Ernesto Rodrigues/AE - 8/5/2009
Ernesto Rodrigues/AE - 8/5/2009

O 'velho trem' do Pantanal está de volta

Rota de Campo Grande a Miranda é reaberta a passageiros após 13 anos

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2009 | 02h26

A letra da música diz que a melhor forma de conhecer o Pantanal é de trem. E a paisagem da região precisa mesmo ser descoberta aos poucos, devagar. Há 13 anos, desde que os trilhos deixaram de levar gente, o único caminho possível era a estrada, de carro ou de ônibus. A boa notícia para os amantes de viagens contemplativas é que o velho trem que atravessa o Pantanal está de volta. Foi inaugurado há pouco mais de três meses e já está a todo vapor, levando e trazendo turistas entre Campo Grande e Miranda nos fins de semana.

Os trilhos que na última década receberam apenas vagões de carga de Campo Grande a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, foram adaptados para um trem turístico. A retomada do transporte de passageiros, além de ser uma alternativa para quem quer conhecer o Pantanal, é um sinal de tempos melhores para os moradores dos vilarejos cortados pelo trajeto.

Das janelas das casas, eles retribuem a visita, mesmo passageira, com um aceno e um sorriso. Entusiasmo perfeitamente compreensível para essas pessoas que ficaram isoladas quando a ferrovia passou a ser usada apenas para transportar mercadorias.

 

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Por enquanto, só uma parte dos trilhos foi recuperada, entre Campo Grande e Miranda, cidade conhecida como porta de entrada do Pantanal. São 220 quilômetros percorridos a uma velocidade de 30 km/h, entre cadeias de montanhas, árvores retorcidas e rios. A parada para o almoço é em Aquidauana, onde os restaurantes oferecem o cardápio típico, formado por peixes de água doce e por uma carne tão bem preparada quanto a que se encontra em terras gaúchas - uma herança positiva da Guerra do Paraguai.

EXPANSÃO

A promessa do governo federal é de que o passeio fique ainda mais atraente até 2011, com a possibilidade de o trem chegar a Corumbá, na divisa com a Bolívia. Ampliação que proporcionaria aos turistas vistas ainda mais exóticos do ecossistema pantaneiro, com trechos alagados e muitos animais no horizonte.

A extensão do passeio ainda depende de soluções para alguns entraves estruturais e outros burocráticos. A empresa América Latina Logística (ALL), que faz transportes de carga até a Bolívia e cuida da manutenção dos trilhos, precisa investir pesado na revitalização da ferrovia, principalmente nas regiões em que os alagamentos são frequentes. O que significa interromper temporariamente o transporte de mercadoria - uma dificuldade a mais, portanto.

Foram investidos R$ 2 milhões para operar o trecho até Miranda. Completar o trajeto exige quase quatro vezes mais recursos. A iniciativa foi uma parceria do governo de Mato Grosso do Sul, que reformou as estações, com a ALL e a Serra Verde, responsável pela operação turística.

BELA VIZINHANÇA

O fim da linha, em Miranda, pode ser só o começo do passeio. Dali é possível seguir de carro para Corumbá, a 230 quilômetros, na divisa com a Bolívia. Miranda também está bem perto de Bonito e de suas imbatíveis atrações naturais. Metade dos 127 quilômetros ainda é estrada de terra, mas a promessa é de que, até o fim do ano, tudo seja asfaltado para deixar a viagem bem mais rápida.

Para quem não está acostumado com essa história de ver jacarés na rodovia, revoadas de pássaros sobre a cabeça e milhares de cabeças de gado conduzidas por peões, nada melhor que ir de trem. Pelos trilhos, devagar, o turista da cidade grande se acostuma, aos poucos, com essas excentricidades. Típicas do Pantanal.

Viagem feita a convite da Pantanal Express

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