Michael Portmann
Michael Portmann

Parabéns, Matterhorn: um passeio pela Suíça em clima de aniversário

País comemora os 150 anos da primeira expedição a conquistar o cume de sua montanha-símbolo. Zermatt será palco dos eventos - e há muito mais a descobrir pela região

Gabriela Marçal, Felipe Mortara, Estadão

26 Maio 2015 | 05h01

Triangular, delicada e imponente, talvez a mais cênica e uma das mais reproduzidas e cobiçadas montanhas do mundo. Certamente você já a viu. É aquela da embalagem do chocolate Toblerone e dos lápis de cor suíços Caran D’Ache. Matterhorn, nome de batismo da ilustre, é a montanha símbolo da Suíça, que ganha, no próximo dia 14, de julho uma grande homenagem. Na data serão comemorados os 150 anos da primeira ascensão aos 4.478 metros de seu cume. A cidadezinha de Zermatt, de onde se contempla seus melhores ângulos, é o palco das celebrações. Que, aliás, começam já em junho.

Última das grandes montanhas alpinas a ser conquistada, Matterhon remete à vitória e inspira respeito. Quatro dos sete membros da expedição de 1865 morreram ao longo da empreitada. Por isso não se trata apenas de festejar, mas de relembrar a façanha. Na programação (leia nos quadros desta página), encenações, shows de luzes e até mesmo um filme ainda inédito.

Ideal para viver o clichê invernal da Suíça, Zermatt é uma típica e delicada cidade de montanha. Mas o cenário de casinhas de madeira e ruelas estreitas – carros são proibidos no centrinho – se transforma com a chegada da primavera. E assim a cidade solidifica definitivamente seu lado caloroso no verão, quando a neve derrete de vez, mas segue onipresente no alto do Matterhorn.

Com as temperaturas amenas, que podem alcançar cerca de 30 graus, saem de cena a maioria das pistas de esqui e snowboard para dar espaço a 400 quilômetros de trilhas ideais para caminhada e outros 100 quilômetros nos quais amantes de bike se esbaldam. Ainda hoje, chegar ao cume do Matterhorn é tarefa possível, porém apenas para montanhistas experientes com equipamentos e guias.

Ascensão. Quando o inverno se vai, nem só de esportes vive a região. O sistema de ferrovias inclui funiculares, teleféricos, trens e gôndolas para tornar possível chegar a 3 mil metros de altitude em minutos, sem suar. Afinal, é do Rothorn (3,1 mil metros) que se tem a melhor vista do Matterhorn – principalmente ao nascer do sol, que deixa seu pico avermelhado. Lembre-se de verificar na estação Sunnega a disponibilidade dos ingressos especiais para o amanhecer, já que o funicular normalmente abre às 8 horas. Ali é possível tomar café da manhã com farto bufê (64 francos suíços ou R$ 206, café e transporte; matterhornparadise.ch).

Com disposição, a pedida é encarar três horas de caminhada descendo aos sugestivos 2.222 metros da pequena estação de esqui de Riffelalp. No caminho, campos verdes salpicados por espécies de flores alpinas. De brinde, três lagos, Stelli, Grindji and Grüen, nos quais o Matterhorn aparece em reflexo, garantindo a foto perfeita. Ao chegar a Riffelalp, parada para almoço no Al Bosco (riffelalp.com). Deixe para fazer a digestão na volta curta de trem até Zermatt.

Nos roteiros ao ar livre pode-se incluir também piqueniques, degustação de queijos e vinhos, visitas a fazendas de criação das ovelhas cara-preta e cães da raça São Bernardo, autêntico símbolo helvético.

Em 1928, Zermatt recebeu a primeira temporada de inverno. Com o tempo, virou polo turístico consolidado - e hoje disputa visitantes com as igualmente charmosas Interlaken e St. Moritz.

Como vai ser a festa

1. Caminho de luz

Na noite de 13 de julho, véspera do dia exato em que a conquista do Matterhorn faz 150 anos, será aceso um rastro de luz vermelha no flanco da montanha reproduzindo exatamente o percurso feito pelos escaladores até o cume. Será possível avistar a trilha iluminada desde Zermatt – o visual a partir do mirante de Kirchbrücke garantirá o melhor ângulo.

