Visit Britain
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Luiz Fernando Toledo, CAERNARFON / O ESTADO DE S. PAULO

30 Maio 2017 | 04h20

Largos campos, florestas, riachos e montanhas se espalham pelo horizonte. São paisagens que estão atualmente nos cinemas como cenários do filme Rei Arthur – A Lenda da Espada, que estreou há duas semanas no Brasil. O Parque Nacional Snowdonia fica na porção noroeste do País de Gales e proporciona imersão na natureza, atividades radicais e muitas histórias.

O parque é uma das principais atrações do País de Gales. Tours organizados partem de cidades nos arredores, como Bangor e Caernarfon (leia mais nesta página). Esta não é uma área isolada: há pelos arredores fazendas, hotéis, casas e moradores. Diz a lenda que a famosa espada do Rei Arthur está em um dos lagos do parque: Llydawn, Ogwen ou Dinas.

Meu tour foi organizado pelos Celticos (bit.ly/toursnowdonia) e custou 390 libras (R$ 1.650) para até quatro pessoas, com transporte e refeições. Mas é possível ir por conta própria, de carro alugado. O site oficial de Snowdonia tem sugestões de itinerários de um dia com temáticas diversas: aventura, comida, família, econômico e mitos e lendas, que fala também sobre o Rei Arthur. Veja: bit.ly/temassnowdonia.

O passeio por Snowdonia começou na Ugly House, um casebre que não merece o nome que tem – casa feia, em português. Trata-se de um salão de chá com lindas paredes de pedra do começo do século 20. Experimente por ali todos os bolos que conseguir para juntar energias para as caminhadas pela região: theuglyhouse.co.uk.

Uma das histórias que se ouve por ali é a do cão Gelert, que tem até um túmulo de pedra em sua homenagem (beddgelerttourism.com/gelert). Gelert era o cão do príncipe Llewelyn, o Grande, no século 13. Conta-se que o príncipe saiu para caçar e percebeu que Gelert não estava com ele. Preocupado, voltou para casa e se deparou com um rastro de sangue. Desesperado, o príncipe correu ao berço do filho, um bebê de poucos meses, e encontrou o chão do quarto e as roupas de cama da criança também ensanguentados.

Certo de que o cão havia matado seu filho, o príncipe fincou a espada no animal, que grunhiu violentamente e morreu. Minutos depois, Llewelyn encontrou o filho ileso, próximo de um lobo, que havia sido morto por Gelert para salvar a criança.

O príncipe então teria carregado a culpa por toda sua vida. Uma estátua de Gelert, em tamanho “real” também pode ser visita no interior do parque.

Paradas. Não há exatamente um roteiro a ser seguido em Snowdonia. É possível dirigir e ver de perto o Monte Snowdon, cartão-postal que atrai trilheiros para a caminhada até o topo, a 1.085 metros de altitude. É a montanha mais alta do País de Gales. A selfie lá no alto, com o Lago Glaslyn e o vizinho Llydaw ao fundo, é um clássico.

Vale ainda visitar o gratuito Slate Museum, almoçar em um dos restaurantes da região e ainda visitar o Dolbadarn Castle, uma torre que pode ser vista por dentro e que já foi uma espécie de base militar estratégica nos tempos do príncipe Llywelyn, o Grande. É um dos pontos mais bonitos do parque.

Como ir: até Bangor, há trens que partem de Londres (a partir de 39 libras, R$ 165) ou de Cardiff (27 libras, R$ 115); nationalrail.co.uk. De Bangor a Caernarfon são 13 km. Vá dé táxi: a corrida vai custar cerca de 20 libras (R$ 84).

Clima: Snowdonia é ótima escapada de três dias a partir de Londres ou Cardiff, mas pesquise o clima antes da viagem. Em um dos dias da minha visita, em fevereiro, as atrações ficaram fechadas por causa da ventania.

Idioma: No dia a dia, os moradores do País de Gales falam o galês; mas o inglês é bem falado e entendido e não há dificuldades para se comunicar somente neste idioma. Aprender palavras básicas em galês, no entanto, é visto com simpatia.

Hospedagem: O hotel Black Boy Inn tem arquitetura tradicional do País de Gales. Há um pub e restaurante com vários tipos de cervejas artesanais. Os funcionários ajudam a agendar carros para passeios. Diária desde 120 libras (R$ 508), para dois, com café: black-boy-inn.com.

Comida e sobremesa: O ótimo pub e restaurante do Black Boy Inn hotel faz bons pratos típicos ingleses como torta de carne e fish and chips por 20 a 30 libras (R$ 85 a R$ 127). Na sorveteria Palas Caffi, na frente do castelo, 3 bolas de sorvete artesanal custam 4 libras (R$ 17).

