Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Passeio de trem em Guararema: de volta aos tempos da maria-fumaça

Locomotiva de 1927 foi restaurada e leva visitantes para um tour de 2h, até o charmoso distrito de Luís Carlos

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2018 | 04h50

Há tempos eu queria fazer o passeio de maria-fumaça em Guararema, a 1h30 de São Paulo. Mas certos programas são mais gostosos com crianças e, assim, aproveitamos o último fim de semana de julho para levar Letícia e Mateus, filhos de uma amiga, para um programa diferente. Um grupo composto por quatro adultos e duas crianças, de 7 e 10 anos, respectivamente. 

Fomos prevenidos e reservamos os ingressos pela internet (R$ 60). Ainda bem: quando chegamos à bilheteria para retirá-los, naquele sábado ensolarado, só havia cinco disponíveis. Recomendo que você faça o mesmo; as saídas são aos sábados, domingos e feriados. 

Letícia e Mateus chegaram mais cedo à cidade e puderam aproveitar outras atrações de Guararema antes da saída da maria-fumaça, às 14h30. Eles adoraram o Parque da Ilha Grande, cercado pelo Rio Paraíba do Sul. “Vi um gambá!”, contou Letícia. É possível comprar comida para alimentar os peixes, que se aglomeram embaixo da ponte esperando pelos mimos. Logo ao lado, fica o Recanto do Américo, parque conhecido também como Pau D’Alho por causa da árvore centenária que dá nome a cidade e exala um forte odor de alho.

Tudo isso, claro, foi só o aquecimento para o passeio de trem. Tudo é muito organizado: os bilhetes vêm com o número do assento marcado e, antes de entrar nos vagões (fabricados na Inglaterra entre 1896 e 1937), não há quem resista em tirar uma foto ao lado da locomotiva a vapor, de 1927, chamada de Velha Senhora. 

Percurso

Entrar no trem é como voltar ao passado. Cada vagão conta com uma atendente, que dá instruções de segurança (evite colocar a cabeça para fora por causa de eventuais galhos) e vende água, cerveja e refrigerante. 

São apenas 7 quilômetros entre a estação de Guararema e a parada no distrito de Luís Carlos, vencidos de trem em meia hora. A composição fica 1 hora parada ali, mas o tempo não é suficiente para almoçar – se quiser curtir os restaurantes da região e passar mais tempo ali, vá de carro.

A verdade é que 1 hora passa voando, mesmo a área sendo tão pequena. A estação, de 1914, está novinha e bem conservada, assim como as casinhas e a Igreja de São Lourenço, de 1906. O local passou por um amplo processo de revitalização, entregue em 2015. 

É como embarcar em uma máquina do tempo. Ao descer da composição, uma dupla esperava os turistas cantando canções da MPB.

Dá vontade de fotografar tudo: as janelas e portas coloridas das casinhas, as ruas de paralelepípedo, a igrejinha. Na loja de souvenirs, o artesanato local se destaca, assim como os brinquedos de madeira que enchem os mais velhos de saudosismo e os mais novos de curiosidade.

Ficamos namorando um café com bolinhos de chuva no Roça Chic, um café charmoso com sofás e poltronas convidativos. Como estava sempre cheio, fomos adiando, adiando... Até que olhamos com atenção: no fundo, havia um jardim com mais mesas, cadeira de balanço e almofadas, que as crianças amaram. O café de coador (R$ 5) é preparado na mesa – os bolinhos de chuva (R$ 7, seis unidades) tiveram de ficar para a próxima vez por causa do pouco tempo até o embarque do trem. Mas os bolos (R$ 7 a fatia, bem servida) estavam deliciosos. 

Ainda deu tempo de tirar mais uma fotinho da estação antes de embarcar. No trajeto de volta, teve sanfoneiro animando os vagões com forró, Trem das Onze e outras canções populares. “A volta foi mais divertida, né?”, comentou Mateus, ao fim do passeio. 

Depois do desembarque, fomos fazer a foto clássica, deitados sobre os trilhos, no Pontilhão sobre o Rio Paraíba do Sul. Feita em aço, ela foi inaugurada em 1910. 

Antes de tomar o caminho de volta a São Paulo, deu tempo de passar no Centro de Artesanato e ainda comer uma paçoca caseira, preparada na hora no pilão. Mateus e Letícia adoraram (e até puderam amassar a paçoca com o pilão).

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