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Patrimônio de traços chineses

SHURI - Okinawa conserva muitos monumentos históricos. Do que foi destruído na guerra, parte foi reerguido para preservar a memória e, sobretudo, para que o passado permaneça como lição para o futuro.

Jorge J. Okubaro - O Estado de S.Paulo,

06 Fevereiro 2012 | 21h00

O Castelo de Shuri (Shurijô, em japonês) é uma de suas principais atrações. Erguido entre os séculos 13 e 14 como residência do rei Satto, do reino de Urasoe (hoje uma importante cidade de Okinawa), o Castelo de Shuri tornou-se a sede do governo do reino de Ryu Kyu, por decisão do rei Sho Hashi, que, no século 15, unificou os três reinos em que se dividia politicamente o arquipélago. Destruído durante os combates na Segunda Guerra Mundial, foi minuciosamente reconstruído e, desde 1992, está aberto à visitação pública.

O trajeto do centro de Naha a Shuri é feito em 15 minutos pelo monotrilho. O acesso ao castelo é pelo portal de Shurei (Shurei-no-mon), que também ruiu durante a guerra e foi erguido novamente nos anos 1950. Cruzadas as muralhas, o castelo surge espetacular. É nítida a influência chinesa na arquitetura. Destacando-se do vermelho brilhante das paredes e das colunas, dois dragões dourados dominam o frontão na parte superior da fachada principal. Como os castelos chineses, Shurijô tem um grande pátio para celebrações e apresentações das tropas.

O shichagui, sala onde o rei realizava cerimônias e conduzia reuniões políticas, tem, no centro, o usasuka, o espaço do rei, onde a cadeira real e as duas estátuas de dragão reproduzem os originais, usados entre 1477 e 1526.

Além do Castelo de Shuri, há outras oito estruturas e ruínas distribuídas pela ilha de Okinawa - gusuku, no idioma local, ou fortalezas dos chefes regionais. Todas consideradas Patrimônio da Unesco.

Por ter sido palco dos combates mais sangrentos da batalha de Okinawa em 1945, a parte sul da ilha (Shimajiri) abriga hoje os principais locais históricos. O Museu da Paz de Okinawa, em Itoman, foi construído no local onde terminou a batalha. Ali estão expostas peças de uso pessoal, armamentos e o registro, em granito, dos nomes dos 237.779 mortos na guerra. Também em Itoman, o Monumento Himeyuri e o Memorial da Paz de Himeyuri homenageiam estudantes e suas professoras que, transformadas em enfermeiras de um hospital militar, foram mortas nos conflitos. Não distante está o Quartel-General Subterrâneo da Marinha Imperial, onde militares se suicidaram.

Memórias da guerra em tempos de paz. Okinawa foi palco de uma das mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial. Estima-se que mais de 100 mil civis - um terço da população - morreram entre abril e junho de 1945. Uma das explicações para o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, é a de que, convencido de que os japoneses não se renderiam, o presidente americano Harry Truman decidiu empregar o recurso para não ter de enfrentar outras "Okinawas" até conquistar Tóquio.

Arrasado, o Japão dedicou-se à reconstrução, com a ajuda dos Estados Unidos, mas com governo autônomo. Okinawa, a 1,6 mil quilômetros de Tóquio, passou a ser controlada por militares americanos. Só retornou à condição de província japonesa em 1972 - mas ainda mantém as marcas do período. Ali estão algumas das maiores bases aéreas americanas fora dos EUA, usadas na Guerra da Coreia, no início dos anos 1950, e, mais intensamente, na Guerra do Vietnã (1964-1975).

A permanência dos militares na ilha tem sido fonte de conflitos. De tempos em tempos, há protestos pedindo a remoção das bases estrangeiras, que reduziram a área de terras para cultivo. As bases são uma preocupação política permanente para o governo japonês, que precisa manter boas relações com o governo dos Estados Unidos.

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