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Com 12 salas dedicadas a arquitetura, urbanismo e design, Museu Oscar Niemeyer é uma das principais atrações de Curitiba CESAR BRUSTOLIN/SMCS

Oito formas de descobrir Curitiba

A Lava Jato voltou os olhos do País para capital do Paraná, mas são os trilhos e mesmo os ônibus turísticos que mostram o que a cidade tem de melhor. Monte seu roteiro, sem esquecer dos clássicos

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h50

Já era quarta-feira quando surgiu a chance de passar um fim de semana em Curitiba, saindo de São Paulo na sexta-feira à noite e retornando no domingo. Eu mal conhecia a capital paranaense. Havia passado apenas uma tarde na cidade, a caminho de Santa Catarina, no fim da década de 1990, e o desejo de voltar com calma permaneceu.

Até porque, desde daquela época, Curitiba mudou. Para começar, desde que a Operação Lava Jato teve início, a capital paranaense não sai mais do noticiário. Surfando na onda da visibilidade, foram criados um Tour da Lava Jato (leia mais em bit.ly/tourdalavajato) e um escape room – aquelas salas temáticas onde é preciso desvendar o mistério para conseguir sair – cuja história tem elementos de corrupção envolvendo uma empresa de engenharia (soa familiar não é mesmo?). Agende em puzzleroom.com.br.

Mas nem de longe Curitiba se limita à Lava Jato, tampouco mantém um clima pesado, como se poderia imaginar, ao menos turisticamente falando. Há muitas atrações para curtir a cidade. Além disso, valeria visitá-la apenas para fazer algum de seus passeios de trem, que ganham novos roteiros e atrações a cada ano. O mais famoso deles, a litorina de luxo que leva de Curitiba à simpática Morretes, é imperdível para quem gosta dos trilhos. 

Fácil de chegar – o voo desde São Paulo leva 1 hora; de carro ou ônibus, são 6 horas –, Curitiba cabe muitíssimo bem num fim de semana. Não vai dar para ver tudo em dois dias, claro. Para isso, avalie a possibilidade de ir num feriado prolongado. Mas, fazendo escolhas, dá para combinar bons passeios sem ter de ver tudo com pressa. 

Uma dica – na qual embarcamos – é fazer o city tour da Serra Verde Express, o maior receptivo da cidade, que dá um gostinho dos principais pontos turísticos numa tarde, ao longo de 3h30. É possível comprá-lo à parte (a partir de R$ 72; bit.ly/toursserraverde) ou então fechar um pacote para o fim de semana já com hospedagem e aéreo – a operadora BWT (bwtoperadora.com.br) tem opções como o Curitiba de Luxo (R$ 1.168 por pessoa, incluindo aéreo, passeio de trem, city tour, duas diárias com café da manhã e serviço de transfer). Indo por conta, considere comprar o tíquete do Linha Turismo (bit.ly/onibuslinhatur; R$ 45), o bom ônibus hop on/hop off da cidade. 

A seguir, confira os passeios indispensáveis de Curitiba, seja para incluir no pacote ou fazer por conta própria. 

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1. Jardim Botânico

Principal cartão postal da cidade é primeiro passeio imperdível da capital paranaese

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

O sol de inverno no fim de tarde fez com que a visita ao Jardim Botânico de Curitiba fosse ainda mais prazerosa. Para que a identificação seja imediata, digo logo que se trata do principal cartão-postal da capital paranaense – nenhuma foto de Curitiba é tão simbólica quanto a da estufa de estrutura metálica e vidro, com três abóbadas transparentes e canteiros floridos em frente, cuja construção foi inspirada no Palácio de Cristal de Londres. 

Os 178 mil metros quadrados abrigam jardins feitos à moda de outro país europeu, a França, além de uma fonte. Os canteiros são geometricamente organizados e dão uma sensação curiosa de harmonia e preguiça – não à toa, casais e famílias aproveitam para estender o corpo e relaxar a alma no gramado, enquanto crianças rolam morro abaixo. Nos fins de semana, é passeio concorrido e costuma ficar bem cheio.

