Pelo mundo, emoção garantida sobre trilhos

Preparamos uma seleção de perder o fôlego - literalmente - das montanhas-russas recordistas em radicalizar, da América à Ásia. Aperte o cinto e segure firme

ADRIANA MOREIRA, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2011 | 03h06

De madeira ou aço, com loopings ou descidas radicais, de olhos fechados ou com as mãos para o alto, o frio na barriga é certo. E se a montanha-russa escolhida for uma das recordistas em altura, velocidade, comprimento e outras barbaridades do gênero, perder o fôlego não será apenas uma figura de expressão.

Fanáticos por montanhas-russas, como Fátima Pissarra, de 34 anos, têm receitas próprias para aproveitar o melhor da corrida. "Vou sempre no primeiro carrinho e com as mãos para o alto", diz ela, que está "treinando" a filha de 4 anos em passeios pelas versões infantis. Contudo, ela afirma que algumas vezes a maior emoção fica no último carrinho. "As grandes descidas são em maior velocidade" , explica. Com tais dicas em mente, segure firme antes de encarar o passeio abaixo.

'Made in Japan'. A mais recente integrante do seleto grupo das recordistas é a Takabisha, considerada a mais íngreme feita em aço pelo Guinness Book, o livro dos recordes, desde sua inauguração, em 16 de julho deste ano. Os corajosos que se aventuram a percorrer seus trilhos encaram uma queda livre de 121°, a 29 metros do chão, que dura apenas 0,38 segundos. O brinquedo fica no Fuji-Q Highland Amusement Par (fuji-q.com), em Fujioshida, Japão. Quem consegue manter os olhos abertos durante o trajeto tem vistas panorâmicas do Monte Fuji.

Outra recordista japonesa no Guinness é a Steel Dragon 2000, localizada no Nagashima Spa Land (nagashima-onsen.co.jp), em Nagashima. Em funcionamento desde 2000, ela é considerada a mais longa do mundo, com quase 2,5 quilômetros de extensão. São mais de 3 minutos de percurso, que incluem descidas radicais, túneis e muitas curvas.

Grande Prêmio. Que a escuderia vermelha é sinônimo de velocidade ninguém discute. Mas quem poderia imaginar que a montanha-russa do Ferrari World (ferrariworldabudhabi.com), parque temático de Abu Dabi, nos Emirados Árabes, seria também a mais veloz?

A Formula Rossa reproduz o trajeto de um Grande Prêmio - e, por isso mesmo, você não vai sentado em um carrinho de parque de diversões qualquer: o modelo reproduz um Fórmula 1. Ajeite-se no cockpit, vista os óculos especiais (sim, eles são necessários e o parque os fornece para os pilotos de ocasião) e prepare-se para chegar a impressionantes 240 quilômetros por hora.

É preciso apenas 2 segundos para ir de 0 a 100 quilômetros por hora - o percurso tem, ao todo, pouco mais de 2 quilômetros de extensão e dura em torno de um minuto. Precisa mais?

Quando foi inaugurada, no ano passado, a Formula Rossa tirou da norte-americana Kingda Ka o título de mais veloz. Mas a montanha-russa do parque Six Flags (sixflags.com), em Jackson, Ohio, manteve o de mais alta. E segue radicalizando: em apenas 3,5 segundos, ela atinge a velocidade de 206 quilômetros por hora antes de chegar a 139 metros de altura - e, depois, despencar em um ângulo de 90 graus.

Temáticos. O Six Flags, aliás, é o paraíso dos amantes da adrenalina. Trata-se de uma rede de parques espalhada pelos EUA especializada em montanhas-russas - só em Ohio são 13 tipos. Vale dizer que os parques da rede figuram em quase todos os rankings de radicalidade, como o Rollercoaster Database.

Outro no mesmo estilo é o Cedar Point (cedarpoint.com), em Sanduski, também Ohio. Ali, são 17 montanhas-russas dos mais variados tipos - nenhuma recordista. Ainda assim, a Top Thrill Dragster merece respeito. Durante dois anos ela ocupou o primeiro lugar em três categorias: mais alta, mais rápida e com a maior queda. Vamos aos números: 128 metros de altura, 193 quilômetros por hora, 122 metros de queda e frio na barriga garantido.

De cabeça para baixo. Você já ouviu falar em inversões? O termo é usado para designar o número de vezes que os passageiros ficam com a cabeça abaixo dos pés, sem, necessariamente, ser um looping.

Com tanta subjetividade, fica difícil estabelecer ao certo o campeão da categoria. Segundo o Rollercoaster Database, a Colossus, do Thorpe Park (thorpepark.com), em Chertsey, Inglaterra, é dona do título desde 2002, com dez inversões. Construída quatro anos depois, a chinesa 10 Inversion Roller Coaster, no parque Chimelong Paradise, em Panyu, divide com ela o primeiro lugar.

Em abril do próximo ano, uma brasileira também vai compartir o topo do pódio. A montanha-russa do Hopi Hari (hopihari.com.br), em Vinhedo, São Paulo, ainda não tem nome - ele será escolhido em um concurso nas redes sociais. Com velocidade de 85 quilômetros por hora, ela percorrerá 875 metros em pouco mais de 2 minutos.

Mas nenhuma das três vai resistir na primeira posição por muito tempo. O Jinling Happy World (chinajinling,net), em Lu'An, China, pretende inaugurar, também em 2012, a nova recordista, a 11 Inversion Coaster. Nem precisa dizer qual o número de inversões...

Destaques. Para os apaixonados por loopings e reviravoltas, números podem ser frios demais para retratar emoções. O que dizer da velhinha, mas enxuta, Leap-The-Dips, a mais antiga montanha-russa em operação? Localizada no Lakemont Park (lakemontparkfun.com), em Altoona, Pensilvânia, foi construída em 1902, em madeira. Desde 1996, tem status de patrimônio nacional dos Estados Unidos e oferece diversão garantida. Em doses homeopáticas, claro.

Tampouco é possível deixar de fora os parques temáticos da Flórida, os favoritos dos brasileiros nos EUA. Para a "montanha-russa-maníaca" Fátima Pissarra, a vantagem é que eles têm um grande leque de opções radicais, em lugares de acesso mais fácil ao dos recordistas. "Minha favorita é a Rock It, da Universal (universalstudios.com)", conta. Por quê? Subida de 90°, descida alucinante, vários loopings e a possibilidade de escolher a própria trilha sonora.

No Busch Gardens (buschgardens.com), a grande novidade é a Cheetah Hunt, que simula a corrida de um guepardo. São três explosões de velocidade - a 50, 100 e 70 quilômetros por hora. Além dela, outro destaque é a Sheikra, na qual você vai perder o chão. Literalmente: o percurso é realizado com as pernas balançando.

A pé. Em comum, todas as montanhas-russas têm carros e trilhos, certo? Errado. Na semana passada, a cidade de Duisburg, na Alemanha, inaugurou sua versão a pé. Criada pelos artistas Ulrich Gerth e Heike Mutter, tem 20 metros de altura e 240 degraus. Ideal para os medrosos.

Adrenalina

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