Comprinhas: Há diversas lojas de souvenirs espalhadas por Caernarfon, que vendem dos famosos dragões vermelhos da bandeira do País a capacetes e escudos medievais. Mas escolha bem: a maioria dos produtos é made in China mesmo.

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O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 04h18

Acordar aquecido pela lareira de uma hospedagem que remonta ao século 16, tomar café da manhã em uma taverna, sair e dar de cara com as paredes de um castelo de verdade. E isto não no cenário de um filme medieval, mas em um pernoite convencional em Caernarfon, cidadela real no noroeste País de Gales que é uma das bases para quem quer explorar as belezas naturais do parque Snowdonia.

A natureza épica dos quarteirões de Caernarfon contrasta com suas lojas e edificações modernas. Seu tamanho é minúsculo: há ali menos de 10 mil habitantes e toda a cidade pode ser vista em apenas um dia, mesmo a pé. Mas não se engane por isso: há muito a se fazer.

Reserve ao menos duas horas para visitar o monumental castelo de Caernarfon (10 libras, R$ 42; caernarfon-castle.co.uk), fortaleza construída pelo rei Edward I no século 18. O local é Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

É importante estar bem protegido para a visita: a ventania nos pontos mais altos é extremamente forte. Alguma preparação física também é desejável, já que quase todas as áreas são acessadas por meio de (muitos) lances de escadas.

Apesar das várias intervenções, o castelo se manteve mais ou menos preservado desde a sua construção. Tanto que muitas alas seguem com baixa iluminação e há alguns trechos em que a sensação de medo pela altura se destaca, apesar dos equipamentos de segurança. As torres certamente são os melhores pontos a se visitar, dada a bela vista que garantem de toda a cidade.

Dentro dos cômodos há algumas exposições de estátuas e atrações multimídia que contam a história da realeza no local e mostram as principais figuras que ali viveram. Depois da visita, passe na loja na saída: há souvenirs diversos e criativos.

Forte. Outros destaques da cidade são o Segontium Roman Fort, que, apesar do nome, quase nada tem de uma fortaleza romana e hoje abriga apenas um traçado do que foram as muralhas desse monumento. A graça aqui é tentar reconstruir, com apoio de um guia turístico ou somente da própria imaginação, o que pode ter sido esse verdadeiro castelo erguido, provavelmente, no ano 70 a.C..

O que se vê, para além do enorme gramado, são pequenos buracos com escadas e resquícios do que poderia ter sido um banheiro, um quarto, uma sala. O governo local produziu, em 2014, um vídeo que reconstrói as paredes da fortaleza (assista: bit.ly/segontium).

A cidade tem também uma estrada de ferro ainda em funcionamento que atravessa parte do Parque Nacional de Snowdonia. Se estiver sem tempo para visitar o parque de carro, o passeio de trem, que custa 20 libras (R$ 84), pode ser uma opção rápida para conhecer, ainda que à distância, a beleza natural das montanhas e cachoeiras.

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O Estado de S.Paulo

30 Maio 2017 | 04h18

1. O Stonehenge (foto), o círculo de pedras de Amesbury, a 135 km de Londres, tem uma história de mais de 4.500 anos repleta de especulações sobre motivos e métodos de sua construção. Uma delas é de que Stonehenge teria sido feito por Merlin, mago do Rei Arthur, com a ajuda de gigantes. Ingressos a partir de 16,50 libras ou R$ 70; bit.ly/stonemerlin.

2. Fica em Winchester, 110 km ao sul de Londres, a tal mesa redonda em que o Rei Arthur teria reunido seus cavaleiros – ou ao menos uma delas. Está exposta no Grande Hall das ruínas do Castelo de Winchester (3 libras ou R$ 12; bit.ly/mesaWin) e é tudo o que resta da construção do século 13, de William, o Conquistador. Visite antigas passagens secretas.

3. Durante escavações em 1937 em Cumbria, condado no norte da Inglaterra, um achado renovou o interesse na lenda do Rei Arthur. Há quem acredite que a plataforma circular baixa encontrada ali, hoje encoberta pela grama, seria a Távola Redonda. Ali também o Rei Arthur teria organizado as justas, duelos entre cavaleiros. A entrada é gratuita. Mais em bit.ly/mesaCumbria.

4. Na costa da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, as ruínas do Castelo de Tintagel (8,40 libras ou R$ 36; bit.ly/ArthurTintagel) conectam lenda e história. Construído por Ricardo, Conde da Cornualha, um dos nobres mais ricos da história da Grã-Bretanha, Tintagel ficava onde se acredita que tenha ocorrido o nascimento do Rei Arthur; por isso, aliás, Ricardo teria escolhido o local de construção.

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