Beatriz Farrugia
Beatriz Farrugia

Para fugir das multidões: conheça a Puglia, no sul da Itália

No 'salto da bota' no mapa italiano, região é repleta de praias de águas cristalinas, cercadas por penhascos, e cidades históricas que esbanjam charme

Beatriz Farrugia, especial para o Estado

09 Outubro 2018 | 05h00

“Quando um estrangeiro chega ao sul, ele chora duas vezes: quando chega e quando vai embora.” A sábia frase, imortalizada no filme Benvenuti al Sul (2010), de Claudio Bisio, não poderia definir melhor uma viagem para a Puglia, região do sul da Itália que fica exatamente no “salto da bota” do mapa italiano.

Fora do eixo turístico convencional, a região é destino para exploradores que estão fartos das cidades mais turísticas. E para os próprios italianos: ao menos 70% dos turistas são nacionais. 

Ali o tempo passa devagar. Depois do almoço, é hora da siesta: os moradores se fecham em suas casas e dar um passeio entre 13h e 16h horas é algo estranho. Provavelmente, você será o único perambulando pelas ruas e logo chamará a atenção dos locais.

Ser turista na Puglia não é tão prático. Para evitar o choro e as lágrimas da chegada, planejamento é fundamental – assim como alugar um carro para explorar a região. 

A primeira tarefa é escolher quando ir: no inverno, de dezembro a março, faz muito frio, e no verão, principalmente entre julho e agosto, as zonas costeiras ficam abarrotadas de pessoas brigando por um cantinho para relaxar nas praias. Portanto, planeje sua viagem na primavera ou outono do Hemisfério Norte. Há voos regulares de Roma a Bari, capital da Puglia, e serviços de trens operados pela Trenitalia.

Banhada pelos mares Adriático e Jônico, a Puglia contabiliza dezenas de cidades litorâneas com águas de tom azul-esverdeado, semelhantes às da Grécia – que, por sinal, está a poucas horas dali. A arquitetura também lembra a grega, com a maioria das casinhas brancas ou de cores neutras voltadas para o mar. 

A geografia é outra particularidade: 80% de sua formação geológica é de calcário e dolomita. Em termos turísticos, isso significa que esses sedimentos desenham cadeias rochosas, praias de pedras, cavernas, grutas e lagos naturais, dando uma charmosa rusticidade à região. 

Fartura gastronômica

As semelhanças com a Grécia terminam aí, porque a gastronomia é deliciosamente italiana. Os pugliesi são famosos pela panificação e têm os pescados e os frutos do mar como bases da alimentação.

Entre os pratos famosos, os panzerotti fritos são uma espécie de fogazza (ao estilo brasileiro), consumidos sem recheio ou com queijo, carne, peixe ou vegetais – e a focaccia barese, pão de massa leve e cremosa com cobertura de tomatinhos e azeitona, vendido em pedaços. Ambos podem ser encontrados em qualquer lojinha de esquina ou pelas ruas das cidades. 

Já o spaghetti con le cozze (espaguete com mexilhões) e o polpo alla pignata (pedaços de polvo cozidos em uma panela de barro) são itens sempre presentes nos menus dos restaurantes da região. As burratas, queijo que se assemelha à muçarela de búfala, é outra marca local. Para beber, o vinho Primitivo tem conquistado cada vez mais fãs.

A experiência gastronômica certamente será um ponto alto, as particularidades da paisagem serão inesquecíveis e o povo acolhedor deixará saudade. Por isso, é melhor se preparar: o choro e as lágrimas também virão na despedida. 

ANTES DE IR

Como chegar: o voo ida e volta São Paulo – Bari (com conexão em Roma) custa desde R$ 3.480 na Alitalia, com stopover sem custo. Outra opção é ir de trem de Roma a Bari com a Trenitalia. São 4 horas de viagem.

DIRIGIR NA ITÁLIA

1 - Documentos 

Saia do Brasil com a carteira de motorista internacional, que pode ser solicitada no site do Detran. Fique de olho no contrato de locação: opte por preços que já incluem seguros obrigatórios. O preço médio das locadoras é de 20 euros (R$ 89) a diária na categoria econômica.

  

2 - Áres restritas 

A maioria das cidades turísticas italianas têm zonas de trânsito restrito, o que significa que somente carros autorizados podem circular por ali. Fique atento às placas com a inscrição “zona traffico limitato”.  

 

3 - Estacionamento 

Preste atenção onde estacionar: se houver uma faixa azul pintada no chão, trata-se de “zona azul” e você precisará pagar uma taxa no parquímetro, em moedas. As máquinas emitem um comprovante que deve ser colocado no painel do carro. Já as vagas amarelas são destinadas a pessoas autorizadas. As brancas, por sua vez, são livres, mas com tempo máximo de permanência.

  

4 - Pedágios 

Na primeira passagem pelo pedágio em cada trajeto da viagem você não irá realizar o pagamento: apenas retire o tíquete e guarde-o bem. O pagamento será feito na segunda passagem, proporcionalmente à distância que você percorreu. 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.