Pelos cânions do Velho Chico

Passeio de catamarã revela paisagem hipnotizante do rio: águas verdes, muitas pedras e poucos pescadores

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2009 | 05h18

O sol brilha lá no alto quando o catamarã invade as águas verdes do cânion. Conforme avança, a paisagem do Velho Chico hipnotiza. Formações rochosas muito curiosas, grutas, pássaros. Nada de povoados à beira-rio, apenas alguns acampamentos de pescadores. Durante três horas, o quinto maior cânion navegável do mundo, com 62 quilômetros de extensão, se revela em detalhes.

 

TRAJETO - Canindé é o ponto de partida do tour de três horas

O passeio começa em Canindé de São Francisco, cidade na divisa com Alagoas, mais especificamente no restaurante flutuante Karranca"s. De lá saem os catamarãs que levam os turistas para uma das experiências mais incríveis de Sergipe.

 

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Até o cânion, o barquinho percorre 15 quilômetros represados do Velho Chico, exatamente entre as Usinas de Xingó e de Paulo Afonso. São cerca de 50 minutos para ir (e outros 50 para voltar).

Já dentro do cânion, a primeira visão que impressiona os turistas é a da imponente Pedra do Gavião. A formação rochosa recebeu esse nome porque seu topo tem um formato que lembra a cabeça da ave.

Mas o ponto alto do tour é a Gruta do Talhado, onde a escuna atraca, e os viajantes podem aproveitar o tempo com um banho de rio. Água morna, perfeita para o mergulho. Nesse ponto, o Velho Chico é muito fundo - quem não souber nadar pode pular com colete salva-vidas.

Depois de relaxar, entre no bote menor, remado pelo guia, e conheça a gruta por dentro. Na companhia de alguns morcegos, o grupo tem uma ideia da real dimensão do lugar.

Na volta, a boa pedida é ficar no restaurante Karranca"s mesmo e saborear uma autêntica moqueca de pitu, carro-chefe da casa. O passeio só é feito pela MF Tur (www.mturxingo.com.br) e custa R$ 40. São quatro saídas diárias, entre 8 e 15 horas.

TERRA DO QUIABO

Como a viagem até Aracaju é longa - são cerca de 200 quilômetros de distância -, uma opção é dormir em Canindé de São Francisco e aproveitar com mais calma o complexo turístico de Xingó, que abrange cidades de Sergipe, Alagoas, Bahia e Pernambuco.

A região tem bons hotéis, como o Águas de Xingó e o Xingó Parque Hotel, e diversas pousadas a preços mais acessíveis. Além do flutuante Karranca"s, há outros dez restaurantes que servem comidas típicas do sertão.

O Sabor do Sertão, na divisa com Poço Redondo, é o mais famoso. Especializado em guisado de cordeiro, concorreu recentemente em concursos gastronômicos com o prato.

Canindé também leva o título de maior produtora de quiabo da região - a cidade tem até uma festa dedicada à hortaliça, a Festa do Quiabo, sempre em setembro. Por isso, espere encontrar nos principais cardápios iguarias como quiabada, quiabode e caruru.

DOCES

Na ida para Canindé - ou na volta para Aracaju -, vale a pena fazer uma parada na Fazenda Santa Maria (Rodovia Glória Monte Alegre, tel. 0--79-9986- 7251). Lá está a lojinha Doce Caseiro da Dona Nena. Não tem erro, basta perguntar pelos famosos docinhos caseiros para qualquer pessoa na estrada que todos saberão indicar.

Experimente as deliciosas compotas, os doces secos, as cocadas, as queijadinhas e os doces de leite e de jenipapo. Também não deixe de provar as bolinhas de queijo coalho. Ao fim, você terá uma saborosa lembrança de Canindé.

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