Patagônia: mundo além do fim

Começa no Chile a melhor época para navegar entre fiordes, caminhar em geleiras e observar baleias jubartes

Mônica Aquino, estadao.com.br

07 Setembro 2009 | 18h37

 

As estradas intermináveis, os ventos fortes e gélidos e as longas horas dentro de barcos exigem muita disposição. Afinal, para chegar aos recantos mais escondidos da Patagônia chilena é preciso ultrapassar o fim do mundo. E ir bem além da argentina Ushuaia, autoproclamada cidade mais austral do planeta. Em troca, são esses caminhos rigorosos que colocam no horizonte cenários remotos como o Canal de Beagle, que entrou para a história ao ser desbravado por Charles Darwin, e a Ilha Carlos III, totalmente isolada, ponto de parada de baleias jubartes.

 

Veja também:

video Vídeo mostra viagem pelas geleiras da Patagônia chilena

linkDespertar em um horizonte de gelo

linkLongo caminho até as baleias jubartes

 

A melhor época para ver tudo isso começa agora. De setembro a março, a temporada de verão derrete parte do gelo, facilitando os acessos. Os dias são longos e o sol forte destaca cores e favorece a formação de dégradés no horizonte. Vários hotéis, fechados durante o inverno, voltam a funcionar - e ficam mais lotados a partir de novembro.

 

Aventureiros, evidentemente, sentem-se à vontade entre as várias opções de navegação, trekking, escalada, cavalgada, e outros passeios radicais. A região está repleta de atrações assim. Mas também é possível fazer uma viagem cheia de conforto e mordomia, com muito sossego e esforço mínimo. Só não há meio de escapar do vento constante, não importa se o dia está ensolarado, chuvoso ou as duas coisas - o que forma inesquecíveis arco-íris.

 

Por causa das distâncias e da variedade de atrações, a visita à região requer tempo. Foram necessários 13 dias para ver lugares como Punta Arenas, o Parque Nacional Torres del Paine e o povoado de Puerto Williams (leia mais ao lado). Em comum, paisagens fantásticas e a sensação de total isolamento do resto do mundo.

 

ADIANTE

A chilena Puerto Williams, na Isla Navarino, fica depois da argentina Ushuaia. Aviões pequenos, com capacidade para 20 pessoas, partem de Punta Arenas, sobrevoam o Estreito de Magalhães e a Terra do Fogo e, uma hora e pouco depois, pousam no povoado chileno.

 

Se o clima permitir, é possível fazer um voo rasante sobre o Cabo de Hornos. No caso de o vento forte impedir esse passeio, ainda há com que se distrair na colorida cidadezinha. O lodge Lakutaia é uma boa opção de hospedagem e organiza passeios pela ilha. Gastronomia caprichada, uma taça de vinho nas mãos e a lareira completam o clima para que o visitante se entregue ao silêncio e ao prazer de contemplar um deslumbrante pôr do sol.

 

NOS PASSOS DE DARWIN

No passeio mais interessante organizado pelo lodge Lakutaia, o turista é levado a conhecer os recantos do Canal de Beagle como fez Charles Darwin em sua viagem histórica, que deu origem ao livro A Origem das Espécies, considerado por muitos a obra mais importante da história da ciência. O barco Victory é uma réplica da embarcação usada pelo naturalista em meados do século 19. O passeio é acompanhado por guias e pelo antropólogo Maurice Van De Maele, que explica costumes dos povos nativos da região, os yamanas. Nômades, eles passavam boa parte da vida em botes simples em meio aos glaciares e usavam gordura de foca para se aquecer. Na hora do almoço, o churrasco do visitante é preparado ali mesmo, a bordo.

 

linkAerovias Dap: transfer Punta Arenas-Puerto Williams e voos sobre o Cabo de Hornos. Site: http://www.aeroviasdap.cl/

 

Viagem feita a convite do Naviera Turismo Skorpios, Whalesound e Hotel Lakutaia

 

 

DIÁRIO DE BORDO

 

DIA 1 | Pode parecer tempo suficiente, mas não é. No primeiro dia foi possível ver pouco mais que o básico do Parque Nacional Torres del Paine, reserva da Biosfera da Unesco desde 1978. Caso do Lago Nordenskjöld, rodeado por guanacos

 

DIA 2  | Caminhada na Geleira Grey, na área do parque, que soma mais de 200 mil hectares

 

DIA 3 | Hora de partir para Puerto Natales, onde começa a jornada a bordo do Skorpios III

 

DIA 4 | O Glaciar Pio XI (foto principal) fica no Parque Bernardo O’Higgins e é o maior da América do Sul – tem 1.265 km2. Este aqui é só um bloco que se soltou dessa montanha fria. Ainda passamos pelo Glaciar Amália, famoso por seu gelo que parece cristal

 

DIA 5 | Puerto Éden, a 400 quilômetros de Puerto Natales, ainda abriga descendentes da etnia kaweskar, que vivia na região

 

DIA 6 | Foram quatro horas navegando pelo Fiorde Calvo, que recebe água e imensos blocos vindos de várias geleiras

 

DIA 7 | Visita ao Glaciar Bernal, um dos que estão sofrendo com os efeitos do aquecimento global

 

DIA 8 | Punta Arenas, capital de Magalhães, é ótima para descansar. Aproveite para fazer comprinhas

 

DIA 9 | O tempo mais que nublado impediu o sobrevoo no Cabo de Hornos, último pedaço de terra firme antes da Antártida. Suas águas, na divisa entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, metem medo em marujos experientes

 

DIA 10 | Puerto Williams presenteia o turista com paisagens maravilhosas em tons dégradé

 

DIA 11 | Na distante Ilha Carlos III, a acomodação é em iglus. As baleias compensam a falta de conforto do local

 

DIA 12 | Saída de barco para avistar as jubartes. Além do espetáculo das gigantes, leões-marinhos mostram sua simpatia

 

DIA 13 | Após 6 horas de navegação, o desembarque em Punta Arenas, o fim da jornada

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