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Parques de diversão formados pela natureza

Alguns lugares são famosos por seus museus. Outros por sua comida tradicional. Há ainda aqueles que têm um monumento como carro-chefe. E, logicamente, os que ganharam fama por seus atributos naturais - mais especificamente, pedras. Por mais estranho que possa parecer, há, sim, pedras que se tornam símbolo de um destino e se convertem num polo de turismo e aventura.

FELIPE MORTARA, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2013 | 02h11

Afinal, são muitas as possibilidades de diversão para os turistas. A Pedra Grande em Atibaia, por exemplo, a apenas 1 hora de São Paulo, ganhou fama entre os praticantes de voo livre. Asas-delta e parapentes decolam do marco, a 1.450 metros de altitude, e colorem o céu da região. Não à toa, há uma variedade de escolas que ensinam os visitantes a voar - ou, ao menos, ter uma "experiência alada" em um voo duplo em escolas como a Academia de Voo Livre (11-7862-2867), desde R$ 220.

Não é o único esporte que pode ser praticado por ali. Trilhas pela Mata Atlântica, bicicross e off-road estão entre as atividades mais procuradas. Mas se você não é muito fã de esporte, não tem problema: é possível subir de carro e, lá do alto, admirar um belo pôr do sol - aliás, a hora favorita dos praticantes de voo livre.

A exemplo da Pedra Grande, outros marcos naturais espalhados pelo País também têm suas especialidades. Escalada e rapel para os fãs da adrenalina, contemplação para quem quer relaxar. Selecionamos algumas - escolha aquela que mais combina com seu estilo. Com ou sem aventura.

Moldura para o pôr do sol no litoral cearense

Uma caminhada leve, de uma hora de duração em passo tranquilo, separa o centrinho da vila de Jericoacoara, no Ceará, de sua atração mais simbólica. A Pedra Furada, rocha à beira-mar com um buraco no meio, é bonita em qualquer época, mas ganha encanto adicional entre 15 de julho e 15 de agosto. No período, o sol se põe no mar, tornando a pedra sua moldura natural.

O mais comum é ir até lá caminhando - nem é preciso contratar guia. A Pedra Furada fica à direita da vila. Para ir pela areia, consulte na recepção da sua pousada a tábua de marés e fique atento aos horários. Na cheia, a faixa caminhável desaparece e é preciso seguir pela trilha que passa por cima do Morro do Serrote. Nada que exija muito esforço depois da subida inicial.

Uma garrafinha de água basta para a ida - o suprimento da volta você compra lá mesmo, de ambulantes junto à pedra. Outra opção é ir de buggy, na volta do tour às lagoas Azul e do Paraíso - custa R$ 250 o passeio de um dia na By Boogie (byboogie.com.br). O carrinho para num estacionamento e, de lá, será preciso andar pouco menos de um quilômetro. Para um programa mais cheio de adrenalina, faça o mesmo roteiro (lagoas e pedra) de quadriciclo. Custa cerca de R$ 250, para dois, na Bora (boraquadriciclo.com.br).

 

Formações pitorescas no sertão da Paraíba

É em pleno sol escaldante do Cariri paraibano, onde as árvores mal conseguem crescer, que o turista encontra um dos maiores tesouros do Estado. O Lajedo do Pai Mateus, uma reunião de formações geológicas raríssimas, com exemplos semelhantes apenas na África e na Austrália, fica a 200 quilômetros da capital João Pessoa. Ou a 25 do centrinho da pequena cidade de Cabeceiras.

A coleção de pedras se esparrama por uma área de 2.500 hectares dentro de uma propriedade particular. Para visitá-la, há duas opções: ir de carro desde João Pessoa (2h30) e pagar uma taxa de manutenção (R$ 20), ou se hospedar próximo ao Lajedo, no Hotel Fazenda Pai Mateus (paimateus.com.br), cuja diária custa desde R$ 220 por casal, com café da manhã e passeio guiado.

Como sugere o guia Gerson Lima, prefira ir no fim da tarde. "A partir das 15h30 o Lajedo fica bem dourado, se exibindo do melhor jeito. O pessoal procura muito essa foto, pela localização, sensação de beleza e liberdade", explica. Também é bom lembrar que, nesse horário, as temperaturas ficam mais amenas. Mas nem pense em ir sem chapéu.

Uma vez lá, você vai constatar que entre os mais de 150 pitorescos blocos de granito, um chama a atenção por sua forma peculiar: a Pedra do Capacete. Além do curioso formato, similar a um prato de sopa invertido, é repleta de pinturas rupestres com origens de 3 a 6 mil anos atrás. Dali, do alto dos 530 metros, admire a vista privilegiada do Planalto da Borborema.

Outras atrações locais de destaque são a Pedra do Sino - basta um toque para emitir som semelhante a uma badalada - e a do Pedido, onde os visitantes fazem desejo. Já a Pedra do Cálice desafia a gravidade, com suas várias toneladas apoiadas num estreito eixo de 40 centímetros.

 

Perca o fôlego na Chapada Diamantina

Figurinha repetida nas melhores fotos da Chapada Diamantina, o Morrão é, na verdade, uma grande pedra de 218 metros de altura encravada no meio de uma campina. O que poucos visitantes fazem, no entanto, é subir nesse gigante. Uma pena: trata-se de um belo passeio dentro do Parque Nacional.

