Oito dias de Canadá no grande carro-casa

Uma família e quilômetros de diversão entre Vancouver e Calgary

Juliana Kraiser, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2008 | 02h48

Depois de uma bem-sucedida viagem a Paris, sentimos que estávamos prontos para uma grande jornada em família. E a idéia de rodar o Canadá em um motorhome, na companhia de Theo e Lara, nossos gêmeos de 4 anos, nos pareceu perfeita. Afinal, teríamos paisagens deslumbrantes pelo caminho e diversão garantida na estrada.   Foto: Divulgação Ivan e eu decidimos começar a viagem em Vancouver (Colúmbia Britânica) e terminar em Calgary (Alberta). A empresa que aluga esse tipo de veículo fez sugestões de roteiro, mas deixamos parte considerável aos cuidados do acaso. Não nos arrependemos. As boas surpresas superaram em muito os pequenos percalços. Vancouver foi uma coadjuvante de luxo nessa aventura. Embora estivesse longe de ser o foco da viagem, a cidade concentra tantas atrações (leia mais abaixo) que ficamos dois dias por lá. As crianças, no entanto, estavam cada vez mais ansiosas e não paravam de perguntar quando, afinal, poderiam ver o nosso carro-casa. E o tão esperado dia chegou. Seguimos para Langley, a uma hora de Vancouver, e tomamos posse do nosso recreational vehicle. Só diante daquele gigante - eram 10 metros de comprimento por 3,5 de largura - tivemos real noção do que nos aguardava. Parecia absurdo guiar algo semelhante a um caminhão. Lara e Theo, por sua vez, ficaram maravilhados. Queriam mexer em tudo. E esse tudo não era tão pouco. Na verdade, o interior lembrava um iate: havia um quarto de casal no fundo e uma cama dupla na parte dianteira superior. Fora uma mesa que virava cama, um sofá-cama e uma poltrona. Enfim, comportava seis pessoas com conforto. Também tinha banheiro, cozinha, televisão e DVD. Nos explicaram como funcionava a casa: a manutenção do tanque de água e de esgoto, o gerador, a eletricidade, o ar-condicionado... Bateu o desespero. O mesmo que você sentiria se tivesse de aprender física quântica em dez minutos. Depois de levar a bagagem para dentro e organizar tudo, hora de partir. Não sem antes rezar para se lembrar dos detalhes - e não puxar a válvula do esgoto em vez da de água limpa. Começamos a viagem com as crianças animadíssimas, sem se importar com as poltroninhas e os cintos de segurança, itens obrigatórios. Nossa primeira parada foi no Safeway, supermercado onde compramos comida e produtos de limpeza. Logo notamos que viajar de motorhome com crianças é excelente. Afinal, nossa "casa" ia conosco a todos os lugares. Se alguém tivesse fome, era só entrar e fazer um lanche. Dormimos em campings bem diferentes. Na primeira noite, em Princeton, ficamos em um surreal, com estilo entre o chinês e o medieval. Mas era um dos únicos com vaga - estávamos no fim de semana do dia nacional do Canadá, 1º de julho, e não tínhamos feito reserva. Os campings selvagens, dentro de parques, eram os mais bonitos. A infra-estrutura deixava a desejar, mas as vagas ficavam mais isoladas, no meio de árvores ou às margens de rios lindos. Caso do Whistler Campground, a 3 quilômetros de Jasper. O camping de Clearwater, aos pés do Wells Gray Park, também era especial. Em boa parte por causa da piscina, muito conveniente em um lugar onde a temperatura chega a 40 graus durante o dia. Concluímos que os campings públicos são mais interessantes que os particulares - além de terem um astral melhor, promovem apresentações teatrais e aulinhas sobre a flora, a fauna e o clima da região. Nossa rotina variava pouco e os dias eram longos. Clareava por volta das 5 horas e só anoitecia às 23 horas. Pulávamos da cama por volta das 7h30 (isso quando o Theo não se levantava antes e falava: "Mamãe, é hora de acordar!"). Após o café, caíamos na estrada. Nosso plano era dirigir, no máximo, três horas por dia. Afinal, o caminho incluía várias as atrações. De ursos e alces a lagos e cachoeiras. Às vezes, nossa programação falhava. Seja por não termos feito reserva em um camping ou por imprevistos, como no dia em que o motorhome atolou. Para piorar, parte do carro-casa ficou bloqueando a estrada. A sorte é que nossos cunhados estavam conosco, em um segundo motorhome, também com dois filhos. Levamos as crianças para o outro veículo (para eles, a farra foi grande) e esperamos o guincho por três horas. Acabamos tendo de dormir em um camping sem charme. Mas depois de tanta aventura, estava mais que bom. DE SALMÃO A NUGGETS Assim que chegávamos aos campings, começávamos a preparar o jantar. Enquanto isso, as crianças pulavam corda, faziam bolinha de sabão... Enfim, Theo e Lara não precisavam de muita coisa para se divertir. Às vezes, fazíamos fogueiras juntos para assar batatas, cebolas e marshmallow. Uma farra! A comida não foi o ponto alto da viagem, mas deu até para degustar um belo salmão. E também pizza, macarrão e nuggets. Por volta das 23 horas, caíamos na cama. E assim foram se passando nossos oito dias mágicos a bordo de um carro-casa. Vimos a geleira Columbia Icefields - colada na Icefields Parkway -, o Emerald Lake, no Yoho National Park, as montanhas dos parques nacionais de Jasper e Banff. Devolvemos o motorhome em Calgary, 1.600 quilômetros depois. Uma experiência com belos cenários e toques de aventura. Viajar de motorhome é preciso. Nem que seja uma vez na vida.

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