Marcelo Lima/Estadão
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O que fazer na cheia de classe Vale do Uco, em Mendoza, na Argentina

MENDOZA - A cerca de uma hora e meia do centro da capital, na base da cordilheira, a região do Vale do Uco oferece uma experiência única de imersão no estilo mendoncino de viver. São mais de 1.500 hectares de vinhedos, cercados por uma natureza exuberante, o que, claro, não passou despercebido para os proprietários locais.

Marcelo Lima, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 00h30

Além das bodegas, que oferecem de suas sedes generosas vistas para a eclética paisagem – picos nevados, lagos cristalinos, áridos campos –, a infraestrutura de acolhimento instalada por lá e as opções gastronômicas da cozinha regional satisfazem ao mais exigente dos turistas.

Nossa primeira parada, a vinícola Andeluna, a 1.300 metros de altitude, em Gualtallary, Tupungato, surpreende por sua privilegiada locação, fator realçado ainda mais pela arquitetura de seu edifício-sede. Antes mesmo de qualquer degustação, é impossível deixar a câmera fotográfica na bolsa. Mais ainda ao entardecer, a partir da ampla varanda que se abre para os vinhedos da propriedade, tendo a cordilheira ao fundo. Não por acaso, o local é um dos ambientes onde são organizadas as degustações da bodega, quando a temperatura permite. O outro é o subsolo da construção.

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Foi lá, em meio a barris cenograficamente iluminados, que viemos a conhecer os rótulos da casa: os vinhos da série Andeluna 1300, mais jovens e frescos. Os da Altitude, mais encorpados e, por fim, a linha premium, a Pasionado, cujo cabernet franc denso e intenso me deixou boas lembranças. 

Durante as degustações, que custam de 180 a 490 pesos por pessoa (R$ 70 a R$ 190), a depender da categoria dos vinhos incluídos e dos seus acompanhamentos, o Pasionado é presença confirmada. Mas, dada sua notoriedade, o vinho é oferecido para consumo no local, por 365 pesos (R$ 142) a garrafa. 

Coração aberto. De volta à estrada, avistamos, ao longe, um edifício de concreto, de linhas contemporâneas, mas plenamente integrado ao contexto rochoso da região. Sede da vinícola Corazon del Sol, estávamos nos domínios do indiano Madaiah Revana. Um cardiologista – daí o nome da bodega – amante de vinhos e residente nos Estados Unidos que se encantou com o terroir local e resolveu cultivar por ali, em modalidade semiartesanal, vinhos de alta distinção.

Hoje, como nossa guia nos fez saber, ele conta com mais de 17 hectares de vinhedos, cultivados nos solos compostos de rocha e areia, extremamente profundos e bem drenados. O que resulta, segundo os especialistas, em vinhos de grande complexidade.

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Fresca e aromática, a malbec é a uva que domina a produção em pequena escala da casa, que raramente ultrapassa 300 garrafas por safra. Na sequência, vinhos elaborados com cabernet franc, merlot e, para mim, as inéditas grenache e mourvèdre nos foram apresentados.

Estávamos no fim da viagem e, com meu nível de exigência sensivelmente aprimorado, o Soleado 2012, um malbec envelhecido por 24 meses em barris de carvalho, me seduziu de imediato. Na verdade, o entusiasmo foi grande. Mas acabou contido quando, na loja da casa, me deparei com a etiqueta indicando US$ 95 por garrafa. Valor sem dúvida à altura de sua classe e distinção. Mas um tanto quanto inapropriado para um enólogo amador, em sua primeira incursão a Mendoza e em fim de viagem.

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