Eqdoktor/Wikimedia Commons
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Os maiores hotéis do mundo

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Mr. Miles, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 04h31

Nosso bravo viajante britânico resolveu responder a uma leitora sem contar aonde está. Semana que vem saberemos. A seguir, a correspondência da semana.

Querido Mr. Miles, tenho uma curiosidade: onde ficam os maiores hotéis do mundo? Uma amiga me disse que fica em Las Vegas. É verdade? 

Rita Krül, por email

“Well, my dear: precisei pesquisar para poder lhe dar uma resposta. In fact, não frequento hotéis gigantescos. Já o fiz, mas há tanto tempo que pouco me lembro. O maior em que já estive foi o Hotel Rossiya, em Moscou, que, by the way, fechou há mais de vinte anos. Poucas vezes passei por experiência pior. A fila para o check-in era imensa, perdia apenas para a do mausoléu de Lenin embalsamado. 

Quase todos os hóspedes (refiro-me, acho, aos anos 70) eram provenientes das diversas províncias soviéticas, que, mais tarde, tornaram-se países independentes. Gente com todos os biótipos possíveis. Loiros caucasianos, morenos com feições árabes do Tajiquistão, orientais russos do sul da Sibéria e até negros, que suponho fossem cubanos ou angolanos.

No saguão, dezenas de agentes da KGB – my God, só faltava que usassem crachás, tão fácil era identificá-los – observando ocidentais como eu. A presença dos agentes servia para coibir o câmbio negro. Um turista com dólares ou libras esterlinas recebia muitíssimo menos pelo câmbio oficial. Recordo-me que tentei comprar o Pravda, jornal oficial do partido comunista – e, com o preço que paguei pelos rublos, o jornal custava algo como US$ 100. Vi também um chapéu de cossaco por cerca de US$ 7 mil.

Todas essas operações eram feitas no próprio hotel, onde mais tarde conheci Tatyana, que, believe me, não era agente da KGB, pagou-me cem vezes mais por meus pounds e, I’m glad to remember, ainda encontrou o meu apartamento entre os 3.182 quartos e 285 suítes do estabelecimento, provocando uma noite de muita vodca e plyaska, dança tradicional russa que Tatyana dominava.

As refeições eram feitas em um único salão, que lembrava um pavilhão de exposições de Hanover, a terra das feiras imensas. E os hóspedes que não falavam russo não conseguiam comida, porque os camaradas-garçons eram, of course, monoglotas. Tive a sorte, however, de já ter aprendido o idioma e comi, unfortunately, pepinos azedos e batata cozida – prato que se repetiu nos almoços e jantares. Depois dessa experiência, dear Rita, prometi que nunca mais me hospedaria em um trambolho daqueles, mesmo correndo risco de não conhecer Tatyana.

Hoje, however, vivemos uma era de turismo farto e mania de grandeza. Os maiores hotéis do mundo ficam, quase sempre, em destinos nos quais o hóspede está sempre pronto para perder suas próprias calças. Três deles ficam em Las Vegas: o Venetian, que, junto com o Palazzo, oferece 7.117 apartamentos; o MGM, com 6.852 na última contagem; e o City Center Las Vegas, um complexo com várias bandeiras de hotel que chega a 6.790 habitações. O Sand’s Cotai Central, de Macau (outro polo de cassinos) é mais modesto: não passa de 6 mil quartos, mas pode ser ampliado. Oficialmente, o maior hotel do mundo é o First World Hotel, da Malásia, que fica nas improváveis terras altas de Genting, a uma hora de carro de Kuala Lumpur. Quantos? 7.351 apartamentos.

Ainda este ano, porém, o First vai virar Second. Está para ser inaugurado o Abraj Kudia, um hotel sem jogo e sem álcool. Terá 10 mil apartamentos em 12 torres de 45 andares, destinados, of course, aos peregrinos de Meca, a cidade onde fica, na Arábia Saudita.

 In other words: a fé, seja em Maomé, seja na roleta, é o que move multidões. 

E uma informação final: o maior hotel da Europa continua sendo em Moscou. Agora é o Ismailovo Hotel, que tem 5 mil apartamentos – menor que o Rossiya, porque a Rússia também diminuiu. Como disse anteriormente, não me agradam esses hotéis. Não pretendo, jamais, hospedar-me no Ismailovo. Até porque, a essa altura do campeonato, minha Tatyana deve ser uma pequena babushka (avózinha) entre tantas outras que o tempo produziu. 

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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