Patrimônio em tons de azul e verde

A superfície estava verde-jade, mas você poderá encontrá-la num azul-turquesa ou num cinza metálico. Assim são os Lagos Plitvice: volúveis. Eles mudam radicalmente de cor segundo a maior ou menor quantidade de minerais e de algas presentes ali. Outro sinal de inconstância são cascatas que serpenteiam por entre rochas travertinas, estruturas porosas que se formam e transformam em diferentes combinações, criando novas quedas d'água. Essa porosidade atrai: é como se água estivesse escorrendo entre os dedos.

ZAGREB, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2012 | 03h11

Apesar da tentação, não se pode mergulhar um mindinho sequer. Os 16 Lagos Plitvice - 12 superiores, quatro inferiores estão tombados. São intocáveis, como todo o parque ao redor. Em 1970, a Unesco declarou esses 294,82 quilômetros quadrados Patrimônio da Humanidade. Buscava-se preservar não só a vida aquática, como a da floresta. Já foram catalogadas 1.267 espécies de plantas, 55 só de orquídeas. Quanto à fauna, seriam 321 espécies de borboletas, 161 de pássaros, 21 de morcegos e 50 de mamíferos, entre eles linces, veados, gambás, martas (de pele cobiçadíssima) e o urso marrom, símbolo do local.

Ele está bordado no distintivo da peruana Bethsy Polyaric, nossa Inspetora Willoughby, que guia turistas por passarelas de madeira. Casada com um croata, ela conta que toda a estrutura hoteleira e alimentícia do parque pertence ao Estado, ao menos enquanto a Croácia não se incorpora à Comunidade Europeia. Esse prognóstico de mudança seria bom para o lugar? Bethsy franze a testa. Parece na dúvida.

Localizado no caminho entre as cidades de Zagreb e Zadar, o parque (np-plitvicka-jezera.hr/en) inclui na entrada o valor dos meios de transporte internos. Adultos pagam a partir de 80 kunas (R$ 26).

A portaria 2 leva ao lago Kozjak, o maior de todos, com cerca de 4 quilômetros de extensão, na divisa entre os vales superior e inferior. Aqui você pode alugar um barquinho a remo ou embarcar em ferry, que passa a cada 20 minutos. Dessa forma, você chega aos estonteantes lagos inferiores, como o Milanovac, o Kaluderovac, e o Slap Veliki, que tem uma queda de 73 metros. Para conhecer a parte superior é necessário voltar a Kozjak e seguir trilhas que levam ao Gradinsko, com seus patos selvagens, ou ao Okrugljak, com suas poderosas cachoeiras.

Política. O parque tem papel de peso na história política da Croácia. Em 1991, o policial Josip Jovic, a primeira vítima da guerra civil, morreu ali. Os rebeldes sérvios se apoderaram do lugar, transformando hotéis em quartéis e expropriando os bens do parque. Apenas em agosto de 1995 os croatas reassumiram a posse e revigoraram o local, que hoje recebe cerca de 1 milhão de visitantes por ano. Um patrimônio sem fronteiras. / M.M.

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