O vírus viajor

Nosso incansável viajante manda noticias, nesta semana, de São Petersburgo, para onde foi ao encontro de Yekaterina Sharapova, prima distante da famosa tenista siberiana. Yekaterina, que trabalha nos arquivos do Museu Hermitage, convidou mr. Miles para uma longa contemplação do quadro Le Dessert, Harmonia em Vermelho, pintado por Henri Matisse. O correspondente britânico conta-nos que foi um imenso prazer rever a obra, "apenas superado, of course, pelo prazer ainda maior de dividir uma vodca e um pote de caviar com a linda Sharapova, em seu pequeno apartamento". Trashie, a raposa das estepes siberianas, foi junto, em busca do frio que tanto aprecia. A seguir, a pergunta da semana:

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2014 | 02h06

Leio toda terça a sua coluna. Notável. Por oportuno, aproveito para consultá-lo. Já viajei por todos os continentes. Conheci muitas cidades, muitos povos. Vivi algum tempo na Europa. Não conheço a Austrália e o Taiti. Pretendo no próximo ano conhecer. Pode me dar alguma dica especial? Obrigado.

Oduvaldo Donnini, por e-mail

"Well, my friend: agradeço por sua fidelidade e folgo em saber que o prezado leitor já viajou por todos os continentes. As you know, meu maior prazer é compartilhar experiências e impressões com outros viajantes, inclusive aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de deixar suas fronteiras.

Já lhes disse antes que o germe que inocula o vírus viajor costuma fazer suas vítimas desde tenra idade. É, como qualquer outro, invisível a olhos nus, perigosamente contagiante e, usually, incurável. As cepas desse microrganismo escondem-se nas páginas de livros, nas cenas de filmes e, sometimes, nas histórias que escutamos quando pequenos, narradas por tios queridos ou bons amigos que já se aventuraram mundo afora. Nesses casos, I'm afraid to say, o contágio é quase certo. O vírus vem pelo ar, entra pelos ouvidos - ou pela boca, quando estamos de queixos caídos - e instala-se em algum lugar entre o lobo temporal e o sulco cingulado que temos em nossos cérebros.

A boa noticia, however, é a de que seus sintomas são extremamente agradáveis. No começo, of course, sente-se um pouco de ansiedade positiva, já que há tanto mundo a percorrer e nunca sabemos por onde começar. A propósito, my friend, perguntou-me certa vez a bela Louise - uma soropositiva para o vírus viajor - por onde devia começar suas andanças: 'Tenho vontade de ir para a Eslovênia, mas o senhor não acha que devo começar por destinos mais básicos, como Paris, Londres ou Nova York?' E eu lhe respondi que, para potencializar os sintomas do vírus - como prazer, surpresa, felicidade e espanto -, qualquer destino serviria. E, luckily, não existe qualquer ordem preestabelecida. Basta ir para onde quiser e, depois, seguir em frente ou voltar, porque o mundo inteiro está aí para saciar os atingidos pelo vírus viajor. Therefore, dear Oduvaldo, a doença não é letal e tampouco tem sintomas desagradáveis. O máximo que pode acontecer é alguém ficar desafortunadamente parecido comigo, um desvairado cidadão do mundo, sem limites que não os do bom senso.

Tudo isso para lhe dizer que não sou um expert em dicas, mas preciso adverti-lo de que a Austrália e o Taiti são viagens completamente distintas, apesar da enganosa proximidade que ambos os arquipélagos parecem ter nos Atlas e globos. Para o Taiti, só vá se for casado ou estiver conquistando seu par. É, for sure, um destino eminentemente romântico. A Austrália, on the other hand, é um país continente, que tanto poder ser rapidamente visto em uma viagem de turismo, quanto merece ser explorada profundamente pelos que lá forem - sobretudo, by the way, os portadores do vírus já mencionado. Espero ter ajudado."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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