Edgar Su/ Reuters
Edgar Su/ Reuters

Os voos mais longos do mundo

Oficialmente, o voo mais longo hoje é entre Doha, no Catar, e Auckland, na Nova Zelândia; na prática, é o que você se sente mais apertado

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

10 Abril 2018 | 03h00

Em números absolutos, o voo mais longo do mundo hoje é o entre Doha, no Catar, e Auckland, na Nova Zelândia, com 16h30, operado pela Qatar Airways. Mas, na prática, o voo mais longo do mundo é aquele em que estamos com as pernas apertadas na classe econômica, dividindo o exíguo espaço com estranhos com quais, se tiver sorte, você não trocará palavra nas próximas horas. Escrevo esta coluna me preparando mentalmente para embarcar pela terceira vez para a Austrália, onde participarei de uma feira de turismo chamada ATE-18. Uma maratona aérea de 19h45 até Sydney, com conexão em Santiago, no Chile, já que não há voos diretos entre a Austrália e o Brasil.

Já encarei outros trajetos longos: direto até Dubai (14h30); até Osaka, no Japão, com conexões em Nova York e Tóquio (mais de 25 horas); ou mesmo na primeira vez que fui para a Austrália, em uma viagem infinita na qual conectei em Santiago, Auckland e Sydney, até finalmente desembarcar em Cairns quase 30 horas depois.

Se você também não tem saldo suficiente para a “ExecuRyca” e vai de “EconoPobre” (como diz Lucas Estevam, do canal no YouTube Estevam Pelo Mundo), separei aqui dicas que me ajudaram, ao longo dos anos, a sobreviver às maratonas áreas. 

Entretenimento. Não durmo em avião e me recuso a tomar remédio para estimular o sono (não julgo quem toma e invejo quem adormece como um bebê). Por isso, me refestelo com o entretenimento a bordo e aproveito para colocar o cinema em dia. Se você não é muito dos blockbusters pode levar seus filmes baixados (até a Netflix já habilitou a função) – muitas aeronaves oferecem tomadas individuais para recarregar seus gadgets. Vai ler? Não seja o chato que deixa acesa a insuportável luz do alto (que ilumina não apenas seu banco, mas toda a fileira) e leve uma minilâmpada de leitura portátil, que você prende no livro e proporciona uma experiência mais agradável tanto para você quanto para seus vizinhos.

Comidinhas. Comida de avião não é algo prazeroso e, ao longo de tantas horas, você vai se sentir impelido a um lanchinho. Algumas empresas deixam bolachas e outros petiscos disponíveis (a AirFrance costuma servir sorvete, que eu considero uma das coisas mais dignas que se pode ter na classe econômica), mas, em tempos de corte de gastos, nem sempre temos tais indulgências à disposição. Por isso, sempre levo um chocolatinho, um chiclete, uma besteirinha. 

Saúde. Passar horas a fio sentado na mesma posição não faz bem para seu corpo e a trombose é um risco real. Procure caminhar e se alongar durante o voo, movimentando pernas e braços. Eu aproveito a ida ao banheiro (sou do time que senta no corredor para levantar muitas vezes) para um alongamento cuidadoso. Considere usar meias de compressão – se for o caso, converse com seu médico antes da viagem.

Conforto. Para aguentar tantas horas dentro de um avião, só mesmo com roupas confortáveis (algumas empresas começaram a adotar um dress code nos seus lounges, mas como estamos falando de classe econômica aqui, não vou entrar no mérito). Eu tenho quase um “uniforme de viagem”, composto por calça legging ou semelhante (jeans, que prende a circulação, está vetado), uma blusinha de manga curta preta (caso derrube algo durante o voo longo, não ficará evidente), um casaquinho leve e uma jaqueta. Um look básico, que acomoda praticamente todos os climas, dentro e fora do avião – quem nunca pegou um ar condicionado glacial no voo que atire o primeiro cubo de gelo. 

Leia mais: Companhia aérea proíbe chinelo, shorts e roupas de ginástica em seu lounge

Nos pés, tênis ou sapato baixo – lembre-se, seus pés vão inchar: tenha isso em mente na hora de escolher o calçado. Agora com licença, que tenho um longo voo a encarar. 

UPDATE: Leve sempre uma muda de roupa na mochila de mão porque pode acontecer, principalmente quando há conexão de voos, de sua mala não chegar. Foi o que aconteceu no meu caso, como mostrei nos stories do nosso intagram @viagemestadao. Por sorte, eu tinha um kit de sobrevivência comigo, já que a mala extraviada só chega amanhã no meu hotel em Adelaide, como prometido pela companhia aérea, a Qantas, que também me deu um voucher de 120 dólares australianos, para as despesas necessárias durante esse período. 

Leia mais: Minha mala sumiu no aeroporto. E agora?

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