Gustavo Coltri/ Estadão
Gustavo Coltri/ Estadão

Pela Carretera Austral, rumo ao Rio Baker

COYHAIQUE - A noite gélida ainda deixava rastros de névoa pelos campos montanhosos que circundavam o Lodge Cinco Rios quando despertamos, pouco antes de sair em direção ao Rio Baker. O caminho até a nascente tem quase 300 quilômetros, mas é cheio de discretos povoados e pontos de observação da natureza.

Gustavo Coltri, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2014 | 02h08

Pegamos a estrada bem agasalhados, prontos para enfrentar o frio que nos acompanhou até Coyhaique, nas primeiras horas da manhã. A pacata cidade é o centro econômico da região, mas não tem muitos atrativos turísticos. Melhor seguir logo rumo ao interior.

De carro, as margens da Carretera Austral convidam a cliques infinitos. Perto de Coyhaique, montanhas gigantescas com picos nevados emolduram fazendas a seus pés, criando um cenário digno dos Alpes Suíços.

Dá para descer do carro e procurar, no meio da estrada, o melhor ângulo para o clique, tamanha a tranquilidade de tráfego. Se os carros poucas vezes surpreendem, cruzar com um animal é ainda mais raro. Pássaros são bem discretos e grandes mamíferos, como o puma, vivem nas montanhas e raramente dão as caras aos viajantes motorizados. Mas tivemos a sorte de ver um huemul, espécie de cervo, tentando se esconder em uma montanha ao lado da estrada.

O difícil, com tantas tentadoras paradas para fotografar, é cruzar o território para completar a programação do dia em tempo hábil. Paramos para almoçar em Cerro Castillo, que parece se resumir a uma rua principal, com um conjunto de casas de madeira enfileiradas. Em direção à Puerto Tranquilo, onde chegaríamos somente à tarde, rios e lagos ganharam destaque no horizonte.

Quase lá. O cansaço começou a dar as caras em Puerto Tranquilo, cidade banhada pelo Lago General Carrera (o maior da região, com 1.850 quilômetros quadrados) e em posição estratégica para deslocamentos. Essa seria a nossa base nos demais dias de viagem.

Chegamos à nascente do Rio Baker, ligado a outra ponta do lago, nos derradeiros minutos do dia. Ali, uma série de lodges enfeita timidamente a paisagem ciliar com barcos de pequeno porte para pescaria. Já o rio se destaca entre os demais por seu volume de água, muito bom para a prática de rafting.

Na beira do Baker, o dia levou a luz do sol até o pico de morros próximos. Para o nosso grupo, no entanto, ele não terminaria nos lodges à beira-rio, mas em outra hospedaria a poucos minutos dali, nas margens do enegrecido General Carrera.

Fizemos a última refeição do dia no Terra Luna Logde (www.terraluna.cl), um pouco mais rústico do que a acomodação da nossa primeira noite em Aysén. O frio estava de volta do lado de fora, coberto por um céu negro e estrelado como poucos. Antes de dormir, parte do grupo pôde apreciá-lo do ofurô do Terra Luna, bem ao lado do lago, silencioso naquele dia de pouco vento e onde os mais corajosos pulam após a imersão na água morna. Não foi o meu caso - preferi ir para a cama e repor as energias para o próximo dia de explorações.

O repórter viajou a convite do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Senatur)

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