Palácios, arranha-céus e um leve toque agridoce no caldeirão de Seul

Progresso econômico cercou de largas avenidas as típicas vielas, formando um destino turístico surpreendente

Filipe Serrano, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2008 | 02h42

Do alto das escadarias do Palácio Gyeongbokgung é possível ter a exata noção de como uma metrópole de 10 milhões de habitantes consegue combinar tradição e modernidade. Os telhados curvos, destruídos durante a invasão japonesa e reconstruídos com paciência e precisão coreanas, se misturam no horizonte de Seul a arranha-céus moderníssimos, símbolos da vertiginosa mudança pela qual a Coréia do Sul vem passando nas últimas décadas.   Foto: Filipe Serrano/AE   Veja também: Dias de vertigem nos shoppings Noite animada e irresistível Peça um 'bulgogi'. Os cães agradecem Beleza criada pela fúria vulcânica A aura mística de Gyeongju O avanço econômico deu à capital sul-coreana avenidas tão largas que só podem ser atravessadas usando passagens subterrâneas com metros e metros de extensão - e muitos vendedores ambulantes pelo caminho. Multiplicaram-se também lojas, restaurantes e luzes néon. Nada disso, porém, eliminou um certo aroma agridoce no ar (seria algum caldeirão fervendo molho típico?) nem as tímidas vielas que você ainda encontra, felizmente, ao virar a primeira esquina. Desde a Olimpíada de 1988, o país e sua principal cidade não medem esforços para receber o mundo de braços abertos. Mesmo com a barreira do idioma. Nos restaurantes, por exemplo, poucos são capazes de arriscar palavras em inglês. Dependendo do local, o cardápio sem tradução torna impossível saber o que pedir para o almoço. Conseguiu um menu com foto? Mostre a imagem e diga I-gô-tchu-seyo, que significa "quero isso, por favor." Só tente não apontar. O gesto com o indicador em riste é visto como uma imensa descortesia. As ruas e as estações de metrô, por sua vez, exibem placas com nomes ocidentais - além dos caracteres indecifráveis do alfabeto local. Mesmo assim, acertar o caminho pode ser algo complexo em meio ao labirinto de galerias ao ar livre e até subterrâneas. Solidários como poucos (um legado do budismo), os coreanos fazem tudo para ajudar quem tem um mapa na mão e um jeito de perdido. Aceite a gentil oferta e ensaie um kam-sá-ni-dá, ou obrigado. Se deixar para visitar a Coréia do Sul em alguns anos, porém, é provável que você tenha uma grata surpresa. As novas gerações estão estudando inglês cada vez mais cedo. Seus pais, conscientes da importância do idioma, usam economias acumuladas para pagar programas de intercâmbio. Enfim, são infinitamente mais abertos ao mundo que os norte-coreanos. Parênteses histórico: a Península da Coréia foi dividida em dois países em 1948, nos idos da Guerra Fria. Os Estados Unidos apoiaram o sul e a antiga União Soviética, o norte. Diversidade Um passeio muito bom para conhecer antigas vielas é ir da Seoul Plaza, praça com um enorme gramado diante do prédio da prefeitura, até o tradicional Insadong. Prefira o metrô ao táxi, por causa dos congestionamentos comparáveis aos de São Paulo, mas bastante superiores em desorganização. Em Insadong há mais de cem galerias ocupadas por lojas de souvenirs, casas de chá lindamente decoradas e restaurantes de culinária coreana - o cachorro foi banido e o hit local é o pé de porco. Aos domingos, às 10 horas, as vias são fechadas e a região é invadida por toda sorte de gente: vendedores de doces, cartomantes, dançarinos típicos e artistas de rua. Realeza Construído em 1393 pelo rei Taejo, fundador da dinastia Joseon, Gyeongbokgung é o mais impressionante dos cinco palácios da cidade. A bela construção era a morada principal da realeza coreana até ser destruído por um incêndio durante a ocupação japonesa (1592-1598). O palácio foi reconstruído em 1868, em uma reforma que quase levou o governo à falência - afinal, são mais de 7 mil quartos. Hoje, abriga dois museus, o National Folk e o National Palace, com peças da realeza. A troca da guarda ocorre às 11h30 e às 15h30. Outros dois palácios precisam estar em seu roteiro: o Changdeokgung, declarado pela Unesco Herança Cultural da Humanidade, e o Changgyeonggung. Ambos ficam no mesmo enorme e bem cuidado jardim com árvores centenárias e bancos à sombra (sempre cheios). A quarta residência real, o Gyeonghuigung, está no mesmo espaço do Museu de História de Seul - ótima opção de visita combinada. E a última, o Deoksugung, não exige grande esforço: fica bem na frente da Seoul Plaza. Gyeongbokgung: royalpalace.go.kr; 3 mil wons (R$ 4,81) Changdeokgung e Changgyeonggung: www.cdg.go.kr; entrada a 3 mil wons Deoksugung: deoksugung.go.kr; entrada: 1.000 wons (R$ 1,60) Museu de História de Seul: museum.seoul.kr Idas e vindas Turistas brasileiros não precisam de visto para ficar até 90 dias na Coréia do Sul. No ano passado, cerca de 7.500 brasileiros estiveram no país, segundo dados do órgão oficial do turismo coreano. A melhor época para visitar a Coréia é o outono (no Hemisfério Norte), com temperatura agradável e céu sem nuvens. Apesar de frio, o inverno no país é seco e garante boas oportunidades para quem aprecia esportes de neve. No verão, a chuva costuma atrapalhar os turistas e, na primavera, a Coréia recebe número excessivo de visitantes, que deixam lotadas as principais atrações. O metrô é a melhor forma de se locomover por Seul. São quase 300 estações que chegam aos principais pontos turísticos. O tíquete para uma viagem custa a partir de 900 wons (R$ 1,44), mas é possível adquirir o bilhete único coreano, chamado de T-Money. O cartão sai por até 2.500 wons (R$ 4,01) e deve ser recarregado nas bilheterias. Com ele, as viagens ficam mais em conta: 800 wons (R$ 1,28). Há regras de etiqueta para usar o metrô. As pessoas fazem fila para entrar no vagão (e de fato respeitam a ordem) e esperam os demais passageiros descerem. Os lugares são marcados no chão com adesivos de pegadas de sapatos. E ninguém ocupa os assentos reservados para idosos e grávidas, mesmo livres. Conversar e ouvir música alto, nem pensar.  

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