José Patrício/Estadão
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Mônica Nobrega
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Os erros de viagem que continuo cometendo

Voar de madrugada era contornável quando meu filho cabia no colo, mas se tornou inviável agora que ele tem 9 anos

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2019 | 09h15

Semana passada a gente deu um pulo em Salvador. Coisa rápida, três diazinhos para visitar os soteropolitanos da família, dar umas voltas no Pelourinho, comer acarajés (vários), pegar praia – na orla da Baía de Todos os Santos, o petróleo não chegou. Que tristeza o Rio Vermelho naquela situação. Mas esse é outro assunto. 

Esse luxo de fazer um bate-volta à capital da Bahia só foi possível porque achei passagens baratíssimas, ida e volta por 400 e pouquinhos reais por pessoa, já com taxas. Um preço desse não fica por aí dando sopa nos horários concorridos, de manhã cedinho ou no começo da noite, você sabe. Voamos de madrugada. 

E voar de madrugada, algo que faço a vida toda por economia, era um problema contornável quando meu filho era pitico e cabia no colo ou no carrinho. Mas se tornou um erro considerável agora que ele tem 9 anos. Os 50 minutos de casa ao aeroporto foram mais do que suficientes para um cochilo virar sono profundo. Daí que acordar o menino e obter dele a atenção para passar pelo bloqueio, pelo detector de metais e caminhar até o embarque foi uma batalha.

Ainda assim, voar de madrugada, inclusive com criança, é um erro que vou continuar cometendo, em nome de passagens mais baratas e, portanto, mais chances de viajar. 

Exagero na bagagem e apuros com o Uber 

Salvador também me lembrou que eu, supereconômica com a minha própria bagagem, continuo cometendo o erro de exagerar na mala do filho. 

E olha que nem era mala grande, tanto que paguei a passagem mais básica de todas, que não dá direito a despachar. A nossa bagagem de mão, uma mala pequena de rodinhas e uma mochila, somou 12 quilos, dos quais uns três seriam dispensáveis. Por que foi mesmo que eu achei que a criança precisaria de sete camisetas, cinco bermudas e duas calças em três dias de tempo quente?

Não chegou a ser um estorvo, mas que não precisava de tanta roupa, ah, não precisava mesmo. 

O erro de chegar ao aeroporto na hora justa do embarque? Fiz de novo. O meu filho – e, provavelmente, o seu também – sempre quer comer alguma besteirinha superfaturada. Estar em cima da hora para embarcar é uma justificativa que não rende nenhum entendimento, só uma boa dose de mau humor infantil. 

Um erro que consegui não cometer foi o da programação apertada. Decididamente, encher o dia de passeios e deslocamentos, tudo cronometrado, não funciona com criança e só estressa todo mundo. Consegui respeitar o ritmo do meu filho, deixei que dormisse o suficiente, que comesse com calma. 

Na volta para casa, infelizmente, descobri um erro novo: o Uber para voltar do aeroporto de Guarulhos. Sim, eu já tinha feito isso antes. Mas, desta vez, um caminhão bateu no nosso Uber em plena rodovia Ayrton Senna. Foi leve, mas estourou um pneu e, acima de tudo, acabou com a estabilidade emocional do motorista. Parados no acostamento, ele telefonou para um sem-fim de colegas, sem que ninguém soubesse orientá-lo sobre o que fazer. 

Eu tentei chamar outro Uber. Impossível descobrir no aplicativo uma indicação correta de localização – “estamos em um carro vermelho quebrado no acostamento” não era uma opção, obviamente. No congestionamento apertado da entrada de São Paulo no começo da manhã, outro carro demoraria no mínimo 35 minutos para chegar a nós, indicava o aplicativo. 

O coitado do motorista, sem saber o que fazer, trocou o pneu tremendo de nervoso, e ainda tremendo de nervoso e lamentando o prejuízo, nos levou até em casa. Chegamos mais de duas horas depois. Em segurança, sim, apesar de o filho ter perdido o horário da escola e eu estar atrasada para o trabalho. Uber num lugar isolado como uma rodovia, definitivamente, é um erro que não cometerei mais. 

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