Lucní bouda/Divulgação
Lucní bouda/Divulgação

Paixão por cerveja e montanhas cria rota turística na República Checa

Marcas locais como Medved, Hendrych, Fries Andula, Parohac, Trautenberk e Snezka são cada vez mais conhecidas graças à Rota da Cerveja

Gustavo Monge, EFE

16 Junho 2018 | 06h00

PRAGA - Uma das rotas montanhosas mais visitadas na República Checa tem há anos o atrativo adicional das cervejas artesanais criadas na região da Boêmia, conhecida pela água de excelente grau de pureza.

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A cada mês de junho é inaugurada uma nova temporada da Rota da Cerveja, um percurso de 33 quilômetros pelos Montes Gigantes do norte de Boêmia, na fronteira com a Polônia, que tem como grande incentivo degustar bebidas artesanais.

Amantes da montanha e da cerveja podem iniciar seu percurso em Pec pod Snezkou, cidade localizada a 180 quilômetros da capital checa, Praga. Um dos lugares fixos desta rota é Snezka, o pico mais alto do país, com 1.603 metros de altura.

São seis as cervejarias artesanais checas que apostaram em produzir a bebida nesta região montanhosa, conhecida pela qualidade de suas águas, em um esforço coletivo que nasceu há meia década.

A cerveja faz parte da cultura de um país que conta hoje com cerca de 350 cervejarias registradas, mas o setor teve que se adaptar às tendências turísticas.

Em um turismo de montanha cada vez mais acessível, combinado além disso com uma atrativa oferta de saúde e bem-estar, a cerveja como produto "gourmet" tem grande valor agregado.

Marcas locais como Medved, Hendrych, Fries Andula, Parohac, Trautenberk e Snezka são cada vez mais conhecidas graças à Rota da Cerveja, embora seus artífices declarem que não têm ambição de sair do perímetro desta região.

"A água é daqui, de Snezka, e tem qualidade. Isso é a base. Hoje se pode processar a água, mas esta corrente natural de água branda é excelente", afirmou o mestre cervejeiro Jan Kylberger.

Formado na empresa Pilsen Urquell e com uma longa experiência na Suíça, Kylberger produz quatro cervejas tradicionais e uma especial em suas modernas instalações, com capacidade para 2 mil hectolitros por ano. "Os tchecos são tradicionais, e o tipo que mais consomem é a lager de 12%, embora também gostem de cervejas de trigo, as de fermentação alta (ale) e inclusive a 'indian pale ale", contou.

"No inverno tivemos uma 'lager' natalina, escura e muito forte tipo 'bock'. Na primavera, cerveja de trigo, e agora uma 'summer ale', de 11%, uma cerveja leve ideal para um dia de sol", acrescentou o mestre.

Radek Ort, gerente do hotel Bouda Máma, onde fica a cervejaria Pecký Pivovar, disse que "60% dos clientes voltam", em parte atraídos pelas cervejas que são feitas na região, já que é a segunda demanda mais importante do local, depois das instalações dedicadas ao bem-estar e à saúde.

No caso de consumir pelo menos duas cervejas em quatro destes seis estabelecimentos irmanados na Rota, o visitante é presenteado com um abridor, e se consumir duas cervejas em cada um dos seis locais, ganha uma cerveja.

A altitude dos lugares onde ficam estas seis cervejarias artesanais - que utilizam engarrafamento feito à mão - varia dos 865 metros da sede da Pecký Pivovar aos 1.410 metros do local da produção da Luční bouda.

Os 33 quilômetros da rota podem ser percorridos em vários dias, com pernoite em locais rústicos ou em quartos de hoteis três estrelas.

A cada temporada, 400 mil pessoas visitam a Luční bouda, segundo Stanislav Benes, proprietário do estabelecimento. A cervejaria, que na época de nazismo era um centro de capacitação de radiotelegrafistas, lembra por fora os refúgios de alta montanha e há pouco tempo foi adaptada para ter 160 quartos com banheiro.

O então presidente do país, Vaclav Klaus, inaugurou há seis anos a nova cervejaria da Luční bouda, com uma capacidade anual de 800 hectolitros, e a primeira que surgiu, há seis anos, nos Montes Gigantes, em cujas encostas nasce também o rio Elba.

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