Roberto Almeida/AE
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Patrimônio da Unesco com agito de cidade universitária

Évora, a capital da região, é o ponto final glorioso do nosso tour

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2009 | 03h14

Évora, capital do Alentejo, formou-se a partir de uma colcha de retalhos que atravessou os tempos. A cidade tomou o corpo que tem hoje com pedaços de tecido de origem romana, moura e cristã, em que foram bordados templos, muralhas e igrejas. O resultado final é um caldeirão de ideias e monumentos, acompanhados por apenas 50 mil habitantes. Todos devidamente orgulhosos de poder morar dentro de um consagrado Patrimônio da Humanidade.

A cidade é muitíssimo bem guarnecida por grossas muralhas, que agora têm os portões sempre abertos. De longe você já pode ver, encravado lá no alto, o fabuloso Templo de Diana. De dia, o sol atravessa as colunas da ruína romana, lançando sombras multiformes. À noite, o monumento ganha iluminação especial e algo de mistério.

 

Seus momentos de descanso em Évora têm endereço certo: a Pousada dos Lóios, bem perto do templo. Nesse mosteiro caprichosamente reformado nenhum quarto é igual ao outro em espaço - fruto da diferença de funções entre os monges que habitaram o lugar até 1834.

 

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Mas como não se vive só dos tempos antigos, tente deixar as datas um pouco de lado. Évora é uma cidade universitária e, como todas do gênero, têm vida noturna pulsante. Suas ruas estreitas reúnem a juventude alentejana, que se diverte até altas horas em bares e cafés simples - e com bons preços.

Se fosse para dividir por horário, a cidadezinha mereceria o seguinte planejamento do visitante. Pela manhã, um city tour, essencial para entender tantas peculiaridades. No almoço, uma refeição leve na Praça do Giraldo, coração de Évora. À tarde, compras e um passeio no parque e nas igrejas. Entre elas a Capela dos Ossos.

"Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos", brinda o letreiro sobre a cripta. Monges (novamente eles) envolvidos na contrarreforma católica se empenharam em simbolizar a transitoriedade da vida. Para isso, forraram as paredes da nave da capela com ossos de 5 mil pessoas.

Portanto, só vá se o estômago permitir, porque esse é o órgão que vai ditar as regras no finzinho de tarde e também à noite. Comece com um típico pão de rala. O doce, preparado à base de ovos, abóbora e canela, é a especialidade de Évora. Basta procurar a Pastelaria Conventual Pão de Rala. Para acompanhar e quebrar o excesso de açúcar, uma boa xícara de chá.

Chave de ouro, o jantar precisa ser no Restaurante Fialho. Comida simples, local, com um ar de companheirismo e alegria dos proprietários, que cuidam das panelas há 60 anos. Nas paredes, procure por fotos de Gabriel, o dono, com alguns brasileiros ilustres. Ele vai contar a história de cada jantar com uma simpatia de abrir o apetite.

linkPousada dos Lóios: www.pousadas.pt

linkRestaurante Fialho: www.restaurantefialho.com

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