palco para shows e o restaurante – além dele, há quiosques espalhados pelo parque, onde são usados cartões pré-pagos de consumo.  

O Parque Infantil tem atrações por faixa etária, até 6 anos ou entre 7 e 12 anos (e nele está o clássico Rio Lento, que adultos também adoram). E, na área do Disco Voador, o que mais chama a atenção é a gruta em formato de vulcão (até sai fumaça do topo) que faz as vezes de ofurô. Há ainda um complexo de toboáguas com diversos formatos e as exposições do Mundo Pré-Histórico, com 30 réplicas de dinossauros, e dos Insetos Gigantes e Fundo do Mar e os animais (esses de verdade) da Fazendinha do Vô Bráulio.

O que não está incluído no valor do ingresso, para além da alimentação, é a locação de armários para guardar seus pertences e de bóias. Para ficar nos bangalôs, espaços com espreguiçadeiras e serviços exclusivos para até 6 pessoas, paga-se R$ 200 durante a semana e R$ 250 aos fins de semana - inclui 2 águas sem gás; 2 refrigerante lata; 2 cervejas latas e 1 suco lata.

Ao ritmo do sertanejo. No dia 14 de março deste ano, o cantor Luan Santana fará um grande show no Thermas em comemoração ao aniversário dele e do parque. A apresentação fará parte da turnê Viva e ganhará um palco especial, construído especialmente para isso. Os ingressos custam desde R$ 140 à venda no site thermas.com.br/ingresso/viva.

Museu Gustavo Teixeira  

Se tem um nome que você vai ouvir e ver batizando muitos lugares de São Pedro é Gustavo Teixeira, poeta parnasiano são-pedrense (claro) que viveu entre os séculos 19 e 20 e só não ocupou uma cadeira na Academia Paulista de Letras porque morreu pouco tempo antes.

Parte de sua história é contada no museu que leva seu nome, localizado num prédio centenário e tombado no centro da cidade, bastante charmoso, mas que exige restauro na estrutura. Suas salas reconstroem um pouco do passado de São Pedro, desde a chegada dos tropeiros à cidade, e também passa pela do próprio Estado - em um dos espaços há uma homenagem à Revolução Constitucionalista. O que mais me chamou a atenção foram os objetos expostos do cotidiano nas fazendas e na área urbana tempos atrás, como um boletim escolar feito à mão.  A entrada é gratuita.

Cervejaria HZB

Para fechar o dia antes do retorno à pousada, paramos na cervejaria HZB, também no centro. Nela são produzidos 90 mil litros por ano de cerveja, entre cinco rótulos permanentes, como as clássicas Pilsen e IPA, e dois sazonais. Nós experimentamos a preparada com o jaracatiá, o fruto típico da região. Você pode visitar o pequeno espaço para entender melhor sobre a produção e aproveitar o serviço de bar de sexta-feira (quando rola música) e de sábado. 

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Domingo: café colonial, parques e tirolesa

Na mesma estrada onde um café colonial é servido chega-se a dois parques com vistas privilegiadas da região; passeio termina com mais aventura e comida no Rancho da Tirolesa

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 05h50

Roteiro de domingo em São Pedro começa com comilança pertinho da Serra e segue para parques e paradas de aventura.

Quintal da Serra Café Colonial

Pense numa ampla casa térrea com jardim, onde mesas rústicas são preenchidas com todo tipo de delícia: pão de queijo quentinho, bolos, ovos mexidos, geleias, pudim. Tudo entre louças delicadas, que provocam ainda mais nossa vontade de passar longas horas ali.

Assim é o café da manhã de estilo colonial do Quintal da Serra idealizado por Rosemeire Viana de Brito, que no ano passado transformou parte de sua casa em local para comilança e eventos. Em dias de sol, dá para aproveitar as mesas do jardim. Nos de chuva, como o domingo em que fomos, também é bom: ficar dentro da casa, vendo a água cair enquanto comemos quitutes deliciosos é reconfortante. Abre para café aos domingos, entre 8h e 12h.

Parques do Cristo e Marcelo Golinelli

Depois de tomar o café, siga pela mesma estrada por 3 km para chegar a dois parques, o Marcelo Golinelli e o do Cristo Aureliano Esteves, um na frente do outro – ambos gratuitos e abertos diariamente, das 8h às 21h.

No primeiro, o atrativo é a vista da região, com seus longos campos e casas espaçadas, e a possibilidade de praticar voo livre. Quando fomos estava ocorrendo também o 1º Sunset das Artes, promovido pelo hotel-escola do Senac em Águas de São Pedro em parceria com a prefeitura de São Pedro. Drinques e comidas elaborados pelos alunos estavam à venda e o visitante podia curtir os shows no palco a céu aberto deitado no gramado.

Já o segundo parque, do Cristo, é cartão-postal. No ponto mais alto da cidade, a 900 metros de altitude, está a versão são-pedrense do Cristo Redentor, com 15 metros de altura (o do Rio de Janeiro tem 38 metros). Para chegar a ele, é necessário subir 124 degraus, seguir por uma trilha ou ir de carro. Há ainda capela, lanchonete, parque infantil e loja de artesanato. 

Rancho da Tirolesa

O tempo nublado não permitiu que “abraçássemos” São Pedro a bordo da tirolesa do Rancho (R$ 45) ou que andássemos a cavalo (R$ 30). Mas almoçamos no seu restaurante, com culinária rural de fogão a lenha (tem café da manhã, almoço e petiscos).

O serviço é à la carte e gasta-se em média R$ 35 por pessoa. Bom preço e com vista privilegiada, mas serviço mediano. Em tempo chuvoso, pode ser menos confortável, já que é aberto. Também dá para ir só para contemplar o visual (sem pagar por isso), tomar um cafezinho e se despedir de São Pedro antes de pegar a estrada de volta à capital do Planalto.

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