José Luis da Conceição/Estadão
José Luis da Conceição/Estadão

O viajante precavido e a febre amarela

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Ricardo Freire, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2017 | 05h00

Durante muito tempo, estar com certificado internacional de vacinação contra febre amarela em dia era uma das minhas dicas básicas para o viajante precavido – na mesma categoria de ‘renovar o passaporte antes de faltarem seis meses para expirar’ ou ‘ter visto americano válido, mesmo sem viagem em vista’. “Vacine-se e tire essa preocupação da cabeça por 10 anos”, eu escrevia.

Muitos leitores, porém – alguns deles, médicos – me alertaram que fazer essa recomendação indiscriminadamente era irresponsável, porque a vacina tem fortes efeitos colaterais e há muitas pessoas que não podem ser vacinadas. A vacina contra febre amarela deveria ser tomada apenas em caso de real necessidade.

A partir desse alerta, mudei o foco. Passei a investigar quais países, de fato, exigiam a vacina. Muitas agências de viagem, e até mesmo o site da Anvisa, listavam como obrigatória a vacinação para viajar a países que absolutamente não exigiam o certificado, como Peru, Colômbia e México. Na última vez em que fui me vacinar, havia uma família com crianças pequenas se vacinando porque iam para... Orlando, com conexão no Panamá. Não precisavam. 

O novo surto de febre amarela no Sudeste, porém, muda esse quadro. Não parece longe o momento em que as autoridades sanitárias brasileiras passem a recomendar a vacinação a todos. E muitos países já estão mudando de procedimento. No começo de fevereiro, o Panamá passou a exigir o certificado de brasileiros que desembarquem no Panamá (mas se o passageiro apenas fizer conexão, sem sair do aeroporto, não precisa da vacina). Cuba agora também exige a vacinação – e há relatos de brasileiros que chegaram ao país sem a vacina e foram obrigados a se apresentar em hospitais. No fim deste mês, será a vez da Bolívia passar a exigir a vacina.

O problema de vacinar-se contra febre amarela é que a imunização só ocorre depois de 10 dias; antes disso, o certificado não vale. Veja bem: se algum outro país resolver passar a exigir a vacina de brasileiros (como o Peru, a Colômbia ou o México), quem tiver viagem marcada pode ficar sem tempo hábil para se vacinar. 

Está na hora de reciclar, portanto, aquela minha antiga recomendação para o viajante precavido. Fica assim: consulte seu médico para saber se você pode tomar a vacina contra febre amarela. Se não puder, providencie um atestado internacional de dispensa. Mas, se puder, vacine-se o quanto antes. E tire essa preocupação da cabeça pelo resto da vida (agora a vacina não expira mais depois de 10 anos).

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