Nathalia Garcia/Estadão
Nathalia Garcia/Estadão

O roteiro que você escolheu: São Thomé das Letras

Na Batalha de Destinos da semana, nossos seguidores no Instagram (@viagemestadao) escolheram a cidade mineira, num roteiro de fim de semana, sem crianças e com clima frio e seco

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 18h08

A batalha da semana foi entre dois destinos deliciosos de natureza, um em Minas Gerais, bem perto de São Paulo, e o outro em Goiás, mais próximo a Goiânia. E, com 58% dos votos, foi o mineiro que se deu melhor: São Thomé das Letras venceu Pirenópolis

O roteiro escolhido por essa cidade mística foi: para um fim de semana (56% dos votos), sem crianças (79% dos votos) e com clima frio e seco (51% dos votos, praticamente empatando com clima quente e chuvoso).

COMO FUNCIONA A BATALHA DE DESTINOS

Toda quarta-feira, o Viagem lança uma nova disputa de destinos nos stories do Instagram. Além do lugar, você ainda pode votar no tipo de roteiro que quer fazer. O resultado pauta a nossa reportagem da semana, publicada toda sexta-feira - confira no fim desta página outros destinos que venceram. Para participar e sugerir destinos para a batalha, siga o Viagem no @viagemestadao e participe.

A seguir, as dicas para curtir São Thomé das Letras. 

O BÁSICO DA CIDADE

Andar por São Thomé das Letras, cidadezinha mineira a 5 horas de carro de São Paulo, é encontrar chapéus de bruxa e de bruxo circulando de um lado para o outro. De bruxos ou de outros seres místicos que habitam, no mínimo, o imaginário popular da região e de muitos que a visitam. Isso sem falar dos supostos ovnis...

Mas não pense que São Thomé é só para quem tem um lado espiritual mais aflorado ou para quem acredita em extraterrestres. Sua natureza montanhosa, abrigo de trilhas, cachoeiras e mirantes, se mescla com arte e história em suas ruas de pedra, patrimônio tombado pelo Estado em 1996. Cabe num fim de semana, sobretudo se você puder sair já na sexta-feira à noite de São Paulo.

São Thomé está a 4h30 de carro de Belo Horizonte. Partindo de São Paulo, de carro ou de ônibus, segue-se pela BR-381 até a cidade de Três Corações. De lá, o caminho é pela LMG-862 por 1 hora. De ônibus, o trecho até Três Corações é feito pela viação Santa Cruz. Para São Thomé, é a viação Coutinho - há diversos horários e é possível comprar a passagem na hora no guichê da rodoviária (leve dinheiro em espécie). Para pesquisar valores: clickbus.com.br.

Há muitos grupos de amigos na cidade, sobretudo nos feriados. Mas São Thomé das Letras tem seu lado romântico também, com pousadas gostosas para uma viagem a dois - diárias a partir de R$ 100 o casal, em média, para o fim de semana (pesquisa realizada no booking.com para a segunda quinzena de abril).

Com tempo frio e seco

Localizada a 1.440 metros acima do nível do mar, sobre um depósito mineral de quartzito - a chamada “pedra de São Thomé”, que reveste suas ruas -, a cidade costuma esfriar bastante entre maio e agosto, não passando muito dos 20 graus - de dia, pode sair um solzinho gostoso, mas à noite... Ou seja, tomar banho em uma de suas cachoeiras se torna tarefa mais difícil. Por outro lado, o tempo fica mais seco, facilitando o acesso - no verão, com a chuva, alguns caminhos de terra podem ficar intransitáveis.

Outra vantagem das temperaturas baixas e da ausência de chuva é o céu mais limpo na hora de apreciar o pôr do sol de um de seus mirantes, como na Casa da Pirâmide e na Pedra da Bruxa, dois dos picos mais famosos de São Thomé. Os mais místicos dizem que são lugares de muita energia. O que posso afirmar é que são ambos perfeitos para uma vista de toda a região. Prepare-se para as palmas na despedida do sol, aliás.