São necessárias quatro horas entre subida e descida, além de algum fôlego, claro. O primeiro passo é combinar com seu guia uma parada para acampar por ali durante a travessia de 20 quilômetros entre Lençóis e o Vale do Capão. Ou, se estiver fazendo outro roteiro, entre os 13 quilômetros que separam o Morro do Pai Inácio - um clássico da Chapada - do Capão.

Acampando próximo à Cachoeira das Águas Claras, aos pés do Morrão, você tem tempo de sobra para alcançar o topo, gastar o cartão de memória da câmera fotográfica no caminho e voltar para descansar. Quem já subiu garante: o visual é tão - ou mais - impressionante quanto o do Morro do Pai Inácio.

Como se trata de uma caminhada alternativa, não há um padrão de preços, mas em um grupo de três pessoas cada um vai pagar, em média, R$ 100 por dia. O guia Sebastião Satelis (75-9966-1592) faz o percurso. Você também pode consultar a disponibilidade de outras agências no site guiachapadadiamantina.com.br.

 

Entre caminhadas e escaladas até a Pedra do Baú

Há quem pense que, além das lojinhas e restaurantes refinados, Campos do Jordão também abriga o maior cartão-postal natural da região da Serra da Mantiqueira. Nada disso. A tão admirada Pedra do Baú, verdadeiro complexo ao ar livre ideal para caminhadas e escaladas, é o grande trunfo da vizinha São Bento do Sapucaí.

O acesso até lá é muito fácil, com sinalização suficiente mesmo para quem vai desde Campos do Jordão. Basta seguir as placas na Estrada da Campista, que começa ao lado do Estádio Municipal. Apesar do complexo estar em uma propriedade particular, não há taxas para entrar - sua conservação é mantida por voluntários.

Ao adentrar a área, uma placa indica as três atrações principais. O Bauzinho, alcançado em 10 minutos de caminhada, é pedida para quem está com crianças ou idosos. A pedra da Ana Chata, a uma hora de trilha, oferece um belo visual. E para chegar na Pedra do Baú propriamente dita é preciso mais esforço: uma hora de andança e outra só de subida, totalizando um mínimo de quatro horas para ir e voltar.

A subida tradicional é feita pela Via Ferrata, uma escada de ferro cravada na rocha de 200 metros. O uso de equipamento de segurança é altamente recomendável, assim como um guia para os iniciantes. Muito difícil? Não, mas é preciso ter algum fôlego para chegar lá em cima. Também é importante não ter medo de altura - voltar no meio do caminho vai atrapalhar os que esperam a vez para subir. Uma vez lá em cima, a vista é a recompensa.

Se a ideia for escalar a montanha, um guia é fundamental - com sorte, você pode ter a companhia de Eliseu Frechou, da Montanhismus (montanhismus.com.br), um dos melhores montanhistas do Brasil. O passeio custa R$ 250 (duas pessoas), com equipamento. Quem tiver pique pode fazer mais de uma rota de escalada no mesmo dia - são 70 no total. Empresas como a Baú Ecoturismo (bauecoturismo.com.br) e Pedra do Baú Ecoturismo (pedradobauecoturismo.com) oferecem o serviço.

Se aprender a escalar for um objetivo, Frechou ministra um curso básico de dois dias para alunos a partir de 14 anos, Os preços variam de R$ 117 a R$ 260 por pessoa.

 

Trilha pesada para contemplar a cena carioca

Numa cidade - maravilhosa, pediria o clichê - encravada entre o mar e uma porção de morros de tirar o fôlego, é preciso de atributos para se destacar. Mesmo com a concorrência de marcos como o Pão de Açúcar e o Morro do Corcovado, a Pedra da Gávea, dentro do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, oferece um diferencial: dali é possível avistar os principais pontos turísticos do Rio.

Para chegar lá, no entanto, é preciso ter um bom preparo físico. Cada trecho da trilha, de nível pesado, leva cinco horas para ser percorrido. No final do percurso há uma pequena escalada em rocha, que pede equipamentos de segurança. Haja fôlego. O melhor é contratar um guia, já que são comuns os relatos de turistas perdidos dentro do parque.

Se você não tem esse preparo físico tão espetacular, sem problemas. Os iniciantes podem fazer o percurso de 40 minutos até a Pedra Bonita, partindo do Alto da Boa Vista, onde se pode chegar tanto de carro como de ônibus. Dali, como o nome sugere, se tem uma belíssima visão tanto da Pedra da Gávea quanto de boa parte da zona sul carioca. A empresa Trilhas RJ (trilhasrj.com.br) cobra entre R$ 18 e R$ 25 por pessoa para guiar os interessados em roteiros de diferentes níveis de dificuldade pela região. Já a Brasil Active (brasilactive.com.br) oferece pacotes para grupos menores, por a partir de R$ 100.

Houve um tempo em que se podia acampar para ver o nascer do sol por trás da Baía de Guanabara, um dos maiores espetáculos da cidade. Agora a prática está proibida, mas a pedra continua sendo, ao mesmo tempo, mirante e cartão-postal da cidade.

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