Pé na

Pé na 'calle' pela cultural Bogotá

PAULINA CHAMORRO / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2014 | 02h06

Foi Simón Bolívar quem escolheu Bogotá para ser capital da Grã Colômbia, então um vice-reinado cujos domínios abrangiam os atuais Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá. Tal informação serve, primeiro, para começar a entender porque uma semana não será tempo demais na cidade, tal sua diversidade histórica, cultural e sonora.

Depois, para admirar com olhos atentos o casario espalhado entre ruas e ladeiras que conduzem à imponente Cordilheira Oriental dos Andes.

A cadeia de montanhas que emoldura a cidade serve de referencia geográfica para entender o sistema viário. Complicado para os estrangeiros, mas os gentis bogotanos oferecem milhões de dicas para desvendar endereços. Depois de dois dias, foi assim que interpretei: as grandes avenidas, paralelas à montanha, são as carreras; ruas perpendiculares são as calles. E todas são numeradas.

Portanto, se quiser conhecer o Museo de Trajes Regionales (museodetrajesregionales.com; 3 mil pesos colombianos ou R$ 3,50), por exemplo, o endereço Calle 10#6 significa que você deve ir para a Calle 10, na esquina com a Carrera 6.

O clima de Bogotá é de montanha, com sensação térmica média de 16 graus, faça chuva ou sol. E a altitude, 2.640 metros acima do nível do mar, o que faz dela uma das cidades mais altas da América do Sul, pede adaptação: evite longas caminhadas, ao menos no primeiro dia.

Passo a passo. Feitas as ressalvas, está tudo pronto para conhecer o centro histórico, cheio de casarões lindos e museus. Escolha hospedar-se no bairro La Candelaria, com muitas opções de casas, pousadas, hotéis e hotéis-butique. Eu escolhi este último tipo, a 200 metros do Museu Botero. O Abadia Colonial tem Wi-Fi incluído na diária (desde 180 mil pesos ou R$ 210, para dois; abadiacolonial.com) e café da manhã na varanda.

São mais de 60 atrações históricas concentradas no bairro, com destaque para os museus. O Botero (banrepcultural.org/museo-botero) está na mesma via que a Igreja de La Candelaria. Ao lado das obras do pintor colombiano Fernando Botero, que batiza o museu e ficou conhecido por pintar personagens gordinhos (Monalisa e Pareja Bailando estão lá), há trabalhos de Picasso, Miró e outros mestres. Por ser gratuito, dá para ir lá várias vezes. Foi o que fiz.

Pela Calle 11 chega-se à Praça Simon Bolívar, endereço da belíssima Catedral Primada, e ali mesmo começa a Carrera 7, famosa por ter muitos quilômetros fechados aos  carros. Pedestres e ciclistas são bem-vindos - e é possível alugar bicicleta num ponto da avenida e devolvê-la noutro. Lojas do colorido artesanato colombiano, que mistura tecido e couro, são várias. Compre ali as mochilas wavuu, feitas na região litorânea de Guajira, hit entre colombianos.

O Museu do Ouro (banrepcultural.org/museo-del-oro; 3 mil pesos ou R$ 3,50, gratuito aos domingos) é a próxima parada na Carrera 7. Em três andares o visitante faz uma viagem pela trajetória do homem pré-colombiano narrada pelo uso do ouro. Artefatos religiosos e do cotidiano de varias épocas estão no acervo.

Lá no alto. Para vistas panorâmicas da cidade, a opção mais convencional é subir aos 3.152 metros do Cerro Monserrate (cerromonserrate.com), que recebe peregrinos no Santuário del Señor Caído, de 1657. A pé, é gratuito. Há teleférico e funicular, a 16.400 pesos ou R$ 20, ida e volta, além de café e restaurante.

Outras formas de ver a cidade do alto: um passeio de ônibus pela Circunvalar, avenida aos pés da montanha; e o mirante do edifício Colpatria (oesta.do/viacolpatria; 4.500 pesos ou R$ 5,20, só aos fins de semana), o prédio mais alto da Colômbia.

Mais uma sugestão: os grupos colombianos Monsieur Periné e Los Atercipleados são ótima trilha sonora para acompanhar os passeios por Bogotá.

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