Renata Tranches|Estadão
Renata Tranches|Estadão

Passeios reais na Escócia

CASTELO DE BALMORAL

Renata Tranches, O Estado de S. Paulo

17 Maio 2016 | 02h00

Localizado no Parque Nacional Scotland's Cairngorm, a cerca de 80 quilometros de Aberdeen, o Castelo de Balmoral hospeda a família real e seus convidados entre agosto e outubro. Por essa razão, fica aberto ao público apenas até 31 de julho (11,50 libras ou R$ 57), com uma sala disponível para visitação: The Ballroom, a maior do castelo.

Nela, há itens de arte e do vestuário tradicional escocês da monarquia britânica, além de fotografias – as coleções podem variar de um ano para outro. Em uma das paredes, retratos de primeiros-ministros britânicos marcam a visita de cada um deles à rainha no Balmoral, tradição que se mantém desde o pioneiro a ser recebido por Elizabeth II: Winston Churchill.

Aberto em 1856, o castelo foi construído pela rainha Victoria, que ficou fascinada por essa região no norte da Escócia, repleta de paisagens estonteantes. Victoria deixou sua marca em várias partes do castelo. Na área externa, aberta ao público, está a Garden Cottage, a pequena casa onde a monarca costumava tomar café da manhã e escrever em seu diário. Não é possível entrar no local, mas espiar pela janela é liberado.

Perto dali, a igreja Crathie Parish reúne a família real para suas orações de domingo. A guia garante que os membros da família real não recebem nenhum tratamento especial com relação aos demais fiéis quando estão ali, embora tenham assentos separados.

O Castelo de Balmoral aparece também em alguns tours de horror, muito comuns na Escócia. Reza a lenda que um dos principais fantasmas da fortaleza é o de John Brown, que trabalhou no castelo para a rainha Victoria e ficou muito próximo a ela, principalmente depois que a monarca ficou viúva. Dizem que Brown pode ser visto vagando pelos corredores do castelo, sempre usando seu kilt. A Haunted Rooms oferece vários tours para caçar fantasmas pelo país, a partir de 27 libras (R$ 135).

E já que a Escócia é a terra do scotch (como bem sabe Mr. Miles), vale uma visita a uma das 12 destilarias locais. A Royal Lochnagar Distillery recebeu o selo real da própria rainha Victoria, em 1848, ao visitar o local. Um tour (7,50 libras ou R$ 37) apresenta ao visitante os processos de fabricação do autêntico scotch, nome dado ao uísque fabricado na Escócia, e dá a oportunidade de experimentar preciosidades como o Royal Lochnagar 12 anos – o favorito do príncipe Charles.

PALÁCIO DE HOLYROODHOUSE

De um lado, o Castelo de Edimburgo. De outro, o Palácio de Holyroodhouse, residência oficial da família real na Escócia. Entre eles, a Royal Mile e toda a graça da Old Town, o centro medieval de Edimburgo que parece parado no tempo. 

Embora seja o queridinho dos turistas que passam pela cidade, o castelo tem pouca (ou nenhuma) relação com a rainha. Fortaleza erguida no coração da cidade com uma história de mais de mil anos, abriga as Joias da Coroa (cetro, coroa e espada), usadas por monarcas escoceses desde o século 18. Por causa da delicadeza das peças, raramente deixam a sala de exibição – uma delas, em 1953, quando Elizabeth II visitou a Escócia pela primeira vez como soberana. Entrada 16,50 libras (R$ 82).

Se tiver disposição, vale ir a pé até o Holyroodhouse, descendo a Royal Mile (são apenas 1,6 quilômetros ou 1 milha, como o nome sugere), para observar lojas de souvenir, tocadores de gaita de fole, casas de queijo e outras curiosidades. O palácio fica ao fim do caminho, aos pés do Assento de Artur, um dos picos da cadeia de montanhas de Edimburgo que integram o Holyrood Park e dão um pano de fundo especial ao palácio. Seus traços barrocos, que contrastam com o moderno prédio do Parlamento escocês, do outro lado da rua, é um dos exemplos da herança arquitetônica do país, que em 2016 promove o Ano da Inovação, Arquitetura e Design.

Os Aposentos de Estado estão abertos à visitação com sua magnífica coleção de tapeçaria. Algumas das salas que podem ser visitadas são usadas pela rainha Elizabeth para cerimônias e jantares oficiais na Escócia. Os horários de visita variam ao longo do ano e os ingressos custam entre 12 e 16,50 libras (R$ 60 a R$ 82). 

Um dos aspectos interessantes do palácio é poder conhecer um pouco mais sobre o curto reinado de Mary, Rainha da Escócia. Em uma das câmaras, ela testemunhou a seu segundo marido, Lord Darnley, matar brutalmente seu secretário, Rizzio, por ciúmes. 

Mas talvez a grande beleza do lugar esteja em seus impecáveis jardins, que criam uma combinação ímpar com as antigas ruínas da abadia. Abuse dos cliques.

Arte e cultura. Caso sua viagem seja em agosto, é provável que encontre os preços mais altos na cidade, mas por um bom motivo. O Festival de Edimburgo e seu paralelo, o Fringe, enchem as ruas de arte, música e shows variados. No Castelo de Edimburgo ocorre também a Military Tattoo, parada militar com participantes de todo país. Mais: edinburghfestivalcity.com.

ROYAL YACHT BRITANNIA

Ao longo de 44 anos, o Royal Yacht Britannia levou a família real para navegar por mares do mundo todo, somando mais de 1 milhão de milhas percorridas. Aposentado em 1997, o iate virou atração turística em Edimburgo – e uma oportunidade de entender um pouco da rotina a bordo da realeza. 

O Britannia tem especial atenção da rainha Elizabeth II por ter sido ele a receber o primeiro selo de sua monarquia, em 1953. Foi nele que o príncipe Charles e a Princesa Diana passaram sua lua de mel. Em 1986, ajudou no resgate de mil refugiados da Guerra do Aden, no Iêmen. E ainda foi utilizado em 968 visitas oficiais, recebendo personalidades como Nelson Mandela e Bill Clinton. Por seus cinco deques estão espalhadas fotos da família real a bordo e da tripulação. A casa de lemes originais também pode ser vista, assim como o Rolls-Royce utilizado pela rainha nos locais de desembarque.

Para celebrar os 90 anos de Elizabeth II, no dia 12 de junho os visitantes vão ganhar bolo e espumante. No salão de chá serão servidos alguns dos pratos favoritos da rainha, como sanduíche de pepinos e torta de chocolate. 

O ingresso custa 15 libras (R$ 75) e a arrecadação é destinada a projetos de caridade. 

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Em Edimburgo, o Scotch Whisky Experience oferece explicações detalhadas sobre as destilarias e origem do uísque escocês. O local abriga uma coleção de 3,4 mil garrafas de scotch adquiridas mundo afora. 

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