Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Parque Güell e Sagrada Família: dois símbolos de Barcelona

Obras de Antoni Gaudí estão um pouco mais distantes do centro da cidade, mas são indispensáveis na programação

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2018 | 04h30

PARQUE GÜELL

“Vá ao Parque Güell, tenho certeza que você vai gostar”, disse meu marido antes de eu embarcar para a Espanha. É verdade que há quem entenda melhor sobre nossos gostos. Mas, assim que dei alguns passos por seus jardins, fiquei me perguntando se alguém poderia não se sentir encantado nesse Patrimônio da Humanidade.

 

Sua história é bem anterior a 1984, quando ganhou o título da Unesco, e se mistura com o projeto de modernização da cidade, levado a cabo a partir do fim do século 19. Assim, o Parque Güell começa a ganhar vida em 1900. 

A ideia de Eusebi Güell não vingou, apesar do projeto inovador gaudiniano, com contornos arquitetônicos coloridos, sistema hídrico inteligente e respeito à natureza. O plano do industrial era fazer do parque um condomínio de casas. As vendas, porém, não deslancharam e, após sua morte, em 1918, o local foi doado à cidade e aberto como parque em 1926. 

Não se paga nada para entrar, mas a área onde estão as principais atrações, a zona monumental, exige ingresso ( desde 7,50 euros). Na entrada principal, há uma lanchonete e duas construções curiosas. A da torre mais alta, que era a recepção aos visitantes, abriga livraria e lojinha de souvenirs. Já a das abóbadas foi a casa do porteiro e é parte do Museu de História de Barcelona.

Além das curvas inusitadas, as duas são revestidas com cerâmicas partidas, a partir de materiais demolidos. A técnica se chama trencadís e é vista em outras partes do parque, como a Escadaria Monumental (ali estão a salamandra e a serpente sobre o escudo da Catalunha) e o Teatro Grego, principal cartão-postal do local. Seus bancos ondulados, apesar de gaudinianos, são obra de Josep Maria Jujol. Com vista para o mar, o espaço é sustentado por 86 colunas dóricas da Sala Hipostilada.

NÃO PERCA.  Dentro do Parque Güell, a casa onde Gaudí viveu 20 anos é um museu. A mobília foi desenhada e produzida por ele. O sobrado rosado tem entrada pela parte alta do parque (ingresso: 5,50 euros - dá para comprar combinado com o ingresso da Sagrada Família também).

 

SAGRADA FAMÍLIA

A Sagrada Família. Um lugar que começou a ser construído em 1882 e só será concluído em 2026, no centenário de morte de Gaudí. P atrimônio da Humanidade – em 2005, a fachada do Nascimento (de Jesus) e a cripta se juntaram a obras de Gaudí já na lista da Unesco –, o templo atrai muitos visitantes ( ingresso desde 15 euros).

Significados não faltam ali. Do projeto inicial, neogótico e de autoria de Francisco de Paula del Villar y Lozano, a Sagrada Família se transformou em um monumento completamente inovador, fruto do projeto posterior de Gaudí, que assume a construção em 1883 e se dedica a ela até o fim da vida – seus restos mortais estão depositados na cripta. Sob o comando de outros arquitetos, ela nunca deixou de crescer desde então, nem quando, em 1936, algumas partes acabaram incendiadas durante a guerra civil. Hoje, 70% do que pretendia Gaudí está concluído.

 

Repare nas três fachadas super ornamentadas, com personagens de traços geométricos singulares. Cada uma representa as passagens da vida de Jesus: nascimento; paixão, morte e renascimento; e glória presente e futura. O quarto lado está sendo feito e será composto por quatro edifícios em forma de cúpula.

Fico tentando entender cada explicação que o audioguia me traz. E de fato me sinto num bosque de árvores que alcançam o céu quando entro, enfim, no templo. Essa era mesmo a intenção de Gaudí: transformar o ambiente interno da Sagrada Família em um lugar que se assemelhasse à natureza (algo recorrente em suas obras), sem deixar de lado elementos tradicionais que explicassem o evangelho e a igreja.

Estão lá o altar e a figura de Cristo e de Maria. Só de outra forma. Jesus, por exemplo, vem pendurado no centro do altar semicircular. Os vitrais coloridos das igrejas também estão presentes. Mas as claraboias garantem um jogo de luzes incisivas nas laterais do templo, cuja planta é uma cruz latina.

 

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