Nathalia Molina/ComoViaja
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O que fazer em Vancouver no inverno: conheça a queridinha dos brasileiros no Canadá

O clima ameno de Vancouver (para os padrões canadenses) estimula as atividades ao ar livre, mesmo no frio. Mas há mais formas de curtir a cidade

Nathalia Molina, Especial para o Estado

05 de janeiro de 2020 | 06h50

Vancouver é uma cidade vibrante, em que as atrações ao ar livre se destacam o ano inteiro - mesmo no inverno. Afinal, para os padrões canadenses, a cidade apresenta clima ameno: raramente neva e as temperaturas ficam entre 0°C e 5°C na estação mais fria do ano. Na beira do Pacífico, Vancouver também recebe diversos navios de cruzeiros que seguem para o Alasca. Veja as principais atrações da cidade.

Stanley Park

O movimento hipnótico das águas-vivas no Vancouver Aquarium, com sua vibrante sucessão de tons laranjas, reflete a imagem da maior cidade de British Columbia: bela e zen. Sustentabilidade, ioga, alimentação orgânica, bicicleta, bebida regional e spa são expressões comuns na rotina em Vancouver.

Atividade frequente é caminhar ou andar de bicicleta no Stanley Park, maior parque da América do Norte, de aproximadamente 4 quilômetros quadrados de área. O aquário, com 30 exibições e 50 mil animais marinhos, é um dos principais atrativos do Stanley Park. Há contemplação e também interatividade guiada pelos profissionais do Vancouver Aquarium, com toque em pepinos-do-mar, estrelas, ouriços e arraias (alguns ocorrem apenas nos fins de semana).

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Um dos melhores programas ao ar livre no Stanley Park é apenas apreciar o skyline de Vancouver naquela quietude. O desenho da silhueta adiante risca no ar os prédios de Downtown, o teto pontudo do Canada Place e a forma de disco voador da Lookout, torre de Vancouver que apresenta a cidade em 360 graus e possui um restaurante giratório.

Alugar uma bicicleta é uma deliciosa maneira de passear pela área verde; existem lojas e estações de aluguel de bike ali perto. Vancouver também conta com um sistema de compartilhamento de bicicletas, o Mobi, com estações espalhadas por toda cidade.

No paredão de 10 quilômetros de extensão que envolve o parque, pessoas caminham, patinam e pedalam. Ao longo do trajeto circular, mirantes mostram as montanhas nevadas do entorno.

Mesmo com tempo ruim, as pessoas seguem no pedal. Chove em Vancouver, um pouco mais no inverno. Os moradores saem de casa de qualquer jeito, numa manifestação prática do dito popular brasileiro: chova ou faça sol. Pode até nevar em Vancouver. Embora seja raro, com as mudanças climáticas, o desequilíbrio pode contrariar a normalidade. Esperado é que chova e a temperatura se mantenha entre 0 e 5 graus positivos no inverno.

Os conhecidos totens do Stanley Park ficam logo na entrada do parque, na direção oposta à água. Muita gente vai até lá para tirar fotos por ser um dos pontos turísticos de Vancouver. Para você entender o que está registrando, o parque permanece como um lugar importante para os descendentes dos três povos nativos predominantes no território ocupado atualmente pela maior cidade de British Columbia: musqueam, squamish e tsleil-waututh.

Ponte pênsil

Totens de outros povos são vistos também no parque em volta da Capilano Suspension Bridge. Com 137 metros de extensão e suspensa sobre o penhasco a uma altura de 70 metros, a ponte, na verdade, fica na vizinha cidade de North Vancouver.

No Capilano Suspension Bridge Park, há ainda o Cliffwalk (plataforma de vidro sobre o rio) e um posto dos correios do início do século 20, atualmente uma loja de souvenir, com itens interessantes para trazer de lembrança da viagem. A ponte suspensa foi construída três anos depois da fundação de Vancouver, datada de 1886.

Chinatown

Maior Chinatown do Canadá, o bairro oriental de Vancouver foi fundado no fim do século 19. Ao lado de lojas e restaurantes como o contemporâneo Sai Woo, estão os pavilhões do Dr. Sun Yat-Sen Classical Chinese Garden. Entre as atividades, o jardim chinês oferece a cerimônia do chá, a experiência cantonesa com dim sum e o tour histórico por Chinatown.

Aproximadamente 603 mil pessoas moram em Vancouver — considerando a região metropolitana, o total de habitantes quase alcança 2,5 milhões. Quase metade da população (47%) é descendente de asiáticos, sendo 29% de chineses. Dos 196 idiomas falados, predominam, ao lado do inglês e do francês (línguas oficiais do Canadá), o mandarim e o cantonês.

