Bruna Toni/Estadão
Vista do pátio central do Palácio Real de Madrid Bruna Toni/Estadão

Vista do pátio central do Palácio Real de Madrid

Bruna Toni/Estadão

Palácio Real de Madri: a Coleção Real de arte aberta ao público

Residência oficial dos reis da Espanha reserva obras de arte únicas, vasto acervo de armas e armaduras e muita história em cada um de seus cômodos

Bruna Toni , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Vista do pátio central do Palácio Real de Madrid

Bruna Toni/Estadão

Distância em relação ao Museu do Prado: 2 quilômetros (24 minutos de caminhada).

Data de inauguração: 1738, 81 anos antes do Museu do Prado. 

Site: bit.ly/madripalacioreal.

Serviço: Rua de Bailén, s/n. Abre todos os dias, das 10h às 18h de outubro a março e das 10h às 20h de abril a setembro. 

A VISITA

Palácios reais são sempre completos: contam a história de um lugar, são expressões da mais fina arquitetura de um período, guardam obras de arte e outras peças valiosas. Assim é o Palácio Real de Madri, museu ainda mais antigo que o do Prado

Sua história começa antes mesmo da construção suntuosa que vemos atualmente a partir da Calle de Bailén e remonta ao período de domínio árabe da Espanha (entre os anos 711 e 1492). No século 14, se transformou no Antigo Alcázar e ganhou status de palácio permanente dos monarcas nos reinados de Carlos I e Felipe II, já no século 16.  Até que, em 1734, um incêndio destruiu todo o edifício. 

Já o palácio que visitamos hoje em dia é obra do século 18, construído no mesmo lugar a mando de Felipe V a partir de 1738. Projetado por Juan Sachetti, demorou dezessete anos até que ficasse pronto. Foi decorado por grandes mestres italianos da época de Carlos III - o primeiro morador do palácio, cujo reinado durou de 1759 a 1788. É dele a enorme estátua que encontramos no início do passeio pelo palácio, antes de entrarmos em suas luxuosas salas.

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Reservamos a visita guiada (em espanhol e inglês) pelo site do Expedia.com (desde 33 euros), mas ingressos comuns (a partir de 13 euros) podem ser comprados no site do próprio palácio (dá para fechar com guia local ou audioguia pagando um pouco mais). A vantagem de ir acompanhado é descobrir detalhes do palácio e das histórias do reinado espanhol que fogem às explicações em texto disponíveis em cada sala.  

Depois do encontro com (a estátua de) Carlos III, seguimos pela escadaria principal, onde já nos deparamos com os primeiros tetos pintados. Em seguida surgem os afrescos nas paredes produzidos por artistas europeus do século 18 e as primorosas obras de arte da Coleção Real. São pinturas de Velázquez, Caravaggio, Goya, El Bosco, Morales, entre outros nomes consagrados - confira a coleção em bit.ly/colecoesreaismadri

DETALHES DA ARQUITETURA

Em relação aos cômodos, preste atenção às ricas peças de mármore e madeira e vá notando as transformações de estilo em cada ambiente, moldado de acordo com os gostos de seus moradores ao longo dos anos. Se Carlos III era afeito ao rococó, Carlos IV estava mais ligado ao movimento neoclássico, trazendo peças francesas ao palácio. 

Entre os meus espaços favoritos estão os de temática oriental e com peças chinesas e japonesas: as porcelanas e tapeçarias da sala de refeições; a sala de fumar de Alfonso XIII; o Salão de Gasparini, de estilo chinoiserie (estilo chinês na arquitetura ocidental); e o salão do trono, o último do trajeto guiado. Nele, estão, claro, os tronos dos atuais reis, postos em meio a leões dourados exuberantes, paredes aveludadas em vermelho, teto minuciosamente pintado, espelhos gigantes e tapeçaria curiosa. Pergunto ao guia se os dois globos que aparecem no tapete central dizem respeito ao “velho” e ao “novo” mundo, à chegada da coroa espanhola à América no século 15. Ele diz que sim. Eu, única americana do grupo, suspiro.

Além da Coleção Real, o palácio de Madri ainda reserva o mais importante acervo europeu de armas e armaduras, com peças da família real desde o século 13. Em 2017, a administração do palácio também abriu ao público a Cozinha Real, com espaços e utensílios seculares. Para acessá-la, contudo, é preciso consultar horários e comprar um ingresso especial, combinado com a entrada (desde 16 euros). 

TEMPORÁRIAS

Até 1º de setembro, Cartas ao rei - A mediação humanitária de Alfonso XIII na Grande Guerra traz ao visitante cartas, imagens e outros registros históricos que narram o papel humanitário que desempenhou a “neutra” Espanha, sob o comando do rei Alfonso XIII, durante a 1ª Guerra Mundial a partir dos trabalhos da Oficina da Guerra Europeia com embaixadas de diversas nacionalidades. Do local,se conservaram 2 mil documentos de gestão do conflito. 

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