Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Para aproveitar o Rio quando a chuva cai

Um dia de férias no Rio de Janeiro começa assim: você acorda, coloca as roupas de banho, abre a cortina para admirar a vista e... chuva. E agora? Bom, não dá para negar que os maiores encantos da cidade estão mesmo em lugares a céu aberto. Mas o Rio tem mais a oferecer além de seus encantos naturais. Ou você acha que a boemia carioca se assusta com qualquer chuvinha? Um tempo fechado pode ser a melhor oportunidade de abrir os olhos a atrativos fora da rota turística tradicional.

Ana Paula Mansur, Especial para O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2014 | 02h05

Centro. História, arte e samba. Essa é uma combinação quase tão carioca quanto uma água de coco no quiosque da praia e que tempo feio nenhum impede de aproveitar. O Teatro Municipal (theatromunicipal.rj.gov.br), a Biblioteca Nacional (bn.br) e o Paço Imperial (pacoimperial.com.br) ajudam a contar um pouco do passado da primeira sede do Império brasileiro.

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) agrada a todos os públicos de arte. A instituição já exibiu do impressionismo de Renoir à obsessão por bolinhas de Yayoi Kusama e a entrada gratuita é unanimidade para qualquer perfil de visitante. Para se programar, acesse: culturabancodobrasil.com.br. Os centros culturais dos Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20) e da Justiça Federal (www10.trf2.jus.br/ccjf) completam o time bom, bonito e barato dos museus do centro do Rio.

A hora da fome pode ser uma boa desculpa para visitar o suntuoso e centenário prédio da Confeitaria Colombo (confeitariacolombo.com.br). História, arte e um irresistível cardápio de doces fazem do local parada obrigatória - mas prepare o bolso.

O melhor do samba fica por conta da charmosa Santa Teresa. Com chuva, sol, frio ou calor, batuques e muita cerveja tomam conta do bairro alto com ruas de pedra e jeitinho de Montmartre brasileiro. O destino mais famoso é o Bar do Mineiro (bardomineiro.net) e seu imperdível bolinho de feijoada (R$ 30 a porção). Mas a música ao vivo do nordestino Portella Bar (portellabar.com.br) e o menu alemão da Adega do Pimenta (adegadopimenta.com.br) também representam a boemia carioca. Se a ideia é um programa mais refinado, os restaurantes Aprazível (aprazivel.com.br) e Tèrèse - do sofisticado Hotel Santa Teresa (santa-teresa-hotel.com)-, com suas belas vistas para a cidade, são recantos convidativos na informalidade típica do bairro.

Botafogo. Um dos bairros que mais sofreu com o crescimento desordenado na cidade é também um dos de maior concentração de edifícios do período colonial. A Casa Daros (casadaros.net), por exemplo, é um imenso casarão do século 19 que ficou em obras por sete anos e, desde 2012, dedica-se a exibir mostras de arte latino-americana. Ao fim da visita, o almoço no restaurante Mira!, dentro do museu, inspira tanto quanto suas exposições.

Se depois do programa cultural o desejo for por um ambiente mais descontraído, outra construção de época oferece a alternativa. Tradicional franquia carioca, o Bar do Adão (bardoadao.com.br) tem como especialidade seus 56 tipos de pastel. Ainda que os petiscos sejam uma refeição por si só, o menu também inclui pratos completos com a cara da cidade, como a picanha à campanha e o picadinho de filé mignon.

Outro que mescla história e petiscos é o Bar Salvação (Rua Henrique de Novaes, 55), que oferece ainda cerveja e sinuca a valores justos. Destaque para o sanduíche de linguiça acompanhado de batata frita, por R$ 15,50; uma verdadeira preciosidade no universo de preços surreais do Rio.

Na categoria alternativo, os híbridos de bar e boate Comuna (comuna.cc) e Bukowski (barbukowski.com.br) sempre agradam, apesar da lotação constante. No primeiro, o diferencial está na ousadia dos DJs e no menu de hambúrgueres artesanais, um dos melhores da cidade. Já no Bukowski, o narguilé e a sempre certeira setlist de rock não decepcionam.

Entre os mais refinados, a champanharia Ovelha Negra (champanhariaovelhanegra.com.br) agrada com sua extensa variedade de rótulos da bebida. O Meza Bar (mezabar.com.br) se destaca por seus drinques variados e clima nova-iorquino. E o restaurante intimista da livraria Prefácio (prefaciolivrarias.com.br) tem a combinação perfeita para um dia chuvoso: leitura e boa comida.

Copacabana. Mesmo sem poder aproveitar a praia, é difícil imaginar uma viagem ao Rio sem passar pelo cartão-postal da cidade. Na filial da Confeitaria Colombo no bairro, é possível apreciar a vista sem se molhar. Localizada no interior do Forte de Copacabana, ela não possui a arquitetura imponente de sua matriz, mas a qualidade do cardápio permanece e suas portas de vidro permitem admirar a orla, que, mesmo cinza, não perde seu encanto. Para uma noite animada, a Rua Bolívar concentra diversos bares, sempre lotados, independentemente de tempo ruim.

Ipanema e Leblon. Caso os Dois Irmãos não estejam iluminados pelo sol, a mais global das regiões cariocas perde um pouco do esplendor, mas não cai do salto. Saindo do Forte de Copacabana, pegue a Rua Francisco Otaviano e, antes de chegar ao Arpoador, dê uma parada no número 67, na Galeria River. Biquínis, bermudas, pranchas de surfe, skates longboard e tudo o que você precisa para virar um menino do Rio ou uma garota de Ipanema assim que o tempo abrir. A duas quadras dali está a Casa de Cultura Laura Alvim (Avenida Vieira Souto, 176), de frente para o mar, mas mergulhada nas artes. Embora o museu esteja em reforma, a galeria está aberta, o teatro tem boas peças em cartaz e o café é um ótimo ponto de parada.

O bom do Rio de Janeiro é que a chuva raramente vem acompanhada de frio e, faça chuva ou faça sol, molhar a garganta é sempre boa ideia. No Bar Astor (Avenida Vieira Souto, 110), o barulho das ondas é garantido - daí é só escolher entre o chope (R$ 6,90) e o gim tônica clássico (R$ 29).

Logo ali, cruzando o Jardim de Alah, a praia e o bairro do Leblon mudam os ares sem mudar. Na Rua Paul Redfern, 32, a 021 Móveis Cariocas consegue resumir o Rio em lindos objetos de decoração - para levar um pouco da Cidade Maravilhosa para casa. Caso não esteja animado para comprar cadeiras, vista o estilo carioca, em vestidos, camisetas e bolsas descolados na Daqui (Avenida Ataulfo de Paixa, 1.174, loja F).

Antes de se despedir, uma saideira no vizinho Jobi (Avenida Ataulfo de Paixa, 1.166), popularíssimo no Baixo Leblon por seu chope (R$ 7) e empadinha de camarão (R$ 4,50). Afinal, uma cidade só ganha o título de maravilhosa se for capaz de colorir um dia cinza. /COLABOROU FELIPE MORTARA

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