Os 40 anos da mala de rodinhas, a amiga n.º 1

Invenção do americano Bernard Sadow foi rejeitada por várias empresas até que a Macy's decidiu assumir o risco da produção. O resultado? Basta olhar nos aeroportos

Joe Sharkey THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2010 | 01h35

Bernard D. Sadow voltava de uma viagem de férias com a família, na caribenha Aruba, quando teve a melhor ideia de sua vida. Atormentado com duas malas imensas e pesadas, olhou em volta e notou que, no terminal, uma esteira com rodinhas fazia as malas deslizarem sem esforço. "Olhei para a minha mulher e disse: Quer saber, é isso que precisamos para a nossa bagagem."

Estava começando ali uma história de sucesso. Inventada por Sadow, hoje com 87 anos, a mala com rodinhas agora completa quatro décadas. Na época em que teve o tal estalo, nos idos de 1970, ele era dono de uma fábrica de malas e casacos em Massachusetts, nos Estados Unidos. Chegando ao escritório, Sadow pegou as quatro rodinhas de um armário e instalou numa mala grande. "Completei com uma alça na frente e puxei. Funcionou", lembra Sadow.

Patenteada com o nome de rolling luggage, a invenção não decolou imediatamente. Ele gastou vários meses tentando vender sua ideia em Nova York e outras cidades. "As pessoas não aceitam bem as mudanças", disse Sadow. Por fim, a Macy"s, uma das mais tradicionais lojas de departamento dos Estados Unidos, decidiu investir no protótipo e lançou a mala com rodinhas no mercado.

As propagandas da loja anunciavam "a mala que desliza". Toque de marketing que faltava para o sucesso. Nem todos, no entanto, aceitaram o produto imediatamente. "Diziam que não eram mala para homem de verdade", explica.

A patente foi pedida por Sadow em 1970 e aceita somente em 1972. Nesse meio tempo, os viajantes já tinham se acostumado às novas malas. E abandonado os carregadores de mala e os carrinhos de mão dobráveis, até então vendidos aos montes, como a única forma de levar malas pesadas em viagens, principalmente nas internacionais.

Carrinho. A partir do modelo de Sadow, vieram outras inovações. A melhor delas feita em 1987, justamente por alguém que não saía dos ares. Piloto da Northwest Airlines, Robert Plath acrescentou uma longa alça à mala de rodas, criando a mala de carrinho, conhecida nos Estados Unidos como rollaboard. A mudança permitia que os viajantes puxassem a bagagem na vertical, de forma mais confortável e ergonômica.

Os primeiros clientes de Plath foram seus próprios companheiros de voo. Os comissários e pilotos começaram a chamar a atenção nos aeroportos por onde passavam. Afinal, os tripulantes conseguiam percorrer facilmente - e bem mais rápido - as longas distâncias nos terminais.

Depois de alguns anos, o piloto deixou de vez a aviação para fundar a Travelpro International, hoje uma das maiores fabricantes de malas do mundo.

E pensar que tudo começou quase por acaso, com o improvisado protótipo de Sadow. O modelo ridicularizado e rejeitado por várias empresas acabou entrando para a história. Confira na próxima página, na seção Embarque, quatro boas opções de malas. Com rodinhas, claro.

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