O Jardim Botânico abre diariamente das 6 horas às 19h30 (no horário de verão, estende-se até as 20 horas) e tem entrada gratuita. Tanto o city tour da Serra Verde Express quanto o ônibus da Linha Turística passam por ele. Mais: bit.ly/jardimbotanicocuritiba

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2 . Ópera de Arame

Além de bonito, atração tem agenda de shows variadas para quem quiser esticar o passeio

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

A lembrança que guardava da Ópera de Arame era a de um lugar bonito, mas coberto pelo nevoeiro. Vê-la fora do cenário cinzento, portanto, era minha maior expectativa. E fui atendida.

O passeio não demora muito se você quiser conhecer apenas o teatro feito de estrutura tubular e teto transparente. Há um café na parte interna e algumas exposições – na minha visita, uma pequena mostra de bicicletas antigas. Fique de olho em sua agenda de shows, que até o fim deste ano tem confirmados Jorge Vercillo, NxZero e Alceu Valença (facebook.com/operadearamepr).

Ao lado da Ópera está o Parque das Pedreiras, onde funciona o Espaço Cultural Paulo Leminski. Apesar de não ser aberto à visitação no dia a dia, recebe shows – John Mayer se apresenta por lá em outubro. 

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3. Trem na Serra do Mar

Cidade tem passeios temáticos para quem quiser curtir um passeio de trem

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

Curitiba é, cada vez mais, a capital onde o apito do trem resiste e se reinventa no turismo. Além do clássico (e imperdível) trajeto sobre trilhos até Morretes, operado pela Serra Verde Express, a cidade acaba de ganhar outros dois passeios, o Expresso Classique e o Trilhos e Estrelas, lançados este ano em comemoração aos 20 anos da operadora. 

O Expresso Classique revive o glamour da década de 1930, fazendo um roteiro noturno dentro da própria cidade. O jantar, seu ponto alto, é servido dentro do trem, que também conta com música ao vivo, dança e charutaria (R$ 279; bit.ly/expressoclassique). Já o Trilhos e Estrelas terá sua primeira edição no dia 30 de setembro e levará os turistas de Curitiba a Morretes num trem de categoria turística, sempre com a participação especial de um artista na viagem – a primeira convidada será a cantora e youtuber Sofia Oliveira.

O pacote inclui almoço e show do artista em Morretes, com retorno rodoviário à capital (desde R$ 390 a inteira; bit.ly/trilhosestrelas). 

Mata Atlântica. O clássico passeio de trem até Morretes dura um dia inteiro e pode ser feito de muitas formas. A primeira delas é a bordo de vagões simples, com passagens para qualquer dia da semana, ida e volta ou só um dos trechos – os valores por trecho começam em R$ 99 (adulto). Também nos vagões mais simples é possível comprar o combo que dá direito a serviço de bordo e city tour por Morretes (incluindo almoço) e por Antonina, outra cidadezinha charmosa na costa do Paraná. Neste caso, há as opções classe turística, classe executiva e litorinas – desde R$ 269 adultos (crianças e idosos têm desconto). 

Cometemos o pecado da luxúria e embarcamos em uma das litorinas, o que valeu muitíssimo a pena, apesar do preço salgado. São duas opções, a Litorina Luxo e a Litorina Curitiba. Ambas saem aos fins de semana e feriados, mas têm configurações diferentes dentro dos vagões, dando mais ou menos privacidade. 

A Litorina Luxo tem vagões com decoração inspiradas na Mata Atlântica (batizada de Foz) ou nas calçadas cariocas (a Copacabana), com poltronas e sofás estofados que, de tão confortáveis, fazem as três horas de viagem passarem muito rápido – se bem que a paisagem vista das janelas panorâmicas é tão bonita que isso definitivamente não é um problema. Já a Litorina Curitiba tem assentos dispostos da forma tradicional, e não em lounges, o que a torna R$ 40 mais em conta, em média, por pessoa.

O serviço de bordo das litorinas é outro destaque: o café da manhã é servido assim que o trem começa a andar, bem quentinho, e as bebidas – dá para escolher entre refrigerante, café, cerveja e espumante – são servidas durante toda viagem, sem limites. Além disso, há sempre uma guia bilíngue dando informações históricas sobre a região.