Com tudo isso, natural que a província de British Columbia tenha sido apontada pelo jornal The New York Times como o melhor lugar para experimentar a cozinha asiática na América do Norte. Sobram restaurantes orientais em Vancouver. Mais do que um sushi bar, o Tojo’s é uma experiência de gastronomia oriental — o chef japonês Hidekazu Tojo, na cidade canadense desde 1971, alega ser o criador do sushi Califórnia.

O cachorro-quente original de Vancouver pode ser provado no Japadog, com combinações inspiradas em comida japonesa, temperadas com maionese de missô ou wasabi. Além das barraquinhas nas esquinas da cidade, a empresa tem uma loja desde 2010 na Robson Street. Na mesma rua, fica o Ramen Danbo, onde geralmente há fila no jantar para provar a especialidade da casa: o lámen. 

Tendência e gastronomia

A Robson Street é a rua de compras de Vancouver, com marcas internacionais e butiques. Nas proximidades, também se encontra o Pacific Centre, shopping com lojas como Nordstorm e Holt Renfrew, entre outras. Convenientemente localizada no meio da rua de compras de Vancouver, a Robson Square ganha um rinque de patinação durante o inverno; segue na praça até 29 de fevereiro de 2020. 

Uma caminhada pela Water Street mostra a charmosa arquitetura de Gastown, lugar de tendências, não só na gastronomia, mas também na moda e nas artes. Em meio à fumaça do relógio a vapor, que apita a cada 15 minutos, o olhar esfumaça as casas vitorianas e os postes de lamparina retrô ao fundo.

Em Vancouver se leva a sério a ideia de comer e beber o que é local. Uma forma de experimentar o resultado à mesa é fazer um tour gastronômico por essa vizinhança descolada. Durante três horas, o guia da Vancouver Food Tours para em quatro restaurantes de Gastown. Beliscos e bebidas estão incluídos, tudo harmonizado com drinques, vinhos e cervejas da província - custa 110 dólares canadenses (R$ 340) por pessoa. 

Outro lugar para experimentar a culinária farm-to-table é o restaurante TUC Craft Kitchen, também em Gastown. Serve brunch, assim como o delicioso L’Abbatoir, restaurante no mesmo bairro histórico.

Bebidas locais

Vancouver tem cerca de 45 microcervejarias, muitas com menos de cinco anos. Para uma boa amostragem, o lugar a ir é East Vancouver, ou Yeast Van, o bairro das cervejarias artesanais – entre elas, a Parallel 49. Em North Vancouver, cidade do outro lado da baía, a Wildeye Brewing abriu neste ano, com variações como a oatmeal chocolate chip stout, fabricada com creme de aveia e flocos de chocolate amargo. No après-ski de Whistler, dá para conhecer a produção regional no Beacon Pub and Eatery.

Para os fãs de vinhos, o Okanagan Valley é a principal região produtora de British Columbia, com cerca de 180 vinícolas. Para provar alguns dos rótulos em Vancouver, o Forage vende vinhos por taça (a partir de 7 dólares canadenses ou R$ 21). Para acompanhar, há pratos inusitados, como o carpaccio de bisão (19 dólares ou R$ 60). 

Granville Island

O mercado público de Granville Island é um bom pretexto para embarcar em um Aquabus para ir até a outra margem de False Creek. Mas, se seu estilo de viagem inclui experimentar sabores, faça o passeio gastronômico de duas horas organizado pela Vancouver Foodie Tours.

Começa na parte externa, no Edible Canada, bistrô-mercearia indicado tanto para um brunch ou almoço regional quanto para trazer temperos e ingredientes orgânicos para casa. Dentro do mercado, o tour leva a provar delícias como queijos de British Columbia e donuts feitos na hora, nos Lee’s Honey Dipped Donuts. Custa 65 dólares canadenses (R$ 200) por pessoa.

Entretanto, além de boa comida, há mais para ver na península — tem nome de ilha, mas está conectada ao continente. Saindo do mercado, caminhe pelas ruas próximas para explorar a atmosfera de Granville Island. Distrito industrial no início do século 20, atualmente reúne 240 estabelecimentos dedicados a arte, cultura, educação e comércio. Lojas descoladas se concentram em Railspur District, onde a Circle Craft vende artesanato diretamente dos artistas; a Taraxca Jewellery, bonitas joias de prata; e a The Hat Shop, irreverentes e clássicos chapéus.

Aventura

Para um voo virtual, embarque no FlyOver Canada, simulador 4D que leva os visitantes a sobrevoar regiões e pontos turísticos canadenses. Agrada especialmente famílias com crianças, e custa 28 dólares canadenses (R$ 86) por pessoa, comprando pelo site. Fica em Coal Harbour, no Canada Place, centro de convenções onde as festas do Dia do Canadá (1º de julho) e de Réveillon são realizadas na cidade. 


 

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