Parque arquitetônico para ficar de herança

Xangai, na China, abriga Expo Mundial e lança o desafio: qual prédio se[br]tornará cartão-postal após o fim do evento?

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2010 | 03h48

Descontada a determinação dos chineses em produzir eventos grandiosos e deixar o mundo boquiaberto, restam poucas dúvidas de que a edição de Xangai da Exposição Mundial baterá recordes de público e número de países participantes. O enigma que nasce com o evento (que começou neste fim de semana e vai até 31 de outubro) é outro, bem mais interessante para os turistas: qual monumento ficará de herança para a cidade e terá fôlego para se tornar um símbolo local, como ocorreu em Paris com a Torre Eiffel (leia acima)?

A própria Xangai tem sua aposta, feita, obviamente, em causa própria: o Pavilhão Chinês, que parece ter sido construído com peças gigantes de Lego. Mas as opções são muitas, já que os cerca de 200 países participantes ergueu seus próprios espaços. O que significa um imenso parque arquitetônico.

Algumas certezas, no entanto, já podem ser comemoradas pelos moradores (e futuros visitantes) da metrópole. Na esteira da exposição, que segue o tema Cidade Melhor, Vida Melhor, Xangai investiu dezenas de bilhões de dólares em infraestrutura. Na orla do Rio Huangpu, o passeio Bund ganhou um banho de loja, com novos parques e calçadões. O metrô dobrou de tamanho desde 2008: de 210 para 420 quilômetros, o maior do mundo.

Criatividade. Como o objetivo da exposição é mostrar atrações turísticas, características culturais e potencial econômico de cada nação, ninguém economizou em, digamos, criatividade. O pavilhão suíço é gramado e tem o formato do mapa do país. Dunas de areia do deserto marcam o espaço dos Emirados Árabes. A Holanda ergueu casinhas à moda das palafitas comuns no país.

O pavilhão brasileiro tem aspecto de trançado de palha verde, inspirado na Floresta Amazônica e na trama de tipos humanos que formam a população do País, segundo seu idealizador, o arquiteto Fernando Brandão. Neste espaço serão promovidos shows de samba, espetáculos de balé e conversas com jogadores de futebol.

Todos os países apresentarão aspectos de sua cultura. Quem for conferir o pavilhão da França terá oportunidade de ver telas de Manet, Cézanne e Gauguin que fazem parte do acervo do Museu D"Orsay. O espanhol pretende atrair atenções com dança flamenca e degustações de tapas. A Dinamarca levou a estátua da Pequena Sereia, símbolo de Copenhague - o que resultou em protestos de moradores.

O governo local programou uma grande queima de fogos na abertura e espetáculos culturais durante o evento. Tudo para comemorar o fato de que a Expo Xangai é a primeira em um país emergente, desde a edição inaugural, em 1851, em Londres. Para ver tudo isso, são esperados 70 milhões de visitantes. Ingressos custam desde 200 yuans (R$ 51). Mais: en.expo2010.cn / COM NYT

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