Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Os mais belos nascentes e poentes da Terra

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Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2017 | 02h50

  Nosso bravo viajante foi novamente chamado ao Palácio de Buckingham para uma conversa com sua soberana, a rainha Elizabeth II. Antes mesmo que o chá fosse servido, Mr. Miles antecipou o tema da conversa, elogiando fartamente a sapiência da monarca ao aceitar o casamento de seu neto Harry com a católica, divorciada e norte-americana Meghan Markle. Na verdade, a jovem rainha (para os padrões de Mr. Miles, sem dúvida) gostaria de manifestar o tamanho de sua insatisfação, mas o nosso correspondente foi rápido: “Congratulations, Her Majesty: os tempos são outros e Meghan parece-me uma linda princesa.”

A rainha franziu o seu cenho real, arriscou um sorriso e passou a falar de rosas colombianas. Ao contrário do que se especula, Mr. Miles ainda não foi convidado para ser padrinho.

A seguir, um pequeno resumo da linda carta da semana, escrita por Ricardo Galvão, morador de Boituva e sensível apreciador de fenômenos naturais.

Conte-me, caro amigo, quais foram o nascente e o poente mais encantadores que o senhor teve a oportunidade de registrar em sua vida e qual a sensação do momento.  Ricardo Galvão, por e-mail 

“Well, my friend: ao mesmo tempo em que agradeço pela linda pergunta, sou obrigado a dizer que nascentes e poentes podem ser belos em todo o planeta, mas nada os faz mais inesquecíveis do que o momento pelo qual estamos passando e a companhia que temos como espectadores. 

O mais apaixonante nascer do sol de que me recordo foi o que vivi, a long time ago, na costa de Capri com a sempre querida Claudia (N. da R.: Claudia Cardinale, atriz italiana nascida na Tunísia). Foi quando compreendi que uma noite apaixonada transforma-se, quase sempre, em uma alvorada apaixonante.

O sol oblíquo das horas em que o dia começa e se acaba pode ser, on the other hand, um companheiro para momentos muitos tristes. 

Li o poema de um amigo que narrava: ‘No poente há um doente / Arde de febre / Em silêncio envolvente / Seu rosto é tão quente / que se apurpura. Mas o enfermo não murmura / Cai lentamente em insana candura.’ 

Melancólico, isn’t it?

De qualquer maneira, um dos lugares mais fascinantes que conheço para acompanhar o fenômeno é a curiosa restinga da Lagoa dos Patos, em território gaúcho. Nesse lugar outrora quase inalcançável, o sol nasce no mar e põe-se na lagoa. Andando algumas centenas de metros, você vê o sol nascer e se por na água, sendo que o mar é bravio e a lagoa é plácida – o que gera efeitos estéticos grandiosos.

Há poentes épicos na África, onde o sol vermelho emoldura baobás ou elefantes; na mesma latitude, alguns graus apenas abaixo do Trópico de Capricórnio, o sol é uma esfera repleta de reflexos – dir-se-ia um varal de sóis – quando se põe sobre as águas do Pantanal ou do Delta do Okavango.

No auge do verão europeu, é possível passar horas em Santorini, for instance, vendo um poente quase inacabável. O sol aproxima-se da linha do horizonte, mas ambos caminham juntos longamente antes de se entremergulharem.

Anyway, my friend, esteja certo de que em Boituva ou em Tallin, na Estônia, os dias sempre começam e terminam mais belos do que serão ou do que foram.

São as horas que mais me encantam. E que adoro chamar de horas de cristal. Do you know what I mean?” 

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E  16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

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