2. Tour de época

Especialmente criado para a ocasião, o tour de época propõe uma volta no tempo até a Zermatt de 1865. Guiado por atores nativos, o tour de 1h30 começa sempre às 17h30 e circula por toda a cidade dando um contexto histórico e social do período em que ocorreu a primeira escalada do Matterhorn. As exibições são narradas em alemão, francês e inglês, começam em 17 de junho e a última apresentação será no dia 30 de setembro, com ingressos a 18 francos suíços (ou R$ 58). Mais:oesta.do/matterguia

3. Cenografia real

Sob direção de Livia Anne Richard, o espetáculo teatral The Motterhorn History dramatizará todo o processo de escalada da montanha, com figurino de época e com a própria protagonista ao fundo. Como a Suíça é poliglota, a peça será encenada em suíço-alemão, alemão tradicional e inglês. As apresentações ocorrem de 9 de julho a 29 de agosto na estação de Gornergrat, de quarta-feira a domingo, e os ingressos custam 129 francos suíços (R$ 416) em gornergratbahn.ch.

4. Na tela grande

Grandioso e intenso, o documentário Focus Matterhorn, que celebra os 150 da primeira chegada ao cume da montanha, é aguardado com ansiedade em Zermatt. Embora não tenha data marcada para exibição na cidade, é bem provável que ocorra ao longo do verão. O filme narra a saga de duas equipes rumo ao cume e mostra o quão complexas podem ser as operações de resgate na montanha. Acompanhe o site focus-matterhorn.ch para saber sobre as projeções.

Como ir à Suíça

Passagem aérea: São Paulo–Zurique–São Paulo desde R$ 3.380 na Swiss (swiss.com); com conexão, R$ 3.475 na Air France (airfrance.com). O trecho SP–Milão–SP, direto, começa em R$ 4.019 na TAM (tam.com.br); e R$ 4419 na Alitalia (alitalia.com)

Trem: Zurique-Zermatt, 141 francos suíços (R$ 454) 

Moeda: 1 franco suíço vale R$ 3,22

Site: myswitzerland.com

Suba às alturas em passeios para curtir a ntureza

Esqui e snowboard são as principais atividades ao ar livre em Zermatt. Mas, encravada entre montanhas, a região oferece variadas opções de passeios para contemplar a natureza também nas épocas mais quentes. Antes ou depois de curtir as atrações da festa de aniversário da conquista de Matterhorn, a pedida é se aventurar por outras elevações dos arredores.

Atenção: independentemente da temperatura que faz na cidade, sempre vai estar frio nos pontos mais elevados. Tenha a postos, além de casaco, gorro, cachecol e luvas. Para quem vai com criança pequena, avisamos também que elas não são aceitas em alguns meios de elevação – o motivo é preservar a saúde dos pequenos.

Breithorn. Com 4.164 metros de altitude máxima, forma uma cadeia de montanhas com picos múltiplos e muitas geleiras. O cume ocidental é considerado o mais fácil de subir – é uma opção para quem quer atingir os 4 mil metros de altitude caminhando na neve. O passeio pede preparo físico e experiência em caminhada na montanha. Mais informações: oesta.do/breithorn1.

Klein Matterhorn. A mais alta plataforma de observação da Europa tem 3.883 metros de altitude, e a ela é possível chegar por uma combinação de trem e teleférico. Multinacional, dá vista para picos italianos, franceses e suíços. Também abriga o Glaciar Paradise, complexo subterrâneo escavado no glaciar com delicadas esculturas de gelo. Mais informações: oesta.do/glaciarparadise.

Gornergrat. De seu cume, a 3.089 metros, é possível avistar o pico mais alto da Suíça, o Dufourspitze, cuja altitude chega a 4.634 metros. De lá também se vê a segunda maior geleira dos Alpes, a Gorner, e 29 picos que se elevam acima de 4 mil metros – e que, para se tornarem visíveis, pedem uma subida por mais de 300 degraus.

Glaciar Theodul. O verão não interrompe completamente o esqui e o snowboard no entorno de Zermatt. No Glaciar Theodul, a até 3.883 metros, é possível encarar as pistas até na estação mais quente (“na pista de biquíni”, dizem, o que é, claro, uma brincadeira exagerada). É preciso ter experiência: são 21 quilômetros de pistas para habitués e ainda um parque para praticantes de free style. O lugar é usado para treinamento de equipes de esqui de vários países. Mas o restante do público pode aproveitar: é permitido assistir às manobras, e há restaurantes. Mais: hoesta.do/skiverao.

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