É possível comprar passagem por trecho ou o pacote que dá direito ao city tour por Morretes (incluindo almoço no restaurante da Serra Verde, que serve o tradicional barreado) e por Antonina. Também inclui transfer do hotel na ida e na volta, feito numa van pela Estrada da Graciosa no fim da tarde (R$ 399 a Litorina Curitiba e R$ 439 a Litorina Luxo, com descontos para idosos e crianças). 

Em Morretes, aproveite para visitar diversas lojas de artesanato, restaurantes, sorveterias e cafés. Entre eles, chamou a atenção um espaço verde e gracioso batizado Bistrô da Vila, que vale a parada, no mínimo, pelo cafezinho, que pinga direto do coador. Já em Antonina, passe pela Igreja Nossa Senhora do Pilar, de onde se tem uma bela vista da cidade, e preste atenção às fachadas de algumas construções, com plaquinhas com letras de música. 

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4. Parques e bosques

Cidade é famosa pela sua quantidade de espaços em meio à natureza

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

Áreas verdes não faltam em Curitiba e, assim como o Jardim Botânico, outros parques são ótimos para relaxar em meio à natureza. E o melhor: eles estão tanto na rota do ônibus Linha Turismo quanto no roteiro do city tour (se quiser aproveitá-los por mais tempo, porém, considere ir por conta própria). 

O Parque Tingui leva o nome da tribo indígena que habitava a região séculos atrás e fica no bairro São João, no norte de Curitiba. Dentro dele fica o Memorial Ucraniano, uma área construída em homenagem à presença dos imigrantes dessa nacionalidade na capital paranaense, aberta em 1995. Além da réplica da Igreja São Miguel Arcanjo – a original foi construída na cidade de Mallet, também no Paraná –, há uma típica casa ucraniana aberta à visitação e uma outra onde funciona uma loja. 

A área do Parque Tanguá, à beira do Rio Barigui, tem passado curioso: ali funcionava um complexo de pedreiras, hoje desativado. Com disposição arquitetônica e paisagística disciplinada, conta com um mirante de 65 metros de altura, cascata e um jardim também de estilo francês. Subir em seu belvedere de três andares vale a pena pela visão privilegiada da natureza curitibana. 

Enquanto isso, o Parque Barigui, o mais visitado pelos curitibanos e um dos maiores da cidade, reserva áreas para piquenique, churrasco, um lago de 230 mil metros quadrados e aparelhos de ginástica para exercícios. O parque abriga também o Museu do Automóvel, onde estão expostos mais de 150 veículos e suas histórias (museuautomovel.com.br). 

Outro lugar que mescla história e natureza é o Bosque João Paulo II ou Bosque do Papa, como é mais conhecido. Como o próprio nome diz, trata-se de uma área verde onde o homenageado é o líder da Igreja Católica, nascido na Polônia em 1920 e falecido em 2005. Visita ilustre em Curitiba em julho de 1980, o Papa esteve presente em uma das residências polonesas estabelecidas ali no passado. 

Idealizado por Rafael Greca e com jardim projetado por Roberto Burle Marx, o bosque parece uma aldeia polonesa, cujas construções reproduzem o cotidiano dos imigrantes na região, expondo seus trajes e utensílios mais usados. Já a casa que recebeu o Papa abriga hoje em dia uma capela em homenagem à Virgem Negra de Czestchowa, padroeira da Polônia. Para visitá-las, vá de terça a domingo; a entrada é gratuita. 

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5. Santa Felicidade

Colônia de imigrantes da cidade é famosa por suas vinícolas, lojas de artesanato e restaurantes

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

Ir a Curitiba e não conhecer Santa Felicidade é como não ir”, me disse uma amiga curitibana. Por isso, optamos pelo almoço de domingo em um dos restaurantes da região. 

Colônia imigrante desde o fim do século 19, o distrito de Santa Felicidade recebeu o nome em homenagem a Dona Felicidade Borges, uma senhora de origem portuguesa que doou parte de suas terras aos italianos recém-chegados. Hoje, são 16 bairros, anunciados por uma estátua do Leão de São Marcos no portal de boas-vindas e repletos de vinícolas, lojas de artesanato e restaurantes. 

Entre os estabelecimentos mais famosos de Santa Felicidade estão a Adega Durigan (vinhosdurigan.com.br), uma enorme loja com vinhos, espumantes, frios e outros produtos de dar água na boca, e o Restaurante Madalosso (madalosso.com.br), um clássico, com duas unidades na agitada Avenida Manoel Ribas. 

