Wanise Martinez/ AE
Wanise Martinez/ AE

Pelas estradas do Chile

No Chile, era hora de pegar praia. E de admirar os contornos do Deserto do Atacama, antes de comemorar a facilidade do metrô na cosmopolita capital

Wanise Martinez - O Estado de S. Paulo,

04 Outubro 2011 | 11h46

 Arica

A imensa fila na fronteira entre o Peru e o Chile foi amenizada por uma diversão nada convencional e completamente inesperada: um dos agentes que distribuem formulários decidiu exibir seu talento artístico em um show de mágica. Além dos truques, ele dançou, mandou beijos e distribuiu seu e-mail pessoal, avisando às mulheres da sua condição de solteiro. Gargalhadas coletivas balançavam o ônibus.

 

A imigração chilena é a mais detalhista entre os quatro países visitados durante a viagem. Cachorros da Polícia de Investigaciones del Chile entram no ônibus e cada mala é revistada. Com a demora, chegamos a Arica, vindas de Tacna, tarde da noite. E caímos em uma pegadinha: sem lugar para ficar, aceitamos uma oferta de hospedagem oferecida na rodoviária. Um lugar caindo aos pedaços - mas que, ao menos, não ficava em endereço arriscado.

 

A graciosa cidade é banhada pelo Oceano Pacífico e tem praias famosas como La Lisera, de mar calmo e frequentada por famílias, e Brava, com ondas mais fortes.

De Arica partem passeios ao Parque Nacional Lauca, na província de Parinacota, onde fica o Lago Chungará, a mais de 4.500 metros de altura. Os vulcões gêmeos Payachatas, eternamente nevados, também não estão longe.

 

Os passeios são vendidos em agências no centro da cidade (veja a lista no site arica.cl), por preços quase sempre inflacionados, já à espera da inevitável pechincha. Caso decida alugar carro e ir por conta própria, a dica é a mesma: negocie.

 

Iquique

 

Sob sol forte e dentro de um ônibus abafado, o trajeto pelo Atacama dura 5 horas, até que o azul brilhante do oceano surja no horizonte. A bela Iquique aparece em seguida, em meio a dunas espetaculares. Espremida entre o Pacífico e o deserto.

 

Para quem curte praia e aventura, a cidade, no litoral norte do Chile, é um prato cheio. Entre as faixas de areia mais frequentadas estão Cavancha, a melhor de todas para banho (em um mar gelado, destaque-se), Brava e Primeras Piedras. Localizada na província de Tarapacá, marcada pelo céu limpo e brilhante, é também um ótimo destino para praticantes de parapente - atividade que nem os iniciantes devem deixar de fazer, pela beleza da paisagem que se vê lá do alto. Com a Puro Vuelo (purovuelo.cl), o voo de 20 minutos custa cerca 35 mil pesos chilenos (R$ 122,50).

 

Atrações históricas e culturais tornam a visita a Iquique ainda mais agradável. O Palácio Astoreca é uma das construções luxuosas da cidade e funciona como museu. Não deixe de passar pelo Teatro Municipal, de arquitetura neoclássica, e pela graciosa Torre del Reloj. Isso antes (ou depois) de ir às compras: zona franca, Iquique vende de tudo a preços mais em conta.

O almoço no estilo bom e barato está garantido no Schopdog, restaurante que fica na Calle Vivar, não muito longe da orla: o frango grelhado, acompanhado de salada e refrigerante, sai por 2.690 pesos (algo como R$ 9,40).

 

Já à noite, a pedida é seguir para os bares à beira-mar na parte sul da orla, como fazem moradores e turistas.

 

Santiago

 

Se viajar de mochila nas costas significa passar alguns apertos, um dos maiores do nosso trajeto foi, sem dúvida, a ida até Santiago. As 24 horas pareciam não passar entre o calor escaldante do dia e o frio da noite, característicos do Atacama, e as revistas surpresas da polícia chilena, que revira malas no meio da estrada. Sem falar no mau cheiro do banheiro do veículo. Eu tentava me conformar com a possibilidade de rir de tudo aquilo depois.

 

Mas Santiago, ainda bem, reservava sua cota de compensações - como metrô para se deslocar pela cidade, o primeiro desde que colocamos o pé na estrada. Com ele, fomos a todos os pontos turísticos tradicionais: Plaza de Armas, Catedral Metropolitana, Museu Histórico Nacional e o Mercado Central, ótimo para provar culinária típica.

 

Cercada pela Cordilheira dos Andes, Santiago é uma cidade belíssima - em algum momento, você se pega admirando o contraste entre os prédios modernos e as montanhas de picos nevados lá atrás. E um dos melhores pontos para fotografar tal paisagem é o Cerro San Cristóbal. De funicular, chegamos ao mirante, que fica em uma das vizinhanças mais animadas da cidade, Bellavista. O bairro é endereço certeiro para turistas. Por lá fica também La Chascona, uma das casas de Pablo Neruda - ali, descobrimos que o nome da residência significa “a descabelada” e foi escolhido pelo poeta em homenagem à sua terceira mulher, Matilde Urrutia.

 

Bellavista é um ótimo endereço também para salir de carrete, ou seja, badalar na noite. Os bares e clubes ficam na Calle Constituição e arredores. 

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