Entre as cachoeiras, que valem a visita mesmo que você não ouse dar um mergulho em suas águas geladas, destaque para: Véu de Noiva, Antares, Vale das Borboletas, Cachoeira do Flávio, Eubiose, Paraíso, Lua, Garganta do Diabo, Shangri-la e Sobradinho.

Se for a primeira vez que você estiver indo, considere escolher cachoeiras mais próximas ao centro histórico para aproveitá-las melhor - será mesmo impossível conhecer tudo de São Thomé em apenas dois dias. A 10 minutos do centro de carro, por exemplo, estão a Vale das Borboletas e a Eubiose, de fácil acesso. Shangri-la e Sobradinho, por outro lado, são opções mais distantes (40 minutos).

Estando de carro, previna-se de que os caminhos estão liberados, tenha paciência e bom humor: são trajetos de terra que, muitas vezes, cruzam propriedades privadas. E sempre pode surgir um boi na sua frente, atravancando o caminho. De toda forma, um carro comum consegue acessar muitos locais sem grandes problemas. Se não estiver motorizado, peça indicações de jipeiros na sua pousada e/ou os procure na praça central da cidade para fechar passeios.

Como nosso roteiro é sem crianças, dá para combinar cachoeiras que formam piscinas tranquilas, como a Eubiose, Véu de Noiva, Paraíso e Shangri-la, com aquelas mais com feição mais aventureira, como a Garganta do Diabo, onde há prática de rapel. Muitas são gratuitas, noutras paga-se uma taxa por estarem dentro de áreas privadas.  

Passe ainda na famosa Ladeira do Amendoim. Ali, há sempre carros parados: seus motoristas querem mostrar ou ter a estranha sensação de que, mesmo em ponto morto e desligado, o veículo parece subir a ladeira sozinho. Dá para fazer a experiência andando também: desça de costas e depois suba de costas. Parece que há alguma coisa te puxando para cima. Há várias histórias místicas, claro, para explicar o fenômeno, e os guias tratam de contá-las aos turistas. Mas tudo pode ser apenas uma ilusão de ótica.

Dona de histórias curiosas é também a Gruta do Carimbado, fechada para visitação pelo Ibama, mas conhecida por ter um suposto caminho para Machu Picchu, no Peru. É possível visitar outra gruta, a de São Tomé, ao lado da barroca Igreja Matriz. Acredita-se que a cidade nasceu a partir dela, no século 18, quando um homem de nome João Antão, fugindo de um senhor de escravos chamado João Francisco Junqueira, teria refugiado-se na gruta, encontrando a imagem de São Thomé. Nela, há também inscrições rupestres, motivo do acréscimo “das Letras” ao nome da cidade.

O lado urbano 

Depois de contemplar o pôr do sol em um dos picos, vá para a praça central da cidade curtir os bares, restaurantes, lojas de roupas e artesanatos de São Thomé das Letras. É ali onde todo mundo se encontra para curtir a noite. Aos fins de semana e feriados, pode ser até difícil conseguir um lugar com rapidez nas mesinhas ao lado de fora dos pontos gastronômicos. 

Nas lojas você vai encontrar todo tipo de item místico, de pedras a roupas do estilo indiano. Chocolate e outras bebidas quentes aquecem corações, assim como as típicas pizzas na pedra da cidade. Há ainda caldos e, claro, a deliciosa comida tradicionalmente mineira, ideal para um almoço farto antes de ir embora. O restaurante O Alquimista é um dos mais famosos e citados. Já o Caverna Pub é um bar engraçadinho: sua temática é o mundo do Batman. Tem porções e drinques.

 

MAIS DICAS DA BATALHA DE DESTINOS

+ Londres, no inverno, com passeios alternativos e ao ar livre e comida de rua

+ Maragogi, sem crianças, de carro, com hospedagem em pousada e esticada até Maceió

Santiago, em casal, no inverno, lugares ao ar livre, bate-voltas e hospedagem em hotel

São Miguel dos Milagres, com carro alugado, esticada, atrações relax e com emoção

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