Oito países em 13 dias

Depois de longa ausência, nosso obstinado viajante manda dizer que, se não houver mudanças de planos, virá ao Brasil na próxima semana para prestigiar o lançamento do livro A Noiva da Canoa, de seu velho amigo de viagens e bares, o jornalista Ronny Hein.

O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2010 | 02h57

"Ronny enviou-me alguns de seus contos", revela mr. Miles. "Falam da emoção, da surpresa e do espanto de encontros fugazes - ou nem tanto - que se realizam em metrôs, trens, aviões, navios e outros meios de transporte onde o acaso põe, lado a lado, pessoas que a vida está levando para destinos diferentes. They are delightful."

A redação deste caderno, como sempre, espera que, desta vez, o homem mais viajado do mundo cumpra sua promessa de nos visitar.

A seguir, a carta da semana:

Caro mr. Miles: eu e minha mulher queremos aproveitar o câmbio favorável para fazer nossa primeira viagem à Europa. Como não sabemos se teremos outra oportunidade de ir ao velho continente, estamos optando por uma excursão de ônibus, com a qual visitaremos 15 cidades em oito países durante 13 dias. O senhor acha que serve para termos uma visão geral?

Luis Augusto Albertini, por e-mail

"Well, my friend, Fernando Pessoa já dizia que "tudo vale a pena se a alma não é pequena". However, recorrendo a cálculos elementares de aritmética, eu diria que você e sua digníssima esposa gastarão mais tempo transportando malas para dentro e para fora dos hotéis do que apreciando qualquer atração.

Haverá, of course, algumas compensações. Numa viagem como essas, vocês terão a inenarrável oportunidade de apreciar o excelente sistema viário da Europa, o asseio dos toaletes dos postos de estrada - em alguns deles é até mesmo possível comprar cartões postais - e, conforme o trajeto, até mesmo algumas belas paisagens.

Eu recomendaria, as well, que vocês praticassem a arte de fotografar em movimento. No ritmo que prevejo, é provável que a Torre Eiffel passe rapidamente ao lado direito do ônibus e o Coliseu surja como uma miragem do lado oposto. Informem-se antes com o motorista, just in case. Quando houver alguma parada - e eu presumo que sempre haverá trinta minutos para um lugar como Florença -, resista à tentação de comprar um souvenir ou você não terá sequer um registro do Duomo. À Ponte Vecchio só será possível chegar caso sua velocidade alcance níveis olímpicos.

Quanto à gastronomia, não se preocupe: nesse tipo de excursão, todos os pratos são iguais, representando o que se poderia chamar de cozinha- mundial-para-turistas-apressados. Se houver vinho, leve um sal de frutas.

Para conseguir montar um álbum de recordações nesse ritmo alucinante, aproprie-se do que for possível: caixas de fósforo, cartões de visita, tíquetes de caixa e, of course, guardanapos personalizados. Esteja sempre atento às placas no caminho para ter certeza do país em que está. Na Europa, as you know, essas mudanças podem ser frequentes e abruptas. Um simples cochilo após o almoço e, pronto: você perdeu a Bélgica.

Anyway, my friend, ainda que as condições não sejam as ideais, você sempre trará consigo alguma sensação depois de uma viagem dessas. Nem que seja a certeza de ter de voltar, um dia, com menos afobação. Don"t you agree?"

* Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo.

Esteve em 132 países e 7 territórios ultramarinos

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