Os animais cantores e encantadores de Bremen

Debaixo do prédio histórico da prefeitura de Bremen, um restaurante vende pratos típicos no lugar que costumava ser uma adega - um hábito comum na Idade Média. O Ratskeller (ratskeller-bremen.de) exibe imensos barris, uma bela decoração e oferece tours para conhecer as caves onde estão 1.200 rótulos alemães. Incluindo uma relíquia: um vinho do século 17, ainda bom para o consumo.

Adriana Moreira/Estadão,

06 de agosto de 2013 | 12h53

Do lado de fora, turistas disputam espaço em duas estátuas que são ícones de Bremen. Desde 1404, Roland, a escultura de 10 metros de altura, jaz na praça principal. Assim como a prefeitura, em frente, trata-se de um Patrimônio da Unesco, mas seu significado vai além: é um símbolo de liberdade e independência do clero.

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Na parede lateral da prefeitura estão os animais imortalizados pelos Grimm no conto Os Músicos de Bremen. Todos querem segurar as patas do burro, que dizem dar sorte - mas é preciso colocar as duas mãos nas patas do bicho. Outra referência à história está no chão. Repare no bueiro com desenho dos animais: ali, coloca-se moedas para ouvir o som de cada um deles. O dinheiro arrecadado ajuda na manutenção do centro histórico.

Não subi na torre da Catedral de São Pedro, que naquele dia estava excepcionalmente fechada, assim como a igreja. Ali do alto, dizem, a visão é espetacular: nenhum edifício pode ser maior que a torre. Cada parte do templo foi feita em épocas distintas, mas a cripta data de 1041.

Seguimos pela Böttcherstrasse, rua que durante anos ficou abandonada e, no início do século 20, virou polo cultural. Entre as casas Carillon e a Roselius, uma torre gira e mostra aventureiros que fizeram história entre os oceanos. A exibição ocorre diariamente, do meio-dia às 18 horas, e é acompanhada pela música de 30 sinos de porcelana.

A rua termina às margens do Rio Wesser, num agradável calçadão. O sol, que andava sumido, apareceu em Bremen. Uma feirinha, realizada nos sábados de verão, reunia grupos de famílias, amigos e turistas em torno de vinho, cerveja, comidas típicas e música. Precisa mais?

Dali, caminhamos até o Schnoor, o bairro mais antigo de Bremen, onde, segundo consta, há construções dos séculos 15 e 16. Especialista em história, a guia brasileira Cenéia Alves, que me acompanhou, contesta: “Noventa por cento das construções às margens do rio foram destruídas na guerra. As casas foram remontadas”, explica. Ainda assim, o bairro é encantador, cheio de cafés elegantes e lojinhas que fazem os olhos brilharem. Os preços são salgados.

Prepare a carteira.

O espaço aqui é curto. Mas dá para ouvir as explicações detalhadas de cada ponto da cidade baixando um audioguia em MP3 no tinyurl.com/audiobremen ou alugando um no centro de informações turísticas, em frente à prefeitura, por  8. Vale a pena.

Saídos das sombras.

Um burro, um galo, um gato e um cachorro já não podiam trabalhar: o burro não tinha forças, o galo ia para a panela, o cachorro havia perdido o faro e o gato, os dentes. Assim, decidiram formar uma orquestra e seguir para Bremen. No caminho, viram uma casa com a luz acesa e foram espiar, mas a janela era muito alta. O galo subiu no gato, que subiu no cão, que subiu no burro. Lá dentro, ladrões contavam o dinheiro: tinham acabado de assaltar a cidade. Quando viram a sombra daquela criatura estranha pensaram se tratar de um monstro e fugiram. Assim, os animais viraram heróis. A fábula faz uma metáfora com os idosos, que eram abandonados à própria sorte quando não conseguiam mais trabalhar.

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