J.F.DIORIO/AE – 11/4/2007 E BRUNA TIUSSU/AE
J.F.DIORIO/AE – 11/4/2007 E BRUNA TIUSSU/AE

O quente da capital

Curta as novidades da temporada chilena

Bruna Tiussu,

02 Fevereiro 2010 | 14h15

Santiago no sábado

 

Polêmica: A novidade mais quente do momento em Santiago nasceu sob aplausos e protestos, há três semanas. Inaugurado em 11 de janeiro pela presidente Michelle Bachelet, na reta final da campanha para escolher o novo governante do Chile, e acusado de eleitoreiro pelo partido de direita, o Museu da Memória e dos Direitos Humanos lembra as dificuldades vividas durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Em exposição, fotos de desaparecidos, cartas e depoimentos. Apesar de trazer à tona um período triste da história do país, o acervo ganhou um prédio moderníssimo, de vidro e cobre, projetado pelo escritório Estúdio América, de São Paulo. E, por enquanto, a visita é gratuita. O museu, localizado na esquina das ruas Matucana e Catedral, na região central, fica aberto das 10 às 18 horas. Pelos arredores há outras opções culturais, a pouquíssimos passos de distância umas das outras: Planetário, Museus de História Natural e de Ciência e Tecnologia, a Biblioteca de Santiago... A Estação Quinta Normal do metrô fica por ali.

 

Vizinhança sofisticada: O bairro El Golf é, hoje, o centro hoteleiro, gastronômico e financeiro mais sofisticado de Santiago. Com direito a edifícios comerciais envidraçados e ruas limpas, arborizadas e bem cuidadas. Localizado na província de Las Condes, foi assim batizado por causa do clube de golfe Los Leones, o mais antigo da cidade, aberto apenas aos sócios. Vá de táxi ou metrô (Estações El Golf e Alcántara), preparado para ficar o restante do dia e à noite. Há restaurantes charmosos nas redondezas da Avenida Apoquindo. Ou, para não perder tempo, redes de fast food – Pizza Hut, Starbucks, Friday’s. Os preciosos minutos economizados em uma refeição mais ligeira poderão ser fartamente desperdiçados na deliciosa tarefa de vasculhar as vitrines elegantes da região. El Golf é o endereço das marcas internacionais que vendem peças semelhantes no mundo todo e também das lojas que só podem ser encontradas em Santiago. Nesta categoria está a maison da estilista chilena Sarika Rodrick (www.sarikarodrik.cl), no 3.476 da Avenida Isidora Goynechea, paralela à Apoquindo. No 165 da Augusto Leguía Norte, bem perto, fica a loja-ateliê de Atílio Andreoli (www.atilioandreoli.com), outro especialista em alta costura. Ainda no quesito compras, há mais diversão e descobertas garantidas nos ateliês e nas vitrines de lojinhas descoladas, que vendem peças de decoração e itens de bom gosto para dar de presente.

 

Hora da pausa: Uma parada para descanso nos bancos lotados de mamães e carrinhos de bebê da simpática Plaza Peru pode ser necessária. Outra ideia é seguir para a Avenida Vitacura, ao norte do clube Los Leones, e descansar as pernas nas mesas da tradicional Dulcería Montolin (www.dulceriamontolin.cl), no número 3.595, que fez fama pelos seus deliciosos alfajores e tortas. A doceria, que existe desde 1952, serve também saladas e sanduíches. Algumas galerias de arte ficam na Vitacura.

 

Luxo total: Duas esquinas adiante da doceria, a chiquérrima Avenida Córdova costuma ser citada como a Quinta Avenida de Santiago. Frequentada pela elite da capital chilena e por celebridades do país, a arborizada via é o reduto das grifes Louis Vuitton, Armani, Salvatore Ferragamo, Hermès e outras igualmente exclusivas e badaladas. Por ali, mulheres entram e saem carregando sacolas estreladas, reforçando a impressão de que se está em alguma capital europeia.

 

Jantar com pompa: Depois de bater pernas o dia inteiro, você há de concordar que tem direito a um jantar caprichado, não? Comandado pelo chef Pancho Toro, o Nolita (www.nolita.cl) propõe uma mistura das culinárias americana e italiana, mas prevalece mesmo a influência do país europeu, apesar de o nome da casa unir as sílabas inicias de North Little Italy, bairro de Nova York. O serviço é impecável e o ambiente tem classe, mas é, ao mesmo tempo, descontraído. E a carta de vinhos merece uma boa olhada. A refeição completa, sem bebida, sai por cerca de 18 mil pesos chilenos (cerca de R$ 60). Só não cometa o equívoco de ir sem fazer reserva. Fica na Isidora Goynechea, 3.456. Tel.: (00--56-2) 232-6114.

 

Balada: Sobrou disposição para esticar a noite? Fica no bairro Bellavista um dos clubes mais requisitados. Com decoração jovem e público alternativo, o La Feria (www.laferia.cl) abre de quinta-feira a sábado com programação de música eletrônica. Na Rua Constituición, 275. 

 

Santiago no domingo 

 

Terracota: Se o Museu da Memória e dos Direitos Humanos é a novidade da temporada, o Centro Cultural Palacio de La Moneda (www.ccplm.cl) tem a mostra mais concorrida. Estão expostos, até abril, os famosos guerreiros de terracota encontrados em Xi’an, na China. O espaço, no subsolo do palácio do governo do Chile, abre às 9 horas e tem ingresso a 1 mil pesos chilenos (R$ 3,50).

 

Bellavista: Nas placas de cada esquina, o nome da rua vem acompanhado da frase "El barrio bohemio y cultural de Chile", para não deixar dúvida de que você chegou à Vila Madalena de Santiago. Vá de táxi – não há estação de metrô por perto – e escolha como primeira parada o Patio Bellavista, um shopping aberto. Há um hotel, restaurantes e uma infinidade de lojas de roupas e acessórios, além de muito artesanato. As peças mais bonitas são feitas de cobre, prata e lápis-lázuli, a pedra semipreciosa só encontrada no Chile e no Afeganistão. Por seus coloridos cafés e bares com mesas nas calçadas ocupadas por estudantes (há três universidades no bairro), as Ruas Constitución e Pío Nono merecem atenção.

 

Pablo Neruda: A Bellavista foi reduto de intelectuais e artistas no começo do século 20, o que ainda é motivo de orgulho. Se ainda não foi a La Chascona (www.fundacionneruda.org), a casa do poeta Pablo Neruda nos anos de 1950, aproveite que a propriedade fica no bairro. Funciona como museu, aberto de terça-feira a domingo, das 10 às 19 horas. O ingresso custa 2.500 pesos chilenos (R$ 9). Também perto está o Parque Florestal, beirando o Rio Mapuche. Moradores fazem até piqueniques nos 712 hectares de jardins.

 

Para encerrar: O Dublin Pub, no número 58 da Rua Constituición, reúne uma moçada animada para beber pisco sour e ouvir música (inclusive hits da nossa MPB). Depois da happy hour, feche o fim de semana no concorrido restaurante Como Água Para Chocolate, no 88 da mesma rua. Inspirado no romance da escritora Laura Esquivel, ganhou fama graças aos bem elaborados menus mexicanos de sua chamada "cocina magica". O delicioso medalhão com molho de três pimentas, que vem acompanhado de legumes, sai por 8.200 pesos chilenos (R$ 29,50).

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