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Onde dois mundos se encontram

Na Múrcia, um convento pode esconder um palácio muçulmano, resquícios de muitas batalhas em nome da fé

Natália Zonta, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2009 | 02h17

Das entranhas do Convento de Santa Clara, na Múrcia, emergiu um belo palácio muçulmano do século 8º. Amplas salas de oração, intrincados adornos e um típico pátio mouro, com um enorme espelho d?água, haviam repousado em silêncio sob a construção católica até 1995, quando as freiras enclausuradas decidiram permitir uma escavação no local. O passar dos séculos, enfim, começava a reconciliar duas crenças que disputaram sem tréguas cada palmo daquele chão.

O Museo de Santa Clara, que hoje funciona no prédio do convento, recebeu rico acervo com os resquícios do período mouro. E agora funciona como uma boa síntese da história da Múrcia, capital da província homônima. Apesar de ter pertencido aos árabes por séculos, foi a partir de lá que os cristãos começaram a reconquistar a região, quase 200 anos antes de tomar de volta todo o sul do país. Vitória que exigiu batalhas sangrentas contra as poderosas Granada e Córdoba.

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Por ter servido de base para os católicos, a Múrcia tem traços árabes bem mais discretos que a vizinha Andaluzia. Alguns indícios da passagem moura foram totalmente apagados e outros, escondidos com imensas construções católicas, como o Convento de Santa Clara.

A visita ao prédio é essencial - e um tanto curiosa. As freiras que vivem ali fizeram votos de clausura e não podem ter o mínimo contato com os muitos turistas que procuram o museu. Mas, ao passar pelos corredores, não raro você se sente observado. E pode notar seus vultos ao longe. Quietinhas em seus quartos, elas espiam as reações dos visitantes diante do magnífico acervo.

BARROCO

O passeio pela cidade continua por amplas alamedas que, uma vez ou outra, são atravessadas por ruazinhas apinhadas de turistas em busca de cafés e restaurantes típicos. Uma vez na Múrcia, não deixe de provar pratos feitos com verduras e legumes fresquinhos, produzidos nessa região que é considerada a horta da Espanha.

Boa parte do movimento se concentra na Plaza Apóstoles, não por acaso onde fica a Catedral de Múrcia, bela obra do barroco espanhol. A imensa igreja começou a ser erguida em 1394 e tem a torre mais alta do país, com impressionantes 92 metros de altura.

Como é possível prever, toda a estrutura foi construída sobre uma antiga mesquita. O local guarda uma história curiosa: conta a lenda que, depois de concluir os adornos da fachada da catedral, o artista responsável pela obra teve seus olhos arrancados. Os espanhóis não queriam que tal beleza pudesse ser reproduzida em outro canto do mundo.

Ainda caminhando, é possível chegar à prefeitura de Múrcia, bem perto de onde estão os últimos vestígios das muralhas árabes que protegiam a cidade. Milhares de fontes espalhadas pelos jardins dessa área lembram as vistas em Alhambra, na vizinha Granada. Ali, é um orgulho mostrar a influência dos antigos governantes.

Para ver mais exemplos monumentais de como a fé católica ainda é forte na região, siga ao Santuário de la Fuensanta, no topo de um monte da cidade. A majestosa igreja é destino de peregrinos que buscam a bênção da padroeira da região, a Virgen de la Fuensanta.

Sim, são muitos os templos de igrejas espalhados por lá. Mas a Múrcia, como você vai conferir nas próximas páginas, tem mais a oferecer.

Das festas em Caravaca de la Cruz ao litoral concorrido da Costa Cálida, a província dá de bandeja aos viajantes um roteiro recheado de opções. Conheça as cidades desse recanto espanhol e monte sua rota.

Museo Santa Clara: http://www.museosdemurcia.com/. Visita somente com hora marcada

Informações sobre a região: http://www.murciaturistica.es/

Viagem feita a convite do Centro Oficial de Turismo Espanhol, da Murcia Turística e da Ibéria

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