Neto Bicho do Mato
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Na Bahia, passeios para conhecer (e degustar) o cacau

Cacaueiros plantados em meio à Mata Atlântica – o sistema cabruca – são um dos diferenciais locais. Veja também como se faz o doce

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 04h30

Nas plantações de cacau do sul da Bahia caminha-se pela sombra. É que os cacaueiros por aqui são cultivados em um sistema conhecido como cabruca, com árvores plantadas em meio à Mata Atlântica. Uma modalidade de cultivo que não desmata e agrada a um mundo onde preservação ambiental virou um tema de preocupação coletiva. 

Da colina que é o ponto mais alto de sua pequena Fazenda do Oiti, Luís Fernando Gherardi mostrou as áreas de plantação de cacau na propriedade de 50 hectares. Os meus olhos leigos não conseguiram distinguir, à distância, cacaueiros das demais árvores da Mata Atlântica. 

Luís tem 39 anos e está em Itacaré desde 2014. Comprou a fazenda “pelo preço de uma casa na cidade” e começou a apostar na produção de cacau em 2015. Durante a visita, mostrou o processo da enxertia, que consiste em implantar um ramo de cacau mais forte geneticamente em outro cacaueiro mais vulnerável ou pouco produtivo pela idade avançada. Foi muito graças à enxertia que a região conseguiu retomar a produção depois da avassaladora praga da vassoura-de-bruxa no fim dos anos 1980.

Luís mostrou também as árvores frutíferas – açaí, cajá, cupuaçu, jaca, banana – plantadas em meio aos cacaueiros (ou seria o contrário?). Apresentou ainda a barcaça, terraço com cobertura móvel onde as amêndoas fermentadas são colocadas para secar. 

A Fazenda do Oiti tem esse nome em homenagem à sua árvore mais alta. Sendo o tipo de gente que abraça árvore, me emocionei ao chegar aos pés da planta. A propriedade ainda não está aberta a turistas, mas esse é um projeto para o médio prazo. Luís Fernando integra a Associação de Turismo de Base Comunitária do distrito de Taboquinhas. 

É possível, no entanto, fazer passeios similares e ainda provar chocolates de autor em várias propriedades, tanto na Estrada do Chocolate quanto nos demais pontos da região. 

Fazenda Vila Rosa

Em Itacaré, o lindo casarão pintado de cor-de-rosa é sede de uma fazenda cacaueira. A propriedade fica a 20 quilômetros do centro da cidade e às margens do Rio de Contas. O passeio guiado começa com caminhada pela Mata Atlântica para ver a plantação. Depois, os turistas observam os processos de fermentação das amêndoas e de secagem nas barcaças. Visitam também a fábrica de chocolates e podem até participar da produção. O tour custa R$ 50 por pessoa e dá direito a usar a piscina e a remar caiaques na represa da propriedade. 

A Vila Rosa tem uma pousada charmosa com cinco quartos, com diária média de R$ 275 para duas pessoas, café da manhã incluído. No restaurante, os pratos custam a partir de R$ 28. É preciso agendar: vilarosaitacare.wixsite.com/vilarosaitacare.

Fazenda Provisão

A propriedade é do começo do século 19. Na margem do Rio Almada, na Estrada do Chocolate, guarda mobiliário e arte sacra da época de um certo coronel Domingos Adami de Sá, que assumiu as terras em 1885, e uma capela do começo do século 20. O tour guiado custa R$ 30 e há lojinha com produtos como rapadurinha de nibs – nibs são as amêndoas do cacau torradas e trituradas. 

É possível se hospedar em uma casa anexa com três quartos, por R$ 190 por pessoa (pensão completa), ou R$ 130 (no esquema cama e café): fazendaprovisao.com.br.

Fazenda Riachuelo

Abriga plantação de cacau e fábrica dos chocolates Mendoá. A fazenda mostra do processo produtivo do fruto à preparação do chocolate, enquanto você escuta sobre a ausência de lactose e glúten nos produtos da marca. Fica na Estrada do Chocolate. O tour é feito às terças e quintas-feiras e custa R$ 50 em dinheiro vivo; também é preciso levar dinheiro para comprar na loja da fábrica, que não aceita cartões. Agende: (73) 99955-0916 e contato@mendoachocolates.com.br

Fazenda Bom Jesus

Já disse que sou abraçadora de árvore: uma das mais bonitas nas quais dei um chega-pra-cá nessa vida fica na Fazenda Bom Jesus, no município de Una, ao sul de Ilhéus. A trilha para ver a plantação de cacau termina em uma gameleira de estimados 250 anos e 30 a 40 metros de altura, coisa de deixar um humano com a estatura de um inseto. A fazenda produz tudo organicamente, inclusive coco e banana que são vendidos em forma de chips. Fiz o passeio com a EVC Turismo; custa a partir de R$ 130: 73-9937-2191

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