Para dar um tempo da tecnologia

Para dar um tempo da tecnologia

Mensagem no WhatsApp, e-mail a responder, atualizações no Facebook e, quando você vê, acabaram-se as férias. Que tal um detox digital para relaxar sem interferências?

Mônica Nobrega/Estadão, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2014 | 02h06

De fato, ninguém precisa pagar nada para jogar o celular de lado, desligar o iPad e o notebook e ir dar uma caminhada, ou se estirar ao sol à beira da piscina, ou meditar. Se você consegue por conta própria, parabéns. Mas há quem precise de uma ajuda extra para se desintoxicar do excesso de tecnologia presente na vida cotidiana.


A China reconhece o vício em internet como uma patologia - o tratamento é duro e inclui práticas militares. Não é preciso, contudo, chegar a tais extremos: no Brasil e no exterior, hotéis oferecem programas relaxantes para um detox digital.

Catorze meses atrás, eu não tinha WhatsApp e não estava familiarizada com a dinâmica urgente do aplicativo de troca de mensagens via smartphone. Então, em uma mesa de jantar com quatro companheiros, me vi provocando um riso geral ao perguntar o que era aquele alerta sonoro idêntico que vazava dos telefones de todos.

Estávamos em um hotel de negócios no centro de Buenos Aires, na Argentina, conectado como deve ser uma hospedagem contemporânea com tal perfil. E, apesar de ter demorado para aderir às mensagens instantâneas, não sou exatamente alguém que pode se definir como usuária zen da tecnologia.

Dias antes, instalados em um isolado hotel nos arredores da cidadezinha vitivinícola de Cafayate, no norte do país, havíamos passado por uma espécie de detox digital involuntário. No hotel-butique Alta La Luna, o Wi-Fi estava disponível apenas em uma saleta com sofás ao lado da recepção e, mesmo ali, conectar-se era uma aventura.

A primeira reação foi sofrer da mesma síndrome de abstinência que segurou os demais integrantes do meu grupo até tarde na saleta, em uma luta inglória pelo sinal de Wi-Fi ruim. Depois, acabei gostando de constatar que o celular não poderia me acompanhar à cama. Fui deitar com Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones e personagem da deliciosa biografia Vida, que eu lia no momento.

Para encurtar a história, conto logo que, nas duas noites que passei no Alta La Luna, a leitura avançou como não tinha ocorrido nas semanas anteriores. E que, em uma das manhãs bem cedo, ao acordar, me enrolei num cobertor e fui sentar no cadeirão da varanda do meu quarto, para ver o dia gelado acabar de nascer sobre o vinhedo estendido à minha frente.

Como o Alta La Luna (altalaluna.com; diárias desde US$ 180 por casal, sem taxas), outros hotéis pelo mundo forçam o hóspede a abrir mão da conexão em tempo integral. Alguns estabelecimentos simplesmente desistem de investir em potentes mecanismos de acesso digital; outros montam ambientes livres de tecnologia ou estruturam pacotes para um detox digital - modalidade cada vez mais cheia de adeptos.

Nos dois casos, o investimento é em programação que ocupe o vazio existencial deixado pela ausência dos e-mails, das mensagens, da postagem frenética de selfies. Nem sempre são opções baratas e, sim, pode-se dizer que cobram mais por menos, já que o apelo principal das hospedagens em questão é justamente o que não oferecem.

Saiba mais:

O vício em internet afeta 50 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Universidade La Salle, nos Estados Unidos. No Brasil, esse número é estimado em 4 milhões

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