Com 4.645 lugares e uma área total de 7.671 metros quadrados, ele foi apontado como o maior restaurante da América Latina em 1995, entrando para o Guinness Book. Sua proposta é a de uma cozinha tipicamente italiana: rodízio de massas acompanhado de polenta e frango frito à vontade. É tão gostoso que vale o aviso: cuidado para não comer muito logo na entrada e ficar sem espaço no estômago para a massa. O valor do rodízio é de R$ 48,50 (mais 10% por pessoa, sem bebidas) na unidade maior e R$ 54 (sem bebidas) na menor e mais antiga – o valor mais alto refere-se à inclusão de carne no rodízio. 

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6. Museu Oscar Niemeyer

Acervo dedica-se às artes visuais, arquitetura, urbanismo e design

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

Na janela da van começava a surgir a construção em formato de olho. “É aqui o Museu Oscar Niemeyer”, disse a guia, explicando que, por ser uma visita demorada, não estava dentro do roteiro. Mas a curiosidade diante do prédio, inaugurado em 2002 e projetado por Niemeyer, deu mais um motivo para o retorno breve. 

O MON dedica-se às artes visuais, arquitetura, urbanismo e design. Tem 12 salas e já recebeu mais de 300 mostras. Há alguns anos, também é o destino de obras de arte apreendidas na Operação Lava Jato. Dentro fica o MON Café, com cardápio de Flavio Frenkel. Vai de cafezinho a massas e saladas. O museu é uma das paradas da Linha Turismo; abre de terça-feira a domingo, a R$ 16: museuoscarniemeyer.org.br.

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7. Microcervejarias

Curitiba tem se destacado como destino de amantes das cervejas

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 04h30

A dica do amigo Rodrigo Casarin, sommelier de cervejas e um dos apresentadores do canal do Youtube Tribunal da Cerveja, foi: “vá a uma microcervejaria curitibana”.

O motivo para a recomendação eu sabia. Desde o início dos anos 2000, Curitiba tem se destacado como destino cervejeiro. Além de bares e pubs com versões artesanais premiadas internacionalmente, em agosto a cidade recebe o Festival da Cultura Cervejeira Artesanal, no Museu Oscar Niemeyer.

Entre as opções, a cervejaria-escola Bodebrown (bodebrown.com.br) é uma das mais famosas e tem acumulado prêmios desde sua fundação, em 2009 – inclusive no Mondial de La Bière de Montreal, no Canadá.

Rodrigo Casarin também indicou outros três rótulos da cidade: Way Beer, com opções maturadas no barril e sazonais (waybeer.com.br); a Morada – Cia. Etílica, com a curiosa Hop Arabica, o “café mais lupuladamente refrescante”, segundo a própria marca (moradaciaetilica.com.br); e a Swamp Brewing, com quatro tipos de cerveja que incluem uma IPA e uma pilsen “checa” (cervejariaswamp.com).

Se você é um bom apreciador de cervejas, portanto, reserve umas horinhas para esse tour cervejeiro curitibano. No Largo da Ordem há boas opções de bares, por exemplo. E se quiser trazer alguma na mala, siga outra dica de Casarin: “Quando as cervejas são tomadas lá (em Curitiba), sempre são melhores, principalmente as da Way Beer, porque elas perdem muito frescor quando viajam”. 

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8. Largo da Ordem

Mais de 2 mil expositores ser reúnem para oferecer produtos de incrível diversidade

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2017 | 19h00

A Feira do Largo da Ordem (feiradolargo.com.br) foi um achado. Livres na manhã de domingo e hospedados no centro, fomos caminhando até lá. As primeiras barracas já animaram pela diversidade de produtos, mas o tamanho impressiona ainda mais: são 2 mil expositores. Por isso, vá com tempo (das 9 às 14 horas).

Na área do largo ocorre uma exposição de carros antigos, em frente à Mesquita de Curitiba, que também pode ser visitada. A poucos quarteirões, aliás, há duas igrejas católicas, uma delas com missas em latim. Se quiser fazer um tour por monumentos religiosos, tente combinar a viagem com uma das edições do Na Trilha do Sagrado, passeio organizado pela prefeitura (bit.ly/trilhadosagrado). 

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